O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) publicou uma thread no X para sustentar a ofensiva comercial de Washington contra o Brasil. Em tom acusatório, o órgão reúne críticas ambientais, decisões judiciais, tarifas, corrupção, propriedade intelectual, etanol e Pix para apresentar políticas brasileiras como práticas desleais contra empresas americanas. O texto mistura disputas comerciais concretas com ataques à atuação do Judiciário e ao sistema público de pagamentos brasileiro. Confira:
Durante décadas, atos, políticas e práticas injustificáveis do Brasil prejudicaram o comércio dos Estados Unidos, inclusive ao favorecer de forma desleal os produtores brasileiros em relação a seus concorrentes americanos e ao restringir o acesso a um dos principais mercados de exportação do mundo. Por exemplo:
Desmatamento ilegal: As práticas de desmatamento do Brasil dificultam que a indústria madeireira dos Estados Unidos concorra de maneira justa nos mercados globais. Entre 2023 e 2024, impressionantes 91% do desmatamento na Amazônia decorreram de exploração ilegal.
Produtos de madeira obtidos ilegalmente contribuem para distorcer os preços globais, provocando a desvalorização dos produtos madeireiros americanos. Estima-se que a madeira de origem ilegal reduza entre 7% e 16% os preços da madeira obtida legalmente.
Também há indícios de que alguns níveis subnacionais do governo brasileiro estão tomando medidas para eliminar ou reduzir incentivos tributários e outras iniciativas dos setores público e privado criadas para desencorajar o desmatamento.
For decades, Brazil’s unreasonable acts, policies, and practices have harmed U.S. commerce, including by unfairly advantaging Brazil’s producers over their American competitors and by restricting access to one of the world’s top export markets. For example:
Illegal… pic.twitter.com/58WX433MO5
— United States Trade Representative (@USTradeRep) July 16, 2026
Comércio digital: Tribunais brasileiros emitiram ordens sigilosas determinando que empresas americanas de tecnologia, entre elas X, Meta e Google, removessem determinados conteúdos políticos, suspendessem contas pertencentes a residentes dos Estados Unidos e fossem proibidas de informar os proprietários dos perfis sobre essas decisões.
Para obrigar o cumprimento das ordens, tribunais brasileiros também impuseram multas diárias por descumprimento às empresas americanas de tecnologia ou determinaram que elas interrompessem suas operações no Brasil
Digital Trade: Brazilian courts have issued secret orders directing U.S. technology companies, including X, Meta, and Google, to remove certain political content, suspend accounts belonging to U.S. residents, and prohibit the platforms from disclosing these orders to profile… pic.twitter.com/BGroafEWvi
— United States Trade Representative (@USTradeRep) July 16, 2026
Tarifas injustas e preferenciais: O Brasil concede tratamento preferencial em mais de mil linhas tarifárias para o México e em centenas de linhas tarifárias para a Índia, com alíquotas entre 10% e 100% menores do que as aplicadas às exportações americanas nos mesmos setores.
Unfair, Preferential Tariffs: Brazil provides preferential treatment on over a thousand tariff lines for Mexico and hundreds of tariff lines for India at tariff rates between 10 and 100 percent lower than the rate that applies to U.S. exports in those same sectors. pic.twitter.com/TGpBMO96do
— United States Trade Representative (@USTradeRep) July 16, 2026
Combate à corrupção: A corrupção no Brasil não é novidade, mas, com suas ações recentes, o país se afastou ainda mais das normas internacionais relacionadas ao combate ao suborno e à corrupção. No ano passado, o Brasil obteve apenas 35 pontos em uma escala de 0 a 100 no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional.
Dado o envolvimento de empresas brasileiras em alguns dos maiores casos de corrupção do mundo na última década, a OCDE manifestou preocupação com o fracasso do Brasil em alcançar um nível sustentável de repressão ao suborno internacional compatível com o perfil econômico do país.
Anti-Corruption Enforcement: Corruption in Brazil is not new, but with its recent actions, Brazil has moved farther away from global norms relating to fighting bribery and corruption. Last year, Brazil scored only 35 out of 100 on the Transparency International’s Corruption…
— United States Trade Representative (@USTradeRep) July 16, 2026
Proteção à propriedade intelectual: Desde 2007, o Brasil aparece na Lista de Observação do Relatório Especial 301 do USTR, que identifica países que não oferecem proteção adequada e efetiva à propriedade intelectual ou acesso justo e equitativo ao mercado para cidadãos e empresas dos Estados Unidos que dependem de propriedade intelectual.
Intellectual Property Protection: Since 2007, Brazil has been listed on the Watch List in USTR’s Special 301 Report, which identifies countries that deny adequate and effective intellectual property protections or fair and equitable market access to U.S. persons who rely on…
— United States Trade Representative (@USTradeRep) July 16, 2026
Acesso ao mercado de etanol: O Brasil encerrou o tratamento tarifário anteriormente equilibrado concedido ao etanol dos Estados Unidos e deixou de oferecer reciprocidade às tarifas preferenciais americanas aplicadas ao etanol brasileiro.
Como consequência, o Brasil mantém amplo acesso ao mercado americano de etanol, mas as importações brasileiras de etanol dos Estados Unidos vêm caindo desde que o país restabeleceu sua tarifa sobre o produto.
Em 2025, as exportações americanas de etanol para o Brasil totalizaram US$ 96 milhões, uma queda de 87% em relação ao valor recorde de US$ 761 milhões registrado em 2018.
Ethanol Market Access: Brazil has discontinued its previously balanced tariff treatment for U.S. ethanol and failed to reciprocate preferential U.S. tariffs on ethanol from Brazil.
As a result, Brazil retains substantial access to the U.S. ethanol market, but imports of U.S.… pic.twitter.com/MLe1aC2lSW
— United States Trade Representative (@USTradeRep) July 16, 2026
Serviços de pagamento eletrônico: Em novembro de 2020, o Banco Central do Brasil criou o sistema de pagamentos instantâneos Pix e, na condição de regulador, agiu para prejudicar os fornecedores americanos de serviços de pagamento eletrônico e favorecer seu sistema nacional, o Pix.
O Banco Central brasileiro incentiva o uso do Pix em detrimento de outros serviços ao exigir que as instituições participantes ofereçam o sistema gratuitamente às pessoas físicas e ao limitar as tarifas que essas instituições podem cobrar de empresas por transações realizadas pelo Pix.
Electronic Payment Services: In November 2020, the Brazilian central bank established the instant payment system Pix, and the bank has acted as a regulator to disadvantage U.S. electronic payment services providers and preference its national champion Pix.
The Brazilian central…
— United States Trade Representative (@USTradeRep) July 16, 2026
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/eua-montam-dossie-politico-para-sustentar-pressao-comercial-sobre-o-brasil/

