Não se trata de divergências legítimas e legitimamente conduzidas entre Estados, mas de um embate personalizado, empacotado em linguagem de palanque. Nem líderes de potências rivais, como Xi Jinping, Vladimir Putin ou Kim Jong-un, adotam com tanta frequência e impudência essa retórica performática. Ao fazê-lo, o Brasil não afirma sua soberania – ao contrário, só a compromete.
O próprio Lula admitiu em entrevista que uma intervenção de Trump no Brasil lhe renderia dividendos. […]
O que se viu na Europa foi um teatro miniaturizado da diplomacia lulopetista: fóruns ideologicamente alinhados, platitudes humanitárias, conjurações de espantalhos (o “fascismo”, o “neoliberalismo”, os super-ricos), indignação seletiva e conivência com tiranias de esquerda e rigor com democracias à direita, além de conclamações a intervenções estatais, como nas redes sociais, sob pretextos vaporosos – a “soberania”, a “democracia”, as “crianças”.
EDITORIAL | Lula puxa briga com Trump – “Em vez de resguardar o País das turbulências externas, o presidente se apressa em crispá-las como combustível eleitoral. A ‘soberania’ que Lula invoca não se traduz em estratégia, mas em slogan”.
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— Estadão 🗞️ (@Estadao) April 28, 2026
[…] Um canal sensível de cooperação institucional foi subvertido em instrumento de embate político. Relações entre agências construídas ao longo de décadas foram sujeitadas à lógica da sinalização midiática. A técnica cede lugar à coreografia do confronto. O interesse nacional, que deveria nortear a política externa, é subordinado a cálculos marqueteiros.
O Brasil mantém com os EUA uma relação estratégica de mais de dois séculos, sustentada por interesses comerciais, institucionais e de segurança. Preservá-la – ainda mais diante de um presidente notoriamente volátil – exige mais do que “química”. É preciso discrição, consistência, senso de proporção, canais abertos e azeitados.
Em vez de resguardar o Brasil das turbulências externas, o presidente se apressa em crispá-las como combustível eleitoral. A “soberania” que Lula invoca não se traduz em estratégia, mas em slogan. A diplomacia é abastardada para servir à vanglória do demiurgo. Lula usa vitrines internacionais para comprar aplausos lá e votos aqui – e repassa a fatura à sociedade brasileira.
Em suas pantomimas pacifistas, Lula recriminou a guerra contra o Irã como “irresponsável” e “inconsequente”. Não é preciso entrar no mérito para notar que descrevia com precisão involuntária sua própria atuação: inconsequente e irresponsável é sua guerrilha contra Trump.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/estadao-acusa-lula-de-puxar-briga-com-trump/

