Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um drone lançando um explosivo sobre a comunidade Dois Irmãos, no Rio de Janeiro, em um ataque que deixou uma pessoa ferida por estilhaços e ampliou a preocupação das autoridades com o uso de tecnologia de guerra por facções criminosas. Com informações de Metrópoles.
As imagens mostram o equipamento se aproximando de uma área residencial e soltando o artefato a poucos metros de altura. A explosão ocorre perto de um veículo, em uma região que enfrenta disputa entre milicianos e o Comando Vermelho (CV).
Equipes do 18º Batalhão de Polícia Militar foram acionadas em 13 de julho para verificar a denúncia de lançamento de bomba por drones na Dois Irmãos, mas não encontraram indícios no local quando chegaram à comunidade.
A suspeita de intercâmbio entre criminosos brasileiros e a guerra na Ucrânia entrou no radar da segurança pública do Rio. Autoridades monitoram a possibilidade de facções importarem técnicas de combate, inclusive o emprego de veículos não tripulados em ações ofensivas.
Inteligência do Rio mira ida de criminosos à Ucrânia
A Subsecretaria de Inteligência do Estado do Rio de Janeiro identificou, em maio, que o Comando Vermelho estaria custeando passagens internacionais para enviar integrantes sem antecedentes criminais à Ucrânia. O objetivo seria fazer esses homens adquirirem conhecimento militar e repassarem a outros membros da facção.
Fontes policiais ouvidas pelo Metrópoles afirmaram que um traficante que viajou ao país recebeu capacitação tática, com treinamento para o uso operacional de drones. Após retornar ao Brasil, ele se reuniu com integrantes do CV no Complexo do Alemão, na área do traficante Pezão.
No Complexo do Alemão, criminosos realizaram testes com drones agrícolas, equipamentos capazes de sustentar até 80 kg e que podem transportar armas ou explosivos. Serviços de inteligência do estado flagraram a atividade.
O analista Sandro Teixeira, professor da Escola do Comando e Estado-Maior do Exército do Brasil (Eceme), afirmou que o fenômeno não se limita à Ucrânia. “Para além da Ucrânia, grupos terroristas na África que têm relações com grupos criminosos na América Latina, inclusive com facções, também utilizam essa tecnologia. Nós não podemos colocar tudo na conta da Ucrânia”, disse.
Teixeira afirmou que as forças de segurança brasileiras terão de responder ao avanço desse tipo de equipamento. “Como esses grupos têm feito experimentações, nós vamos ver esse cenário, assim como uma adaptação por parte das forças de segurança no Brasil para criar medidas anti-drones”, acrescentou.
A Polícia Civil do Rio criou a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (COANT) para monitorar drones usados por criminosos. Em nota, a corporação informou que delegacias distritais e especializadas fazem diligências para mapear o uso desses equipamentos em ações ligadas ao tráfico de drogas e a ataques contra forças de segurança.
O Rio registrou ao menos dois incidentes recentes com drones operados por facções. Em outubro de 2025, durante a megaoperação no Complexo da Penha, criminosos lançaram granadas contra policiais; em março, explosivos foram arremessados contra militares na comunidade Vila Sapê, em Curicica.
A Polícia Militar do Rio também adota medidas para conter equipamentos usados por criminosos e blindar drones institucionais empregados em operações. No ano passado, agentes apreenderam dois bloqueadores de sinal de drones em ações nos bairros de Acari e Brás de Pina, na zona norte; em um deles havia o Tryzub, símbolo ucraniano usado como emblema oficial de armas do país europeu.
O Itamaraty informou que 22 brasileiros que se juntaram às forças da Ucrânia morreram até agora na guerra. Outros oito brasileiros que lutavam pela Rússia também morreram nos combates, de acordo com dados da diplomacia brasileira.
Diplomatas ucranianos afirmaram, sob reserva, que a cooperação entre autoridades brasileiras e Kiev ainda não basta para conter o ingresso de criminosos do Brasil na guerra. O Itamaraty enviou alerta consular sobre os riscos da participação de brasileiros em conflitos armados em terceiros países, mas não informou se trabalha com a Ucrânia para impedir a viagem de suspeitos de ligação com facções; a Polícia Federal não respondeu aos questionamentos até a publicação da reportagem.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/faccoes-usam-tatica-da-guerra-da-ucrania-para-lancar-bomba-com-drone-no-rio/

