Nova pesquisa Datafolha acende alerta na campanha de Flávio Bolsonaro

O Datafolha vai entrar em campo para medir o cenário da corrida presidencial de 2026 em um momento de pressão sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de melhora nos indicadores eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento, encomendado pela Folha da Manhã, testa cenários com Lula, Flávio Bolsonaro e outros nomes da disputa.

A pesquisa ouvirá 2.004 eleitores presencialmente em todo o país, entre a próxima quarta (17) e sexta-feira (19), com margem de erro de dois pontos percentuais. Registrado no Tribunal Superior Eleitoral no sábado (13), o levantamento, que será divulgado na própria sexta, também mede aprovação do governo Lula, percepção dos brasileiros sobre a economia, segurança pública, costumes e a influência de Donald Trump na decisão de voto.

Datafolha mede corrida presidencial de 2026

O levantamento foi encomendado ao custo de R$ 307,6 mil. A coleta presencial, com eleitores distribuídos pelo país, coloca a pesquisa entre as mais relevantes do atual ciclo pré-eleitoral.

Além da disputa presidencial, o questionário busca captar o humor do eleitorado em relação ao governo, à situação econômica do país e à própria vida financeira dos entrevistados. A amplitude dos temas indica que o Datafolha mira não apenas a fotografia eleitoral, mas também o ambiente político que deve moldar a disputa de 2026.

Lula e Flávio Bolsonaro

O questionário começa com a pergunta espontânea, em que o eleitor diz em quem pretende votar sem que nenhum nome seja apresentado. Em seguida, os entrevistados respondem à estimulada, com uma lista de treze nomes: Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Joaquim Barbosa, Augusto Cury, Hertz Dias, Rui Costa Palmeira, Ciro Gomes, Samira Martins, Cabo Daciolo e Aécio Neves.

O levantamento também mede rejeição, perguntando em quais candidatos o eleitor não votaria de jeito nenhum.

Em relação à rodada anterior do Datafolha, divulgada em 22 de maio, houve mudanças na lista estimulada. Joaquim Barbosa e Aécio Neves entraram no questionário, enquanto Michelle Bolsonaro deixou o cenário de primeiro turno. A ex-primeira-dama havia sido testada anteriormente em meio ao impacto do caso Dark Horse, quando seu nome apareceu como alternativa a Flávio Bolsonaro.

Apesar de sair da estimulada de primeiro turno, Michelle segue presente em cenários de segundo turno. A pesquisa testa confrontos de Lula contra Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema.

Fator Trump, economia e segurança pública

O levantamento também inclui um bloco sobre a influência de fatores externos na eleição brasileira. O questionário pergunta se o apoio de Donald Trump a algum candidato teria impacto no voto dos brasileiros.

O tema ganhou força após a crise comercial aberta pelas novas tarifas anunciadas por Washington. A pesquisa também avalia a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas e investiga a percepção do eleitorado sobre eventual influência de Flávio Bolsonaro nesse processo.

O Datafolha ainda aborda segurança pública, posse de armas, pena de morte, uso de drogas, posicionamento ideológico dos entrevistados e impacto da inteligência artificial na sociedade.

Alerta para Flávio Bolsonaro

A última pesquisa Datafolha, divulgada em 22 de maio, mostrou Lula vencendo Flávio Bolsonaro no segundo turno por 47% a 43%. Desde então, outros institutos passaram a registrar melhora do presidente e dificuldades crescentes para o senador do PL.

A Quaest, divulgada em 10 de junho, apontou Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 29% no primeiro turno, uma diferença de dez pontos percentuais. No segundo turno, Lula apareceu com 44% contra 38% de Flávio, com avanço de dois pontos do presidente e queda de três pontos do senador em relação à rodada anterior.

O movimento também apareceu em outros levantamentos. A Real Time Big Data mostrou Lula com 45% contra 40% de Flávio no segundo turno; a BTG Nexus registrou 47% a 43%; e a Meio/Ideia apontou 46,5% a 41,4%.

Embora as metodologias sejam diferentes e impeçam comparações diretas, o conjunto das pesquisas indica melhora de Lula e aumento da pressão sobre Flávio Bolsonaro. Um dado da Quaest reforça esse cenário: o grupo de indecisos subiu de 5% para 10%, sinal de que parte do eleitorado que se afastou do senador ainda não migrou para outro candidato.

O novo Datafolha deve ajudar a medir se o desgaste de Flávio Bolsonaro após o caso Dark Horse e os desdobramentos envolvendo o Banco Master persiste no eleitorado. Também deve indicar se a crise com os Estados Unidos, incluindo tarifas e a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, já produz impacto mensurável na disputa presidencial.

A pesquisa chega em um momento em que a pré-campanha de 2026 deixa de girar apenas em torno de especulações e passa a se organizar em torno de disputas concretas de narrativa, rejeição e eleitorado.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/novo-datafolha-alerta-flavio/