Michelle Bolsonaro dá gelo em Flávio e sobe em palanque de aliado do PL

Michelle Bolsonaro voltou a dar gelo em Flávio Bolsonaro no pior momento da pré-campanha presidencial do senador. Questionada na terça-feira (9), em Brasília, sobre quando entrará na campanha do enteado, a ex-primeira-dama respondeu que fará isso “no momento certo”. No mesmo dia, porém, subiu no palanque de Thiago Manzoni, deputado distrital do PL-DF e pré-candidato à Câmara, e apareceu como estrela de uma ofensiva do PL Mulher para recrutar mesárias voluntárias e fiscais eleitorais.

O gesto ocorre um dia antes de a pesquisa Quaest confirmar o derretimento de Flávio Bolsonaro após o caso Dark Horse. Segundo o levantamento divulgado nesta quarta-feira (10), Lula abriu 10 pontos sobre o filho de Jair Bolsonaro no primeiro turno, com 39% contra 29%, e venceria o senador no segundo turno por 44% a 38%.

“No momento certo, com certeza. Agora quem está precisando de apoio, de cuidados, é o meu marido”, disse Michelle ao ser questionada sobre a campanha de Flávio.

Michelle Bolsonaro deixa Flávio para depois

A resposta foi curta, mas o recado político foi longo. Michelle Bolsonaro não rompeu com Flávio Bolsonaro. Também não fez o gesto que a campanha do senador esperava em meio à crise. Preferiu colocar o enteado em compasso de espera enquanto ocupa palanques próprios no Distrito Federal e aciona a máquina nacional do PL Mulher.

A ironia é que Flávio precisa justamente do ativo que Michelle controla melhor dentro da direita: mobilização de mulheres conservadoras, capilaridade evangélica e presença em agendas partidárias. Mas, no dia em que poderia aquecer a pré-campanha do enteado, ela escolheu prestigiar Manzoni.

Thiago Manzoni é deputado distrital pelo PL e advogado, segundo o perfil oficial da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Ele tenta trocar a CLDF pela Câmara dos Deputados em 2026 e teve Michelle como principal cabo eleitoral no lançamento da pré-candidatura.

Quaest joga pressão sobre Flávio Bolsonaro

O “momento certo” de Michelle virou ainda mais incômodo com os números da Quaest. A Pesquisa Genial/Quaest mostra que o caso Dark Horse já atingiu a disposição de voto em Flávio Bolsonaro. Entre os eleitores independentes, Lula avançou de 29% para 37%, enquanto Flávio caiu de 31% para 24%.

O desgaste não aparece apenas na simulação eleitoral. Segundo a mesma pesquisa, 65% dos brasileiros dizem que Flávio errou ao pedir financiamento a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Outros 60% avaliam que as conversas entre o senador e o banqueiro levantam suspeitas.

A Fórum também mostrou que a relação de Flávio Bolsonaro com o “irmãozão” Vorcaro tira votos do senador. O levantamento aponta que 12% dos eleitores dizem ter menos vontade de votar nele depois das notícias sobre o caso. Outros 50% afirmam que já não votariam no filho de Bolsonaro.

Dark Horse vira fantasma na campanha de Flávio

O caso Dark Horse virou o ponto fraco da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. O senador, escolhido por Jair Bolsonaro para disputar o Palácio do Planalto, passou a carregar a crise envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e o financiamento do filme sobre o ex-presidente.

A produtora de Dark Horse desmentiu Flávio Bolsonaro e negou ter recebido dinheiro de Vorcaro. A crise ampliou a percepção de contradição na narrativa do senador e abriu espaço para ataques dentro e fora da direita.

Esse desgaste ajuda a explicar o peso do gesto de Michelle. Quando Flávio precisava de uma demonstração pública de unidade familiar, a ex-primeira-dama ofereceu apenas uma promessa vaga. Quando aliados regionais precisaram de palanque, ela apareceu.

Michelle Bolsonaro aciona operação própria

A movimentação de Michelle Bolsonaro não ficou restrita ao ato de Manzoni. Em vídeo de bastidor publicado nas redes, ela aparece na gravação de inserções partidárias do PL Mulher para rádio, TV e redes sociais. A campanha mira a base bolsonarista e convoca apoiadores a atuar como mesários voluntários da Justiça Eleitoral ou como fiscais do PL.

No vídeo, um dirigente afirma que a ideia partiu da “presidente Michelle” e que o objetivo é transformar a desconfiança da direita sobre as eleições em ação organizada no dia da votação. A peça fala em “transparência” e “confiança”, mas opera sobre uma tecla conhecida do bolsonarismo: manter a base mobilizada em torno do sistema eleitoral.

A Justiça Eleitoral informa que eleitoras e eleitores maiores de 18 anos, em situação regular, podem se voluntariar para trabalhar como mesários. A inscrição pode ser feita pelo TRE do estado, pelo aplicativo e-Título ou diretamente no cartório eleitoral.

Racha bolsonarista ganha dado eleitoral

O racha bolsonarista deixou de ser apenas uma disputa de bastidor. Agora tem número, calendário e palanque. Flávio Bolsonaro foi ungido por Jair Bolsonaro, mas perdeu tração no eleitorado independente após o caso Dark Horse. Michelle Bolsonaro, por outro lado, segue com agenda própria e tenta preservar capital político no PL Mulher e no Distrito Federal.

A crise de credibilidade de Flávio Bolsonaro já vinha sendo apontada por pesquisas qualitativas, especialmente entre os independentes. A nova rodada da Quaest transformou o alerta em dado nacional.

Na prática, há dois centros de gravidade no bolsonarismo. Flávio tenta herdar a candidatura presidencial do pai. Michelle administra uma estrutura própria, fala diretamente com mulheres conservadoras e se movimenta como nome competitivo no DF.

Flávio Bolsonaro espera o “momento certo”

Para Flávio Bolsonaro, a frase de Michelle pesa porque chega junto da pior notícia possível: sua candidatura perdeu fôlego no momento em que Lula voltou a abrir vantagem. O senador não precisa apenas de apoio protocolar. Precisa de engajamento real da madrasta para tentar reconstruir pontes com segmentos onde ela tem mais entrada do que ele.

Michelle, no entanto, preferiu não antecipar esse gesto. Disse que sua prioridade é cuidar de Jair Bolsonaro e deixou a campanha de Flávio para depois. Ao mesmo tempo, gravou campanha nacional do PL Mulher e prestigiou a pré-candidatura de um aliado local.

O resultado é uma cena difícil de disfarçar. Enquanto Flávio Bolsonaro sangra na Quaest por causa do caso Dark Horse, Michelle Bolsonaro escolhe onde aparecer, quem fortalecer e quando falar. No bolsonarismo, o “momento certo” virou uma forma elegante de manter o enteado na fila.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/michelle-bolsonaro-flavio-gelo/