Milei faz tour no Brasil para socorrer Flávio Bolsonaro

O presidente da Argentina, Javier Milei, desembarca no Brasil nesta sexta-feira (24) sem agendas oficiais previstas com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O foco da viagem é a participação na convenção nacional do Partido Liberal (PL), no sábado (25), em São Paulo, ato que oficializará a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

A entrada de um chefe de Estado estrangeiro no processo eleitoral brasileiro ocorre em um momento de rearranjo de forças na direita nacional. A decisão do mandatário argentino de viajar ao país para participar do evento partidário foi antecipada com exclusividade pela Revista Fórum em 10 de julho.

Após a declaração de inelegibilidade de Jair Bolsonaro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o PL tenta consolidar o nome do senador fluminense. A candidatura, no entanto, enfrenta resistências internas. A presença de Javier Milei no Brasil é defendida por alas do partido, segundo relatos colhidos pela agência Reuters, como uma estratégia prática para mobilizar a base ideológica e tentar evitar a dispersão do eleitorado conservador para outros possíveis candidatos do mesmo campo político.

A agenda de Javier Milei no Brasil e o histórico da aliança

A aproximação institucional entre Milei e a família Bolsonaro antecede o período de convenções partidárias. Em 29 de junho, o líder argentino recebeu o senador em Buenos Aires, sinalizando apoio ao seu projeto eleitoral. O encontro foi incluído na agenda oficial da Presidência da Argentina.

A estratégia repete o roteiro de julho de 2024. Naquele mês, Milei declinou da cúpula do Mercosul para participar da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) em Balneário Camboriú (SC). Na ocasião, o argentino reuniu-se com Jair Bolsonaro e governadores de oposição ao Palácio do Planalto, fortalecendo uma rede de contatos que agora baseia sua atuação na eleição presidencial brasileira.

Encontro com Tarcísio no Palácio dos Bandeirantes

Além do palanque da legenda liberal, o roteiro inclui conversas com outras lideranças paulistas. Conforme mostrou a Fórum, o argentino terá uma reunião com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O encontro insere Milei nas conversas com os dois principais polos da direita atual. Tarcísio atua como anfitrião no estado, mas também é apontado publicamente por alas do próprio PL e do partido Republicanos como uma alternativa para o Planalto. Esse cenário confere à reunião no Palácio dos Bandeirantes um peso estratégico na articulação de apoios para o pleito.

STF cita restrições cautelares e barra visita a Jair Bolsonaro

O roteiro original planejado pelo PL previa um encontro presencial com Jair Bolsonaro, mas a articulação foi impedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes rejeitou o pedido da defesa do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar e está submetido a medidas cautelares severas, incluindo a retenção de seu passaporte e a proibição de contato com outros investigados.

Em sua decisão, Moraes argumentou que a reunião seria incompatível com as restrições judiciais impostas, destacando o caráter político-eleitoral que o encontro assumiria na véspera da convenção. A negativa impediu que o partido utilizasse a imagem conjunta de Milei e Jair Bolsonaro na largada da campanha de Flávio Bolsonaro, limitando a transferência de capital político à presença do argentino no palco em São Paulo.

O modelo econômico argentino no debate político

Ao atrelar a imagem da direita brasileira à Casa Rosada, parlamentares bolsonaristas têm utilizado a agenda econômica do país vizinho como vitrine política. Desde que assumiu, o governo argentino aprovou a chamada “Lei Bases” e implementou um programa focado em cortes de subsídios públicos e na redução da máquina estatal.

Essas medidas resultaram em embates com o funcionalismo público e geraram mobilizações de rua, como as recentes greves e protestos de setores universitários e centrais sindicais contra vetos a reajustes. Apesar das paralisações, dirigentes do PL têm citado frequentemente o ajuste fiscal argentino como contraponto às políticas do atual governo brasileiro em discursos no Congresso.

Ao priorizar a convenção partidária e o encontro com Tarcísio de Freitas, a passagem de Javier Milei no Brasil se restringe a agendas com aliados políticos. Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e a Embaixada da Argentina não confirmaram nenhuma reunião bilateral ou compromisso oficial com representantes do governo federal durante a estadia do mandatário no país.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/milei-tourl-flavio-bolsonaro/