O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o governador de Santa Catarina, o bolsonarista Jorginho Mello (PL), seja investigado e responsabilizado por xingar integrantes do povo Xokleng durante visita às obras da Barragem Norte, no município de José Boiteux, na semana passada.
Gravadas em vídeo, as ofensas foram proferidas enquanto o governador concedia entrevista a uma emissora de televisão. Ele se voltou para um grupo de indígenas que protestavam no local e os xingou. Em seguida, ao encerrar a entrevista, uma mulher o questionou sobre ter dito que “está tudo sob controle”. Mello respondeu: “A senhora não quer ir à merda?”. Ela se identificou como cacique e exigiu respeito. Ele retrucou: “E eu com isso?”.
Dignidade e honra coletiva
Para o CNDH, vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos do governo federal, o episódio “atingiu diretamente uma liderança tradicional e, em sua dimensão pública, alcançou a dignidade e a honra coletiva do povo Xokleng.”
A presidenta do conselho, Ivana Leal, afirmou que “as ofensas dirigidas ao povo Xokleng durante uma agenda oficial não podem ser tratadas como um episódio isolado” e que é necessário adotar medidas de responsabilização e não repetição.
Histórico de conflitos
A Barragem Norte está localizada dentro da Terra Indígena Laklãnõ Xokleng, e seu fechamento pode inundar parte do território. O povo Xokleng reivindica a demarcação de um território de aproximadamente 37 mil hectares e atualmente vive em uma área de 14 mil.
Em acordo judicial que envolveu União e governo estadual, Santa Catarina assumiu contrapartidas, entre elas, a construção de casas para as famílias do local. Os indígenas afirmam que as promessas não foram cumpridas.
O governo de Jorginho Mello negou qualquer irregularidade, afirmou que foi “a primeira gestão em três décadas” a avançar na manutenção da barragem e disse que o grupo se aproximou “com reivindicações que incluem pautas de responsabilidade federal”. Pré-candidato à reeleição e apoiado por Flávio Bolsonaro, Mello não comentou publicamente os xingamentos.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/governador-bolsonarista-indigena/

