Elon Musk mostrou enorme irritação ao ser confrontado com perguntas básicas durante uma entrevista à editora-chefe da Economist, Zanny Minton Beddoes. Acostumado a conversar com entrevistadores simpáticos e podcasts que raramente o desafiam, o bilionário teve dificuldades para sustentar suas ideias sobre inteligência artificial, política e imigração quando foi pressionado a explicar suas próprias afirmações.
A conversa começou de forma tranquila, com Musk repetindo previsões que já faz há anos sobre a inteligência artificial. Segundo ele, a IA superará a inteligência humana em cinco anos e, dentro de uma década, os seres humanos deixarão de comandar o mundo.
O empresário afirmou que a tecnologia criará uma economia praticamente infinita, na qual robôs produzirão tantos bens e serviços que o dinheiro deixará de fazer sentido. Em sua visão, em 2036 todos terão renda elevada sem precisar trabalhar.
Mas, quando Beddoes perguntou como esse sistema funcionaria na prática, Musk passou a divagar.
O bilionário respondeu que as pessoas receberiam cheques do governo e argumentou que, em um cenário de abundância absoluta, imprimir dinheiro não causaria inflação — pelo contrário, poderia até provocar deflação.
A jornalista insistiu em uma pergunta simples: de onde viria a receita para bancar esses pagamentos? Musk não apresentou uma explicação consistente e voltou a repetir que a abundância criada pela inteligência artificial resolveria o problema.
Ao defender sua visão de futuro, Musk citou o escritor Iain Banks como referência. Quando Beddoes observou que Banks era socialista, ele discordou. Em seguida afirmou desejar uma sociedade parecida com a de Star Trek, universo frequentemente descrito como uma economia pós-capitalista.
O clima azedou de vez quando o assunto passou para o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), órgão que Musk comandou durante o governo Trump.
Beddoes lembrou que o desmonte da agência americana USAID teve consequências humanitárias graves e foi associado à morte de milhares de pessoas pela interrupção de programas de assistência internacional.
Musk negou qualquer responsabilidade. Disse que ninguém morreu por causa dos cortes, afirmou que apenas eliminou fraudes e alegou que as funções da agência foram transferidas para o Departamento de Estado.
A entrevista ficou ainda mais desconfortável quando a editora abordou a atuação política de Musk nas redes sociais.
Ela lembrou que o empresário promove políticos e partidos da extrema direita na Europa, divulga conteúdos alarmistas sobre imigração e recentemente usou o X para impulsionar um filme acusado de retratar imigrantes de maneira racista.
Também mencionou seu apoio ao partido alemão AfD, que convive com integrantes e setores identificados com o neonazismo.
Beddoes então apontou uma contradição evidente: como alguém que descreve um futuro utópico dominado por robôs e inteligência artificial pode, ao mesmo tempo, insistir que a Europa caminha para uma guerra civil causada pela imigração?
Musk respondeu apenas:
“Não acho que essas ideias sejam inconsistentes.” Sem explicar por quê.
Quando a jornalista observou que muita gente o considera racista, Musk respondeu dizendo que sua companheira, Shivon Zilis, é filha de indianos e que quatro de seus filhos são fruto dessa relação. Um clássico de todo racista.
Também afirmou que suas empresas empregam executivos de diferentes origens étnicas e, por isso, não poderia ser racista.
Questionado em seguida se era anti-muçulmano, evitou responder diretamente. Preferiu repetir que a Europa está em decadência e se tornou um lugar perigoso.
Beddoes rebateu dizendo que os Estados Unidos registram índices de violência muito superiores aos do Reino Unido. Musk simplesmente se recusou a aceitar os dados.
Nos minutos finais, já claramente irritado, abandonou a discussão e passou a atacar a imprensa.
Afirmou que seus mais de 250 milhões de seguidores no X demonstram que é muito mais popular do que seus críticos admitem e repetiu diversas vezes que “as pessoas odeiam a mídia” mais do que odeiam ele.
Na tentativa de constranger a editora, perguntou por que a Economist não publicava reportagens sobre mortes provocadas pelo calor na Europa e sobre a importância do ar-condicionado.
Beddoes respondeu imediatamente que a revista havia publicado várias matérias exatamente sobre esse tema, inclusive uma reportagem de capa.
Surpreso, Musk perguntou: “Pró-ar-condicionado?”
A resposta veio seca: “Muito pró-ar-condicionado. Você deveria nos ler de vez em quando”.
É quase o desfecho perfeito. Musk lança uma provocação vazia e pergunta por que a imprensa não está falando de um tema pelo qual ele próprio se tornou obcecado. No fim das contas, ele apenas faz papel de idiota.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/nao-sou-racista-elon-musk-surta-em-entrevista-e-ataca-jornalista/

