Seis anos após o início da pandemia de Covid-19, que matou mais de 716 mil pessoas no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta segunda-feira (11) a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data escolhida foi 12 de março, em referência ao registro da primeira morte causada pela doença no país, a técnica de enfermagem Rosana Aparecida Urbano, em São Paulo.
A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto, em Brasília, e reuniu representantes de associações de familiares das vítimas da Covid-19, integrantes do governo e autoridades da área da saúde. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou do ato e destacou a importância da preservação da memória coletiva sobre a maior crise sanitária da história recente do país.
Ao sancionar o Projeto de Lei nº 2.120/2022, Lula fez duras críticas à condução da pandemia pelo governo de Jair Bolsonaro e à disseminação de desinformação durante o período mais crítico da emergência sanitária.
“Só tem sentido a gente criar alguma coisa para lembrar o passado, se a gente conseguir cravar o nome dos responsáveis”, declarou o presidente.
Lula também relembrou as campanhas contra a vacinação e as falsas informações propagadas durante a pandemia.
“Temos que dizer em alto e bom som a quantidade de médicos que receitavam cloroquina e a quantidade de gente que dizia que a vacina fazia as pessoas virarem gays, virarem jacaré, que fazia todo o mal a crianças. Se a gente não der o nome, as pessoas não serão conhecidas”, afirmou.
Em outro momento do discurso, o presidente destacou a dimensão da tragédia vivida pelo país.
“Nós precisamos ter consciência de que foram mais mortes do que muitas guerras que aconteceram no mundo”, disse Lula. Em seguida, completou: “Um dia nós mudaremos esse mundo e a ignorância não vai prevalecer em lugar nenhum. E a Justiça será feita”.
https://x.com/pedrorousseff/status/2053926713374003331?s=48
https://x.com/canalgov/status/2053930256508084477
https://x.com/ptbrasil/status/2053952381545566386
Padilha destaca memória, ciência e vacinação
Durante a cerimônia, Alexandre Padilha afirmou que o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 terá papel permanente de reflexão sobre os impactos da pandemia e sobre a necessidade de defesa da ciência e do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Na saúde, a gente fala que a memória tem dois papéis fundamentais. Primeiro, acolher o sofrimento, apoiar o sofrimento, poder lidar com esse sofrimento. Mas, sobretudo, o papel da memória é para que a sociedade como um todo nunca mais permita que se repita o que aconteceu durante a condução da pandemia da Covid-19 no nosso país”, declarou o ministro.
Padilha também ressaltou que a nova data permitirá manter vivo o debate sobre prevenção e enfrentamento de futuras emergências sanitárias.
“O presidente sanciona esse projeto, sanção integral do projeto, para que fique marcado, e todo ano a gente possa falar sobre isso, não só no dia específico, mas ao longo de todo ano, a gente possa discutir o que é necessário para enfrentar futuras pandemias”, afirmou.
O ministro destacou ainda a recuperação dos índices de vacinação desde o início do atual governo.
“Chegamos ao final de 2025 com a melhor cobertura vacinal dos últimos 9 anos”, disse Padilha. Segundo ele, as coberturas vacinais infantis, que estavam abaixo de 80% em 2023, hoje superam 90%.
O deputado Pedro Uczai, autor do projeto de lei, também participou da cerimônia e defendeu a valorização da ciência e das políticas públicas de saúde.
“Depois de tudo o que aconteceu na pandemia de Covid-19, o povo brasileiro tem a responsabilidade de reafirmar a vida, reafirmar o SUS, reafirmar a esperança de continuar defendendo a ciência contra o negacionismo”, declarou.
Como parte das homenagens, o Salão Nobre do Palácio do Planalto recebeu a instalação “Cada Nome, Uma Vida”, dedicada às mais de 700 mil vítimas fatais da Covid-19 no Brasil. A mostra ficará aberta para visitação até o próximo dia 19 de maio.
Além de Brasília, homenagens simultâneas foram realizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Porto Alegre e Manaus, com projeções dos nomes das vítimas e mensagens em defesa do SUS, da vacinação e dos profissionais de saúde que atuaram na linha de frente da pandemia.
O Ministério da Saúde também relembrou a inauguração do Memorial da Pandemia, aberta em abril no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio de Janeiro. O espaço reúne instalações digitais, monumentos e homenagens às vítimas da Covid-19 e aos trabalhadores da saúde.
Nas redes sociais, Lula publicou uma mensagem após a sanção da lei.
“Sancionei hoje a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, uma data para homenagear as mais de 700 mil vidas perdidas em decorrência do coronavírus em nosso país.”
https://x.com/LulaOficial/status/2053936086817366105
*Com informações da Agência Gov
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/lula-dia-memoria-vitimas-covid/

