Em meio a briga com Flávio, Michelle toma decisão sobre ser vice de Zema

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) descartou neste sábado (18) qualquer possibilidade de integrar a chapa presidencial de Romeu Zema (Novo) como vice-presidente. A recusa veio poucas horas depois de Zema mencionar o nome dela durante o 10º Encontro Nacional do Novo, em São Paulo, onde afirmou que a ex-primeira-dama preenchia os critérios para ocupar o posto.

Michelle respondeu pelo Instagram, invocando impedimentos partidários, sua indefinição sobre candidaturas e a prioridade de cuidar do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária em Brasília.

Zema propõe, Michelle recusa

Durante o encontro nacional do Novo realizado em São Paulo neste sábado, Romeu Zema foi questionado sobre uma possível composição com Michelle Bolsonaro, motivada por curtidas dela em publicações suas nas redes sociais. O pré-candidato não fechou portas. “É uma possibilidade, sim, como outras também são. Nome ficha limpa é sempre um nome muito bom”, declarou.

A resposta de Michelle não demorou. Ainda na noite do mesmo dia, ela publicou um texto nos stories do Instagram recusando a proposta de forma categórica. A ex-primeira-dama compartilhou uma manchete do site Poder360 que reproduzia a declaração de Zema e, na sequência, escreveu: “Não há nenhuma possibilidade de isso acontecer.”

Os argumentos de Michelle Bolsonaro

Michelle Bolsonaro apresentou três ordens de razões para a recusa. A primeira é a de que ainda não decidiu se será candidata a qualquer cargo em 2026, incluindo o Senado pelo Distrito Federal, cargo para o qual o PL a apresenta como pré-candidata. “Primeiro, eu não defini se serei candidata nem ao Senado. Portanto, essa proposta não pode sequer ser cogitada”, escreveu. A segunda razão consiste no fato de que é filiada ao PL. Ela argumentou que “um mesmo partido não pode ter duas cabeças de chapa concorrendo em coligações distintas para os mesmos cargos majoritários”, em referência à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência. Michelle ainda afirmou que, neste momento, continua priorizando os cuidados com o marido, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária em Brasília.

Reprodução/Instagram Michelle Bolsonaro

A manifestação ocorre num momento de turbulência interna para Michelle. Após uma briga pública com Flávio Bolsonaro, ela deixou a presidência do PL Mulher e chegou a sinalizar a aliados que poderia abandonar também a disputa pelo Senado. O episódio com Zema se insere, portanto, num quadro de indefinição sobre seu próprio futuro político, o que torna a recusa ao mesmo tempo uma declaração de limites e um adiamento de decisões.

Contexto das articulações e disputas na direita

A proposta de Zema a Michelle não era, na prática, uma oferta consolidada. O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, confirmou no mesmo dia que o partido ainda negocia a composição da chapa com outras siglas, com destaque para o Podemos. “Tenho uma ótima relação com a Renata [Abreu, presidente nacional do Podemos]. Acho que é uma possibilidade a gente fazer uma composição, mas ainda não há essa definição”, disse Ribeiro. A convenção nacional do Novo está marcada para 27 de julho, em Brasília, onde a candidatura de Zema deve ser confirmada. A escolha do vice, porém, deve ficar para depois, dentro do prazo das convenções partidárias, que se encerra em agosto.

A recusa de Michelle evidencia que, apesar das conversas entre lideranças conservadoras, persistem divergências sobre a formação das chapas para 2026, com o PL buscando uma candidatura própria encabeçada por Flávio Bolsonaro. O movimento de Zema ao citar Michelle pode ser lido como uma tentativa de se aproveitar da briga pública entre Michelle e Flávio Bolsonaro e do fato de que a ex-primeira-dama vem sinalizando que não embarcará na campanha do filho do ex-presidente.

A recusa de Michelle fecha, ao menos por ora, uma janela que poderia ter dado ao Novo algum acesso ao eleitorado bolsonarista mais fiel. Sem esse endosso, Zema segue negociando com o Podemos uma composição que, embora possível, não carrega o peso simbólico que o nome da ex-primeira-dama representaria para a base de Jair Bolsonaro.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/michelle-vice-zema-decisao/