“Bolsonaro não tem vocação para vida pública”: Kassab vira alvo de Carlos, mas é poupado por Tarcísio e Flávio

A declaração de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, de que Jair Bolsonaro (PL) não tem “nenhuma vocação para a vida pública” e minimizando a importância do ex-presidente nas eleições de 2018, provocou a ira na ultradireita, especialmente da ala capitaneada por Carlos Bolsonaro (PL-RJ).

No entanto, o cacique do PSD foi poupado pelo governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), de quem é assessor especial, e do pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que busca “unir a direita” nas eleições, trabalhando para que Ronaldo Caiado (PSD-GO) desista da disputa presidencial já no primeiro turno.

Nas redes, Carlos usou de ironia ao compartilhar a declaração de Kassab. “Veremos a união da direita defender o Presidente Bolsonaro…. mais uma vez?”, escreveu.

https://x.com/CarlosBolsonaro/status/2048921157915521348

Ex-Secom, que atuou no time da defesa jurídica de Jair Bolsonaro, Fabio Wajngarten fez eco ao filho “02” do ex-presidente citando trecho bíblico insinuando que a fala de Kassab é “torpe”.

“Sobre a reunião dos sem votos ontem no LIDE. Uma vergonha. Depois dizem que o Eduardo tumultua. Já escrevi diversas vezes: quem tem voto que tem o poder, não o inverso”, emendou.

https://x.com/fabiowoficial/status/2049058864503324752

Até o “inútil” Roger Moreira foi às redes atacar Kassab. “Realmente, ele não estava por dentro do “mecanismo”. Por isso fizeram de tudo para tirá-lo do páreo. Mas esqueceram de combinar com o povo”, ironizou o líder do Ultraje a Rigor, diante do silêncio de Tarcísio e Flávio Bolsonaro.

https://x.com/roxmo/status/2048951468854509607

“Quem batesse no PT levava”

Kassab deu a declaração que despertou a ira do bolosnarismo radical em evento do grupo Lide, criado pelo ex-governador João Doria, que reuniu um grupo de empresários na capital paulista nesta segunda-feira (27).

Ao avaliar o governo de Bolsonaro, condenado a mais de 27 anos por tentativa de golpe de Estado e que, atualmente, está preso e inelegível, Kassab foi direto: o ex-titular do Palácio do Planalto governou o país “sinceramente sem nenhuma vocação para a vida pública” e teve atuação “muito aquém da expectativa dos brasileiros”.

Segundo o dirigente, a vitória de Bolsonaro em 2018 ocorreu em meio à forte rejeição ao PT, mas o então presidente não conseguiu corresponder ao que o eleitorado esperava.

“[Na eleição de 2018] quem batesse no PT levava, o Brasil não podia mais ouvir falar no PT. E assume o presidente Bolsonaro, sinceramente sem nenhuma vocação para a vida pública. Não tem um bom desempenho pessoal, ao contrário um desempenho muito aquém da expectativa dos brasileiros, que queriam algo totalmente diferente”, declarou.

No mesmo evento, o presidente do PSD também sinalizou o cenário para as eleições presidenciais de 2026. Ele afirmou não ver, neste momento, nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e nem Bolsonaro como favoritos à vitória. “Hoje, vou ser sincero com vocês, não vejo o Lula nem o Bolsonaro ganhando a eleição”, disse, apostando em uma possível mudança no quadro político ao longo da campanha.

Nesse contexto, Kassab reforçou o apoio do partido à pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ao Planalto. Para ele, o ambiente de rejeição aos nomes mais conhecidos pode abrir espaço para alternativas. “Quem não tem recall só cresce na campanha”, afirmou ainda.

Kassab bate o martelo sobre Haddad

No plano estadual, Kassab foi categórico ao descartar qualquer aproximação com o PT em São Paulo, mesmo após recentes acenos do ex-ministro e pré-candidato ao governo do estado Fernando Haddad, que chegou a revelar ter buscado diálogo com o dirigente para discutir o cenário político paulista.

Segundo Kassab, a possibilidade de aliança com o partido de Haddad é “zero”. O dirigente partidário reafirmou apoio “incondicional” à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), tentando afastar as especulações sobre um possível distanciamento entre ambos.

“Se tem alguém que está feliz com o resultado do Tarcísio, sou eu. Fomos o primeiro partido que fizemos aliança e o apoiamos [em 2022], e agora temos a mesma posição. Estamos com Tarcísio incondicionalmente”, afirmou.

A declaração ocorre após rumores de desgaste entre os dois aliados, especialmente em torno da composição da chapa para 2026. Kassab minimizou as divergências e reforçou que o PSD seguirá ao lado do atual governador, independentemente de cargos.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/bolsonaro-nao-tem-vocacao-kassab-alvo-de-carlos/