Enterrar CPI do Master é parte do acordão entre Alcolumbre e Flávio Bolsonaro sobre Messias e Dosimetria

O acordão entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e Flávio Bolsonaro (PL), que resultou na rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta quarta-feira (29) e deve derrubar o veto de Lula ao PL da Dosimetria nesta quinta-feira (30), contou com o enterro da CPI do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e no Congresso para fazer com que um dos maiores escândalos financeiros do país saia das manchetes da mídia liberal durante a campanha eleitoral.

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Na sessão conjunta do Senado e da Câmara, que vai analisar o veto de Lula à “anistia” a Jair Bolsonaro, Alcolumbre deve ignorar a leitura do pedido de instalação da Comissão sobre o escândalo financeira.

O motivo é simples: o acesso aos documentos da investigação, com uma possível quebra de sigilo, além dos depoimentos deixaria clara a ligação fisiológica tanto de Alcolumbre, quanto do clã Bolsonaro com o maior esquema de corrupção financeiro no país, que liga a Faria Lima a facções criminosas, como o PCC.

Uma CPI sobre o Master daria acesso à base governista a toda a documentação que mostra, por exemplo, o financiamento das campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) com doações vultosas, de R$ 5 milhões, do pastor Fabiano Zettel, da Igreja Lagoinha, cunhado de Vorcaro.

A comissão também poderia trazer à tona – e às manchetes, em meio à campanha eleitoral – a negociação entre Flávio Bolsonaro (PL) e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, que está preso, sobre o benevolente empréstimo da instituição estatal para compra da mansão do senador em Brasília.

Pelo lado de Alcolumbre, uma CPI revelaria a relação dele e do União Brasil com o ecossistema de Vorcaro. Alvo da Operação Zona Cinzenta, desencadeada pela PF em fevereiro, Jocildo Silva Lemos foi indicado pelo presidente do Senado para a presidência da Amprev — Amapá Previdência.

Em 2024 e 2025, sob a gestão de Lemos, a Amprev realizou investimentos significativos em letras financeiras emitidas pelo Banco Master — cerca de R$ 400 milhões no total — mesmo após alertas sobre os riscos da instituição e orientações contrárias de órgãos de controle. Esses aportes deixaram o fundo entre os mais expostos à crise do banco após sua liquidação pelo Banco Central.

Uma CPI também levaria o caso Master de volta ao noticiário da mídia liberal, que tem escondido o escândalo por dois motivos:

  • Por fazer parte do esquema, com o recebimento de verbas milionárias em publicidade e patrocínio de eventos do grupo de Vorcaro e,
    Por interesse eleitoral, visto Flávio Bolsonaro assumiu a candidatura do sistema e levará a defesa do projeto neoliberal sob seu governo.
  • Além disso, uma comissão voltaria a expor as vísceras do sistema que une Vorcaro com figuras proeminentes do Centrão, como o “amigo da vida” Ciro Nogueira (PP), ex-comandante da Casa Civil, e outros ex-ministros de Bolsonaro, como João Roma e Ronaldo Bento (Cidadania) e Flávia “Arruda” Perez (Secretaria-Geral da Presidência).

O banqueiro ainda foi beneficiado pela presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central e da expansão das fintechs pela política econômica de Paulo Guedes, que seriam tragados pela CPI.

O acordão

O grande acordo entre Davi Alcolumbre e Flávio Bolsonaro começou a ser costurado em fevereiro. À época, a negociata envolvia uma troca simples: a horda bolsonarista se uniria ao Centrão para barrar a CPI do Master em troca da derrubada do veto sobre a Dosimetria.

Insatisfeito com a indicação de Jorge Messias por Lula à vaga de Luís Roberto Barroso no STF, Alcolumbre, que queria Rodrigo Pacheco (PSB-MG) no posto, ampliou a barganha.

Imporia a derrota histórica a Lula, que culminou com a rejeição do nome de Messias pelo plenário do Senado na noite desta quarta-feira (29), em troca de mais um mandato na Presidência do Senado, a partir de 2027, caso Flávio Bolsonaro (PL) vença as eleições presidenciais.

Com o acordo firmado, Alcolumbre atuou nos bastidores para aliciar os pares para rejeição do nome de Messias, alegando controlar o voto de ao menos 50 senadores sobre o caso.

O presidente do Senado ainda teria feito jogo duplo, alimentando a esperança dos líderes do governo de que a indicação passaria, embora não se comprometesse a trabalhar nem contra, nem a favor. O que não ocorreu.

Nos bastidores, Alcolumbre teria feito um levante, com informações preciosas que têm dos colegas, para convencê-los.

Um dos principais alvos foi justamente Ciro Nogueira, que chegou a anunciar que votaria a favor de Messias, mas recuou diante dos argumentos de Alcolumbre e Flávio Bolsonaro, especialmente sobre o caso Master.

O áudio vazado segundos antes do anúncio da rejeição de Messias, em que Alcolumbre diz ao líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que “acho que ele vai perder por oito” consolidou a armação, um dia antes da sessão que deve derrubar o veto de Lula sobre o PL da Dosimetria e enterrar definitivamente a CPI do Master.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/enterrar-cpi-do-master-acordao-alcolumbre-flavio-bolsonaro-dosimetria/