O quartel-general que desenha a estratégia de sobrevivência e expansão política de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) transformou-se em um ambiente de pura ebulição e nervosismo. O senador enfrenta o pior momento de sua trajetória pública, arrastando-se por um verdadeiro inferno astral que ameaça esfacelar seu capital eleitoral. A crise atinge seu ponto crítico justamente quando as frentes de incêndio abertas por seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), atualmente radicado nos EUA, começam a transbordar, esgotando a paciência e a capacidade de blindagem da própria pré-campanha.
Se nos palcos públicos o clã tenta simular uma unidade monolítica, os bastidores revelam um Flávio Bolsonaro profundamente desgastado e “de saco cheio” das trapalhadas internacionais e do radicalismo sem freios do irmão. A leitura interna é de que Eduardo virou um estorvo crônico, uma engrenagem que só fabrica problemas para um projeto político que tenta, a duras penas, vestir o figurino da moderação.
Fantasma do caso Master e o abalo de Flávio
Para entender o tamanho da irritação do senador, é preciso olhar para o tamanho do estrago que ele já tenta remediar. Flávio Bolsonaro cambaleia politicamente após o rastro de destruição deixado pelo escândalo do Banco Master e suas conexões com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal colocou sob os holofotes os elos financeiros do senador e o obscuro financiamento do filme Dark Horse, um baque reputacional do qual a pré-campanha ainda não conseguiu se recuperar.
Em meio a esse esforço desesperado de reconstrução de imagem, a insistência de Eduardo Bolsonaro em puxar o clã para o epicentro de novas crises internacionais caiu como uma bomba. O julgamento do ex-deputado no Supremo Tribunal Federal, marcado para esta semana, promete cobrar uma fatura política altíssima que será debitada, mais uma vez, na conta eleitoral de Flávio.
Eduardo é acusado de coação no curso do processo por suas movimentações nos EUA, onde buscou o suporte do governo de Donald Trump para tentar interferir em investigações brasileiras. A Defensoria Pública, que assina a representação do ex-deputado, tentou uma última manobra para adiar o julgamento, mas o pedido foi sumariamente rejeitado pelo ministro Alexandre de Moraes. Nos corredores do Supremo, o diagnóstico de interlocutores é unânime: o clima é de condenação certa. Ou seja, mais um desgaste.
Guerra em várias frentes que cansa a pré-campanha
A conduta de Eduardo Bolsonaro exacerba o isolamento do clã. No plano doméstico, o ex-deputado adotou uma postura de fuzilamento contra potenciais aliados que poderiam pavimentar o caminho de Flávio, disparando ataques pesados contra governadores de direita como Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO). A tática de terra arrasada gerou atritos profundos com lideranças que seriam fundamentais no tabuleiro de alianças da pré-campanha.
Enquanto uma ala mais ideológica e radical do partido ainda tenta argumentar que a postura piromaníaca de Eduardo serve para manter a militância mais à direita inflamada, o núcleo estratégico de Flávio desbancou essa tese. Para os estrategistas que não estão cegos por teorias da conspiração, a realidade das urnas é cristalina: o extremismo de Eduardo não traz novos votos e apenas consolida a pecha de radicais incontroláveis sobre a família.
Isolado nos EUA, Eduardo Bolsonaro continua agindo como o principal dinamitador das pontes que Flávio tenta construir com o eleitorado de centro e com as próprias autoridades brasileiras. Entre o escândalo Master/Vorcaro e a iminente condenação do irmão pelo STF, o senador se vê encurralado por uma crise que ele não sabe como conter, sabotado de perto pelo radicalismo doméstico que se recusa a recuar.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-irmao-incendiario-eua/


