Marco Rubio reafirma a Flávio Bolsonaro apoio de Trump a tarifaço

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, reafirmou ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) o apoio do governo Donald Trump à imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Em carta enviada na última terça-feira (23) e obtida com exclusividade pela coluna de Malu Gaspar, Rubio respondeu à encenação encaminhada por Flávio no início de junho. Nela, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro alertava que um novo tarifaço americano provocaria “sérios danos” à população brasileira. Além disso, o senador manifestava confiança em sua vitória na eleição presidencial de outubro, o que, segundo ele, poderia redefinir as relações entre Brasília e Washington.

É dito e sabido por todos que Eduardo Bolsonaro (PL) pediu explicitamente ao presidente Donald Trump que impusesse tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. Além disso, o ex-deputado condenado ainda tentou relacionar a quebra das tarifas a sanções impostas a membros do Supremo Tribunal Federal (STF), através da Lei Magnitsky. O tiro do clã saiu pela culatra e caiu feito uma bomba na opinião pública brasileira. Flávio agora tenta inverter os papéis e se passar pelo negociador do fim das tarifas.

Tentativa frustrada

A resposta do principal nome da diplomacia do governo Trump frustrou a estratégia política montada pela campanha do bolsonarista para conter os efeitos da ofensiva comercial americana contra o Brasil. Embora tenha agradecido o apoio de Flávio à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, Rubio não cedeu em nenhum ponto relativo às tarifas e sequer comentou as preocupações econômicas apresentadas pelo senador.

A tentativa de aproximação ocorreu em meio a uma crise política para a campanha de Flávio. Dias antes, a visita do senador a Donald Trump na Casa Branca vinha sendo explorada como demonstração de prestígio internacional, especialmente após a decisão americana de enquadrar PCC e CV como organizações terroristas. O cenário, porém, mudou após o governo dos Estados Unidos anunciar a conclusão de investigações comerciais que propõem novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Foto com Flávio e mais tarifas

O impacto político foi ampliado pelo fato de Donald Trump ter publicado, no mesmo dia do anúncio das medidas, uma fotografia ao lado de Flávio Bolsonaro no Salão Oval. A imagem reforçou críticas de adversários sobre uma suposta interferência eleitoral da Casa Branca e associou diretamente o pré-candidato brasileiro à ameaça de sanções econômicas contra o país.

Na carta, Rubio classificou como “generosa” a proposta apresentada por Flávio de criar uma equipe de transição conjunta entre Brasília e Washington caso ele seja eleito presidente da República. Ainda assim, o secretário de Estado reiterou que as divergências comerciais entre os dois países permanecem.

“O embaixador Jamieson Greer deixou claro que nós permanecemos com diferenças substanciais em relação à solução das irregularidades apontadas nesta investigação. São questões relacionadas ao comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e o desmatamento ilegal”, escreveu Rubio.

O secretário ressaltou ainda que as investigações comerciais não são conduzidas pelo Departamento de Estado, mas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), chefiado por Jamieson Greer.
Sem fazer um convite direto a Flávio, Rubio destacou que o processo prevê consultas e audiências públicas nas quais representantes brasileiros poderão apresentar argumentos contra as novas tarifas.

“Qualquer parte interessada no Brasil pode participar do período de consulta pública e da audiência aberta que o Escritório do Representante de Comércio dos EUA organizará em 6 de julho. A consulta ficará aberta até 1º de julho. Solicitações para participar da reunião deverão ser feitas até 22 de junho”, afirmou.

Encontro com Rubio

Marco Rubio e Flávio Bolsonaro se reuniram durante a visita do senador a Washington, no fim de maio. Na ocasião, o pré-candidato divulgou fotografias do encontro e celebrou a aproximação com a gestão republicana.
“Seguimos fortalecendo relações internacionais, defendendo a liberdade, a democracia e os valores que unem milhões de brasileiros e americanos”, escreveu Flávio nas redes sociais.

Investigações comerciais e ameaça de tarifas

No início de junho, o governo dos Estados Unidos concluiu duas investigações comerciais que propõem novas tarifas sobre produtos brasileiros.

A primeira delas, mencionada por Rubio em sua carta, foi aberta em julho de 2025 e questiona, entre outros pontos, o sistema de pagamentos Pix, supostas deficiências no combate à corrupção e à pirataria e regras relacionadas ao comércio digital. A investigação propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

À época, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a iniciativa como “injustificável” e acusou integrantes da família Bolsonaro de promoverem uma “sabotagem” aos interesses econômicos do país.

A segunda investigação conduzida pelo USTR recomendou a imposição de tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros mercados. O governo americano argumenta que Brasil, União Europeia e Hong Kong não adotaram medidas suficientes para impedir a exportação de produtos associados ao trabalho forçado.

 

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/marco-rubio-flavio-bolsonaro-trump-tarifaco/