Tarifas de Trump atingem exportações de 20 estados

Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump lado a lado. Foto: Reprodução

A sobretaxa de 25% sobre importações brasileiras anunciada pelos Estados Unidos na quarta-feira (15) amplia a pressão sobre a indústria nacional e se soma ao pacote tarifário adotado pelo governo Donald Trump desde março de 2025. Com informações de Metrópoles.

Dados da balança comercial do primeiro semestre de 2026, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), indicam que 20 das 27 unidades da Federação registraram queda nas exportações para os Estados Unidos em relação ao mesmo período de 2025.

Desde março de 2025, as vendas brasileiras ao mercado norte-americano recuaram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões. A retração atingiu com mais força os bens industriais, que tiveram queda de 8,7%.

Entre os produtos industriais mais afetados estão semimanufaturados de ferro e aço, ferro fundido bruto, pasta química de madeira não conífera, óleos de petróleo e semimanufaturados de outras ligas de aço. Mesmo com o recuo, os Estados Unidos seguem como principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira.

Soja. Foto: Divulgação/Confederação Nacional da Agropecuária

Quedas por estado e dependência do mercado americano

São Paulo, responsável por 17,1% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano, registrou queda de 4,3% no semestre. Também houve retração em Minas Gerais (-18,9%), Espírito Santo (-19,2%), Rio Grande do Sul (-22,6%), Santa Catarina (-32,9%), Paraná (-32,9%) e Bahia (-14%).

A região Norte concentrou algumas das maiores quedas proporcionais. Seis dos sete estados registraram retração nas vendas aos Estados Unidos, com perdas no Acre (-62,8%), Tocantins (-52,1%), Rondônia (-49,1%) e Amapá (-41,2%). O Pará, principal exportador da região para o mercado norte-americano, caiu 31,4%, enquanto o Amazonas recuou 2,6%.

Os dados também apontam forte dependência de alguns estados em relação aos Estados Unidos. Em Sergipe, 52,3% de tudo o que o estado exportou no primeiro semestre teve como destino o mercado norte-americano. No Ceará, a fatia foi de 33,4%; no Espírito Santo, de 27,5%; e, em São Paulo, de 17,1%. “O cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

A nova tarifa entra em vigor na quarta-feira (22) e alcança cerca de 4 mil produtos brasileiros. A lista inclui setores como madeira, produtos químicos, minerais não metálicos, alimentos, papel e celulose, máquinas e equipamentos, além de itens como maquinário agrícola, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem, componentes de borracha para veículos, calçados, vestuário, etanol, açúcar orgânico e molduras de madeira.

A medida manteve mais de 2 mil códigos tarifários fora da sobretaxa. Entre os produtos isentos estão café, carne bovina, mel orgânico, açaí, laranja, ferro-gusa, hidróxido de alumínio, aeronaves e peças aeronáuticas, terras raras, sucata de aço e determinados produtos energéticos.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que vai acionar instrumentos da Lei de Reciprocidade, que autoriza o Brasil a retaliar ou aplicar sobretaxas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais unilaterais. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse na quinta-feira (16) que o governo prepara apoio aos setores mais afetados, com alternativas como linhas de crédito para exportadoras e ações de promoção comercial para diversificar mercados. No documento da sobretaxa, Washington afirmou que “ações do Brasil que aumentem o ônus ou a restrição ao comércio dos EUA” podem indicar que a tarifa atual “não é suficiente”.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tarifaco-de-trump-ja-atingem-exportacoes-de-20-estados-brasileiros-diz-cni/