
O capitão de fragata da reserva da Marinha e comentarista geopolítico, Robinson Farinazzo, analisou o fim da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã após acordo fechado entre os países, em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta terça-feira (16). Farinazzo afirmou que o governo de Donald Trump sofreu uma derrota “acachapante” e que a superioridade tecnológica dos Estados Unidos se mostrou “pífia” em relação ao esperado.
“Quarenta e nove aeronaves perdidas em dois meses. Se a Rússia tivesse perdido essa quantidade de aeronaves na Ucrânia nos primeiros meses, a imprensa estaria deitando e rolando. Então, a verdade nessa história toda é que os Estados Unidos sofreram uma derrota acachapante. A superioridade tecnológica deles se revelou pífia em relação ao esperado”, afirmou o oficial da Marinha.
Para Farinazzo, o ataque do Irã contra as bases americanas foi “brilhante”. “Tudo que o almirante Yamamoto não conseguiu fazer no ataque a Pearl Harbor em 1941, o Irã fez no Golfo. Ele obliterou as bases americanas”, afirmou.
EUA utiliza tática militar nazista
Farinazzo explicou que a tática de guerra dos Estados Unidos é a mesma desde a Segunda Guerra Mundial, que consiste em bombardeios constantes, e baseada na tática militar nazista. No entanto, isso desconsidera que o Irã “não é um país para a visão ocidental”, de acordo com o oficial.
“A visão que o americano tem, eles copiaram dos nazistas, há provas disso. É a seguinte: bombardeia, traz o terror para a população civil e aí existe a capitulação. Essa tática foi usada pelos alemães na Holanda em 1940, na França em 1940, na Noruega, em vários países. Aonde deu errado? Na União Soviética. Por quê? Porque havia engajamento da sociedade e uma vontade de resistir”, explica Farinazzo.
O capitão acrescenta que o mentor intelectual das guerras americanas foi o general Franz Halder, que era chefe do Estado-Maior do Hitler. Quando acabou a guerra, ele foi convidado pelo exército americano a contar a história da campanha militar dos alemães. “Ele só contou o que interessava para ele. E isso moldou todo o pensamento militar dos EUA na Guerra Fria”, diz Farinazzo.
“Então, é uma tática que funciona muito bem para países que têm fraqueza militar. Mas contra um leviatã como o Irã, um país que tem quase 3 mil anos de tradição militar, gente que combateu Tamerlão, que combateu Alexandre o Grande, que combateu Gengis Khan, por aí vai. Aí não funciona, não dá muito certo”, diz o militar.
Eduardo Bolsonaro pode ser preso nos EUA
Farinazzo também falou sobre a atuação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, de onde arquiteta uma série de ataques e ameaças do governo Trump ao Brasil. O oficial da Marinha afirma que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não é um bom estrategista e que pode acabar sendo preso se os democratas voltarem ao poder.
“O cara conseguiu perder o mandato, perder o cargo e perdeu praticamente, perdeu tudo. Essa gente é meio primária na análise da visão estratégica deles. Eu acho que são pessoas que não entenderam para onde o mundo está indo e a extrema-direita vai acabar falando sozinha”, afirma Farinazzo.
“Esse mundo do neoliberalismo, do American Way of Life, está morrendo, está acabando. Ele [Eduardo Bolsonaro] fez-se um estrategista, mas eu acho que isso não vai funcionar. E ele corre um risco que ele não calculou, que é o seguinte: se no dia da manhã os democratas voltarem aos Estados Unidos – e vão acabar voltando mais cedo ou mais tarde – a mesma mão que classificou o PCC como terrorista pode classificar as milícias também”, complementou o oficial.
Portanto, ele destaca que o ex-deputado corre um sério risco de ser preso se os democratas chegarem ao poder.
No entanto, até lá, Farinazzo afirma que a extrema direita ainda vai ser muito “trabalho e tristeza” para o Brasil.
Confira a entrevista completa do comandante Robinson Farinazzo
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/eua-sofreram-derrota-esmagadora-guerra-ira-farinazzo/
