Jaques Wagner nega relação com Banco Master: “Não tenho nada a esconder”

O líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou nesta quinta-feira (18) que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados na Operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo o Banco Master.

Em nota divulgada por sua assessoria, o senador disse que acompanha “com tranquilidade” o andamento das investigações e que mantém confiança na condução dos trabalhos. O parlamentar também afirmou que permanece à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários.

A manifestação ocorreu após a Polícia Federal realizar a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que teve Jaques Wagner entre os alvos. As investigações apontam que o parlamentar teria recebido supostas vantagens indevidas em troca de atuação política no Congresso, entre elas um apartamento em Salvador e R$ 3,5 milhões.

A defesa do senador nega as acusações. Segundo a assessoria, o apartamento mencionado na investigação jamais integrou o patrimônio de Jaques Wagner. O parlamentar também nega ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira.

Sobre os valores em espécie apreendidos pela Polícia Federal, a assessoria informou que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais.

“Não tenho nada a esconder”

Em entrevista à BandNews, Jaques Wagner afirmou que os dólares apreendidos têm origem em diárias pagas pelo Senado em razão de viagens internacionais realizadas no exercício do mandato.

“Eu, várias vezes, viajei para o exterior, mandei até levantar. E, de 2019 para cá, eu recebi de diárias aproximadamente US$ 70 mil. Outras vezes em que fui viajar, comprei, via Banco do Brasil, onde tenho conta, dólares ou euros para fazer a viagem. Então, eu não tenho nada a esconder”, afirmou o senador.

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Segundo Wagner, os valores estavam armazenados em envelopes com o timbre do Senado e têm origem declarada.

“Então, do ponto de vista do dinheiro, estou absolutamente tranquilo. Nunca recebi dinheiro de ninguém, muito menos do Master ou do Augusto Lima. Então, eu estou absolutamente à vontade”, acrescentou.

Dados publicados no Portal da Transparência do Senado apontam que, entre 2019 e 2026, Jaques Wagner realizou 27 viagens internacionais e recebeu R$ 338,7 mil, o equivalente a US$ 66.830,07, em diárias.

O senador também afirmou que recebeu uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a operação da Polícia Federal. Segundo Wagner, Lula manifestou solidariedade e disse manter confiança em sua trajetória.

“O presidente Lula ligou para se solidarizar comigo, dizer que mantém absoluta confiança. A gente se conhece há 48 anos. Portanto, ele sabe como é o meu modo de agir. Ele só ligou para dizer: ‘Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança’”, relatou.

Jaques Wagner afirmou ainda que, caso Lula não decida retirá-lo da função, permanecerá como líder do governo no Senado. O parlamentar também disse que manterá sua pré-candidatura à reeleição.

Apesar das declarações de Wagner, já há movimentos dentro do PT e do governo pela saída do senador baiano da liderança governista. A possibilidade circula nos bastidores do Palácio do Planalto e foi defendida publicamente pelo deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara.

Em nota, a assessoria de Jaques Wagner reiterou que o senador deve ter assegurada a presunção de inocência e o amplo direito de defesa.

“O senador Jaques Wagner deve ter assegurada a presunção de inocência e vai exercer seu amplo direito de defesa para oferecer as explicações necessárias, com base em sua respeitada trajetória política na condição de deputado federal, governador de Estado e senador da República”, diz o comunicado.

 

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/jaques-wagner-nega-relacao-com-banco-master-nao-tenho-nada-a-esconder/