Após Mendonça remover vídeo contra o PT, Sóstenes aciona a embaixada dos EUA

O submundo da desinformação bolsonarista ganhou mais um capítulo de contornos teatrais nos corredores do Congresso Nacional. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), anunciou nesta terça-feira (23) ter recorrido formalmente à embaixada dos EUA no Brasil depois que se viu contrariado. A movimentação diplomática de gabinete ocorre logo após o parlamentar ser obrigado a apagar uma gravação de suas redes sociais em que tentava vincular, sem qualquer verniz de prova, o Partido dos Trabalhadores (PT) às maiores facções de crime organizado do país.

Ao acionar uma representação estrangeira para validar teses conspiratórias domésticas, Sóstenes entra de corpo e alma no figurino metodológico de seus “chefes” ideológicos. A tática de internacionalizar picuinhas e correr para os braços de Washington em situações de desvantagem já virou rotina na dinastia Bolsonaro: sempre que são emparedados por decisões judiciais ou enfrentam reveses políticos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, pegam o primeiro voo para os EUA ou apelam a autoridades norte-americanas para chorar perseguição e pedir providências contra o presidente Lula e o PT.

Recuo sob ordem judicial e a retórica tosca das “suspeitas

A remoção compulsória do material foi determinada pelo ministro André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Embora tenha expressado sua contrariedade com o entendimento do magistrado, Sóstenes Cavalcante curvou-se à ordem judicial dentro do prazo legal de 24 horas e limpou suas redes. Na tentativa de se blindar de sanções jurídicas mais severas por calúnia e difamação, o deputado correu para mudar a narrativa diante dos jornalistas na Câmara, apegando-se à semântica para justificar a nova bobagem difundida por seu grupo político.

Em nenhum momento do meu vídeo eu afirmei. Eu disse que há suspeita do governo americano de que há financiamento de recursos do Comando Vermelho e do PCC ao Partido dos Trabalhadores, esquivou-se o parlamentar fluminense.

De acordo com Sóstenes, “ninguém melhor do que o próprio governo americano” para esclarecer as supostas teorias que ele mesmo jogou na rede. Sob esse pretexto, o líder do PL enviou um ofício à embaixada norte-americana e solicitou formalmente uma audiência pública com o embaixador do país no Brasil. Na gravação original, o deputado dizia haver “grandes suspeitas nos EUA” de que o dinheiro do narcotráfico irrigaria os caixas eleitorais petistas, algo jamais dito ou insinuado por qualquer pessoa da Casa Branca. Ao analisar o caso, o ministro André Mendonça foi categórico ao apontar que o conteúdo distribuído por Sóstenes não apresentou um único elemento palpável, documento ou indício mínimo que sustentasse a gravíssima acusação.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/mendonca-remover-video-pt-sostenes-aciona-embaixada-eua/