Em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (26), o analista geopolítico Hugo Albuquerque analisou a relação do governo dos Estados Unidos com a família Bolsonaro no Brasil, e destacou que o único projeto de governo de Flávio Bolsonaro (PL) é rifar o Brasil para o país norte-americano.
Hugo afirma que, por oportunismo, a família Bolsonaro tem colado com o grupo de Marco Rubio – que, apesar de pertencer ao governo, tem uma rivalidade com Donald Trump, de acordo com o analista – uma vez que o secretário de Estados dos EUA tem uma estratégia voltada para a intervenção em governos da América Latina.
“Nessa brincadeira toda, os Bolsonaro estão colando com o Marco Rubio e o Marco Rubio está colando com a família Bolsonaro, com o interesse de conseguir uma grande vitória, que é a grande cereja do bolo, que é o Brasil. Mas eles não conseguem dobrar o Brasil de imediato, até porque a economia brasileira, por mais que ela seja vendida, tem interesses próprios”, afirma Hugo.
Em relação a Trump, o analista diz que o presidente dos EUA é um “morto-vivo-político”, que governa sem grandes poderes e é obrigado a ceder a Marco Rubio. No entanto, ainda assim, a família Bolsonaro insiste em se associar a Trump por não ter outro caminho para ganhar a eleição que não seja entregar tudo para os Estados Unidos.
“Se não fosse a vitória do Trump, muito provavelmente a família Bolsonaro seria uma carta fora do baralho, e a gente teria uma figura como Tarcísio sendo candidato”, diz Hugo.
Para o analista, a família Bolsonaro conseguiu se impor devido a dois fatores: o primeiro, o capital eleitoral que Jair Bolsonaro tem, e o segundo, o discurso entreguista.
“A família Bolsonaro cola nesse ecossistema cada vez mais complexo e fragmentado da extrema direita americana, prometendo entregar o Brasil. Porque o Flávio Bolsonaro não tem nenhum plano para o Brasil, o único plano do Flávio Bolsonaro é falar: ‘eu vou ganhar isso daqui e eu vou entregar’. Então, é evidente que o Flávio Bolsonaro vai entregar o Pix, o Flávio Bolsonaro vai fazer o que ele bem entende”, pontua Hugo.
O analista ressalta que, se vitorioso na eleição, Flávio terá que agir, de alguma maneira, para libertar o pai, mas que em seguida deve enfraquecer a relação com o ex-presidente e seus irmãos para se impor no poder.
“O que é que uma figura diminuta como o Flávio Bolsonaro teria para oferecer? Ele que só foi vereador e agora senador por conta do pai. Ele é uma figura menor e pior do que o Jair Messias, que depende, por ora, do pai, mas que uma vez que chegue à presidência da República vai virar tipo aquele ditador de país de terceiro e quarto mundo. Não é um projeto nacionalista, é um projeto oportunista de rifar o Brasil”, afirma Hugo.
Ele analisa que Flávio se vale de camadas vulgares da elite brasileira, do “baixo clero da burguesia”, para subir ao poder. “A gente sabe que tem muita gente que rifaria o próprio país para ganhar dinheiro, para se dar bem, por algum mau sentimento, e é com isso que o Flávio conta. Basicamente fingir um pouquinho essa patriotada de camisa da CBF, bandeira do Brasil, mas que na verdade esconde aquela classe média que odeia o Brasil, que odeia o Brasil multirracial, o Brasil diverso, o Brasil da sua cultura autêntica, então é uma disputa entre esse falso verde-amarelismo”, declara Hugo.
“Os Bolsonaro querem trabalhar com isso, porque os Bolsonaro querem instaurar uma ditadura familiar para cobrar a pedágio do capitalismo nacional. É isso que eles querem criar, um tipo de ditadura do quarto, do quinto mundo, como a gente já viu em muitos lugares, quase sempre apoiado pelo Ocidente e pelos Estados Unidos, que sempre toleraram esse tipo de ditadura familiar”, finaliza o analista.
Confira a entrevista completa do analista Hugo Albuquerque
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/lavio-bolsonaro-projeto-oportunista-rifar-brasil-eua/

