A decisão da federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, de permanecer neutra na eleição presidencial de 2026 agravou o clima de preocupação nos bastidores do PL. Integrantes da legenda avaliam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverá iniciar oficialmente a campanha sem alianças nacionais, apoiado apenas pela estrutura do próprio partido.
A percepção ganhou força após o presidente do PP, Ciro Nogueira, comunicar a Flávio Bolsonaro, nesta quarta-feira, que a sigla não apoiará nenhum candidato ao Palácio do Planalto. Como PP e União Brasil integram a mesma federação, a decisão será seguida pelas duas legendas.
Segundo relatos de dirigentes do PL, a conversa era considerada a última tentativa de reverter o cenário de neutralidade. Durante as negociações, a campanha chegou a oferecer a vaga de vice na chapa à senadora Tereza Cristina (PP-MS), que recusou o convite.
Críticas à articulação política
Nos bastidores, dirigentes do PL atribuem o isolamento político à condução das negociações por Flávio Bolsonaro e pelo coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN). Reservadamente, integrantes da legenda afirmaram ao Globo que houve excesso de foco na estratégia eleitoral e pouca dedicação à construção de relações com lideranças do Centrão e presidentes de outros partidos.
Um dirigente ouvido sob condição de anonimato afirmou que a campanha falhou em manter interlocução constante com possíveis aliados e classificou a situação como uma “tragédia” política.
Entre os episódios apontados como responsáveis pelo desgaste está a reação de Flávio Bolsonaro à operação da Polícia Federal envolvendo Ciro Nogueira no caso Banco Master. Segundo integrantes do partido, aliados do presidente do PP esperavam uma defesa política mais enfática, mas o senador divulgou uma nota destacando a necessidade de investigação “com rigor e transparência” e elogiando o ministro André Mendonça, responsável por autorizar a apuração.
Na avaliação de aliados de Ciro, a manifestação foi interpretada como falta de apoio em um momento delicado.
Caso Dark Horse aumentou desgaste
O ambiente político teria se deteriorado ainda mais após a divulgação, pelo portal The Intercept Brasil, de mensagens entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento do filme Dark Horse.
Segundo interlocutores da União Progressista, a revelação reforçou dúvidas sobre a postura adotada pelo senador, já que ele manteve interlocução com o controlador do Banco Master ao mesmo tempo em que adotava discurso crítico em relação ao caso.
Lula amplia vantagem nas alianças
Nos bastidores do PL, dirigentes reconhecem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou vantagem na disputa pela formação de alianças partidárias.
A avaliação interna é que Lula conseguiu consolidar o apoio das principais legendas do campo da esquerda, incluindo a federação formada por PT, PV e PCdoB, além da federação PSOL-Rede e do PSB. Ao mesmo tempo, partidos de centro, como a União Progressista e o MDB, optaram pela neutralidade, impedindo que reforcem formalmente a candidatura adversária.
Mesmo sem alianças, o PL acredita que Flávio Bolsonaro continuará competitivo em razão da força da bancada da legenda no Congresso Nacional, o que deverá garantir cerca de 30% do tempo de propaganda eleitoral gratuita.
Republicanos e Podemos também se afastam
O cenário também preocupa porque o Republicanos é considerado cada vez mais distante de uma composição nacional com o PL.
Embora a legenda continue defendendo o nome da ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, como candidata a vice, parte da direção partidária interpreta a estratégia como uma tentativa de pressionar o Republicanos a integrar a chapa presidencial.
Nem mesmo o Podemos é visto como um aliado provável. Apesar de manter conversas com diferentes partidos, interlocutores afirmam que a tendência da sigla também é permanecer neutra.
Com isso, integrantes do PL avaliam que as possibilidades de uma aliança nacional antes do início oficial da campanha ficaram bastante reduzidas, consolidando um cenário em que Flávio Bolsonaro deverá disputar a Presidência sustentado essencialmente pela estrutura do próprio partido.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/federacao-uniao-progressista-flavio-bolsonaro-isolado/

