Flávio Bolsonaro se ofereceu para levar ator de Hollywood a jantar com Vorcaro

A intimidade entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ganhou contornos de deslumbramento hollywoodiano. Áudios e mensagens interceptados pela Polícia Federal e revelados pelo portal The Intercept Brasil no início da tarde desta quarta-feira (13) mostram que a relação “irmão com irmão” ia muito além dos pedidos de cifras milionárias. Para impressionar o bilionário, Flávio chegou a oferecer um jantar exclusivo com o ator Jim Caviezel, astro de A Paixão de Cristo, que interpreta Jair Bolsonaro no filme biográfico Dark Horse.

Diálogo entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro – Imagem: The Intercept Brasil

O episódio do jantar, que o mundo político agora comenta entre o deboche e o espanto, revela o esforço de Flávio para manter Vorcaro “fisgado” e satisfeito. Em uma das comunicações, o senador sugere levar Caviezel pessoalmente à casa do banqueiro para uma refeição privada. O encontro, contudo, acabou não ocorrendo devido a desencontros de agenda, mas o gesto serviu para cimentar a proximidade entre o parlamentar e o homem que detinha as chaves do cofre para o projeto cinematográfico da família.

O detalhe é crucial para desmentir a tese de “distanciamento” sustentada pela defesa de Flávio. O senador, que antes sugeria mal conhecer Vorcaro, ou que seu contato estaria no celular do banqueiro por razões aleatórias, mostra-se nas gravações como um anfitrião solícito e um articulador de bastidores que usa celebridades internacionais como moeda de troca de prestígio e para pedir dinheiro.

“Custo” do filme e o rastro do dinheiro

A “amizade” tinha um preço bem definido. Segundo as investigações, Flávio negociou um total de US$ 24 milhões, o equivalente a R$ 134 milhões, com Vorcaro, com o objetivo declarado de “financiar Dark Horse”, uma produção dirigida por Cyrus Nowrasteh que visa reabilitar a imagem de Jair Bolsonaro no exterior. Dos valores negociados, o esquema já havia movimentado cifras concretas, sendo que R$ 61 milhões foram efetivamente entregues e canalizados para uma empresa nos EUA controlada por pessoas intimamente ligadas e aliadas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Em áudios dramáticos, Flávio pressionava Vorcaro pelos pagamentos atrasados, alegando que seria um “calote horrível” deixar nomes renomados como Caviezel e Nowrasteh sem receber.

Isolamento político e ceticismo

A revelação de que Flávio se comportava como um “promoter” de luxo para Vorcaro, figura que hoje é vista como o pivô de um dos maiores escândalos de corrupção financeira da história, caiu como uma bomba na sua pré-candidatura à Presidência. O que era uma candidatura consolidada, aparecendo inclusive na frente em algumas pesquisas, tornou-se inviável diante de tamanho absurdo.

O mundo político agora reage com total ceticismo. A proximidade com o bilionário fraudador e o uso de recursos de origem duvidosa para um projeto pessoal de exaltação familiar tornaram sua permanência na disputa insustentável. Aliados de direita e lideranças do próprio bolsonarismo já admitem, de forma crescente e reservada, que o senador perdeu qualquer condição política de seguir em frente ao misturar o destino da nação com os interesses financeiros de um banqueiro sob investigação.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/flavio-bolsonaro-ator-hollywood-jantar-vorcaro/