Mendonça usou decisões tomadas no Supremo Tribunal Federal (STF) e a divulgação de informações de uma investigação para inflamar os atos de 7 de Setembro ligados à campanha de Flávio Bolsonaro, segundo acusação feita pelo ministro Alexandre de Moraes em manifestação encaminhada à Presidência da Corte.
O documento, apresentado nesta segunda-feira (14) na Petição 16.704, reúne 121 tópicos com a resposta de Moraes à crise aberta no STF após decisões do ministro André Mendonça relacionadas às investigações do caso Banco Master. Em um dos trechos mais duros, Moraes atribui ao colega uma atuação deliberadamente política às vésperas das manifestações de 7 de Setembro.
Segundo Moraes, houve um “direcionamento” da atuação de Mendonça para incriminá-lo e também atingir o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com o objetivo de favorecer um grupo político nas eleições de outubro.
O ministro vai além e relaciona diretamente o momento escolhido por Mendonça à mobilização política que ocorreria no 7 de Setembro.
“Por motivos políticos-eleitorais, houve direcionamento do magistrado relator para incriminar colega do STF, bem como o Presidente do Senado Federal e favorecer determinado grupo político nas eleições de outubro de 2026, inclusive com o vazamento do ilícito ‘dossiê’ que determinou, pelo próprio relator, na semana antecedente ao 7/9, como uma tentativa de impulsionar os comícios de determinado grupo político.”
Moraes afirma ainda que a estratégia teria sido reforçada por um vídeo publicado pelo próprio Mendonça nas redes sociais na véspera das manifestações. Na manifestação, ele classifica a iniciativa como um “fato inédito na história do STF”.
Mendonça e o 7 de Setembro
O documento de Moraes não cita Flávio Bolsonaro nominalmente nesse trecho, referindo-se a um “determinado grupo político”. O contexto, no entanto, é o dos atos bolsonaristas realizados no 7 de Setembro em plena campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), que transformou a data em uma das principais mobilizações de sua candidatura contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na Avenida Paulista, o ato reuniu apoiadores de Flávio e foi marcado por ataques a Moraes e manifestações de apoio a André Mendonça em meio à disputa entre os dois integrantes do Supremo.
A acusação apresentada por Moraes se apoia também em uma cronologia das decisões do colega. Ele sustenta que Mendonça já conhecia, desde 18 de maio, documentos nos quais seu nome aparecia, mas não encaminhou o material naquele momento à Presidência do Supremo.
Em 24 de agosto, Mendonça determinou que a Polícia Federal realizasse, em 72 horas, uma investigação relacionada a Moraes. Segundo a manifestação, a medida foi tomada de ofício, sem pedido da PF ou da Procuradoria-Geral da República e sem autorização prévia do Plenário do STF.
Quatro dias depois, em 28 de agosto, Mendonça determinou a formalização do procedimento, que deu origem à Petição 16.662, e colocou o caso sob grau máximo de sigilo.
Para Moraes, a sequência mostra que o momento da divulgação não foi casual. Ele acusa o colega de ter aguardado o período eleitoral e a proximidade do 7 de Setembro para tornar o caso politicamente explosivo.
Em outro trecho, afirma que Mendonça teria preferido “aguardar o momento político-eleitoral mais visível — véspera do comício de 7/9” para agir.
Moraes acusa Mendonça de direcionar investigação
A manifestação também cita relatórios de inteligência da própria Polícia Federal para sustentar que havia “indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial” e um “direcionamento temático de intensidade progressiva” por parte do relator.
Segundo o documento, Mendonça teria demonstrado interesse específico na abertura de uma investigação formal contra Moraes e solicitado mais de uma vez que investigadores apresentassem alguma provocação que permitisse a adoção de medidas nesse sentido.
Moraes também acusa o colega de tentar incluir de forma irregular seu nome e o de Davi Alcolumbre nas tratativas de colaboração premiada de Daniel Vorcaro.
A crise envolvendo Mendonça, Moraes e as investigações do caso Master levou o presidente do STF, Edson Fachin, a centralizar a análise dos procedimentos e determinar medidas para esclarecer a atuação dos envolvidos.
A íntegra dos andamentos da Petição 16.704 pode ser consultada no portal do STF.
O confronto chega nesta terça-feira (15) ao Plenário. Fachin convocou sessão extraordinária para as 10h, quando os ministros deverão analisar a Petição 16.662 e as contestações sobre a forma como a investigação foi aberta e conduzida por Mendonça.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/mendonca-7-setembro-flavio/


