Produtora que recebeu milhões para filme de Bolsonaro não existe em endereço nos EUA

A cada dia que passa, desde o momento em que foi revelado o esquema entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, a produção em torno do filme “Dark Horse” fica mais obscura, com uma série de pontas soltas e contradições propagadas pelos próprios envolvidos na execução da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O novo capítulo dessa trama foi revelado pela reportagem do ICL, que foi até o endereço da Go Up Entertainment nos EUA e simplesmente não encontrou nada no local indicado no portal da empresa.

A repórter do ICL também conversou com pessoas que trabalham nos estúdios vizinhos ao suposto endereço da produtora de “Dark Horse”, e todas foram uníssonas: nunca ouviram falar da Go Up Entertainment. Confira no vídeo abaixo:

https://x.com/demori/status/2055405561760387110

Flávio Bolsonaro admite que podem surgir novos áudios e vídeos com Vorcaro

O senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, declarou nesta sexta-feira (15), durante entrevista à CNN Brasil, que “podem surgir novos áudios e vídeos com Daniel Vorcaro”. Como tem dito repetidamente, Flávio afirmou que todos os encontros e conversas foram “única e exclusivamente” para tratar da cinebiografia de seu pai, “Dark Horse”.

“Não há nada de ilegal nos meus contatos com este senhor Daniel Vorcaro. Podem surgir novas conversas, algum videozinho mostrando o estúdio que eu possa ter enviado para ele, algum encontro que eu possa ter tido com ele… foi tudo sempre pra tratar essencialmente, tão somente e exclusivamente do filme. Não tenho nada a esconder. Não vai ter surpresinha, não virão coisas novas […] não é que os vazamentos podem falar alguma coisa, os vazamentos foram feitos, estão aí. O que acharam de irregular? Nada. E não vão achar porque não tem nada. Estou muito tranquilo em relação a isso.”

Em seguida, a bancada de jornalistas do canal questionou o senador sobre quantas vezes ele se encontrou com Vorcaro. Flávio não soube responder: “Eu não sei te precisar quantas vezes foram, mas foram poucas vezes que eu encontrei com ele.”

Flávio Bolsonaro após R$ 61 milhões de Vorcaro: “Não tenho que justificar nada a ninguém”

Em meio ao avanço de investigações sufocantes e ao clamor público por esclarecimentos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou uma postura de confronto e absoluto desdém com a opinião pública nesta sexta-feira (15). Ao ser questionado sobre suas espantosas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e atualmente preso, que lhe “deu” R$ 61 milhões, o parlamentar de extrema direita disparou: “Não tenho que justificar nada para ninguém”.

A declaração, dada em tom ríspido, ocorre no momento mais crítico do escândalo Master. Na última quarta-feira (13), uma reportagem avassaladora do portal Intercept Brasil trouxe à tona áudios e mensagens de texto que implodiram qualquer tentativa de distanciamento entre o clã Bolsonaro e o operador financeiro criminoso. Nas gravações, Flávio trata o banqueiro intimamente como “irmão” e articula repasses de dinheiro para financiar Dark Horse), uma cinebiografia rocambolesca e de qualidade técnica bastante duvidosa sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fortuna sob investigação da PF

O montante que transitou nessas tratativas atinge a cifra colossal de R$ 61 milhões, pagos por Vorcaro ao senador por meio de uma empresa nos EUA. A Polícia Federal agora entra em campo para rastrear a rota capilar desses recursos. A principal linha de investigação da PF apura se essa fortuna, além de custear a peça de propaganda cinematográfica, foi ilegalmente utilizada para bancar a permanência e as atividades de Eduardo Bolsonaro, o deputado e filho “zero dois” no exterior.

Ao tentar se defender diante dos microfones, Flávio acumulou justificativas consideradas incomuns por analistas políticos, algumas até ridículas, como um “contrato de confidencialidade, que mascaram a gravidade de uma transação milionária sob o manto de um suposto e inacreditável “investimento de mercado”.

“Não tenho que justificar nada para ninguém. Foi uma época lá atrás, quando buscava investidor. Quando o Vorcaro era uma pessoa que circulava por todas as rodas, patrocinava eventos de várias emissoras de televisão, circulava perto de autoridades. Uma pessoa que era cortejada por todo o país. Ele topou fazer um investimento privado e não tem nada além disso”, alegou o senador.

A fala, contudo, sinaliza uma completa blindagem corporativa e a total ausência de intenção de prestar contas detalhadas aos eleitores e cidadãos brasileiros que o elegeram.

Agenda pública como escudo

O palco escolhido por Flávio Bolsonaro para romper o silêncio, sem, de fato, explicar o conteúdo dos áudios, foi uma agenda oficial de forte apelo à sua base eleitoral. O senador esteve no Quartel-General da Polícia Militar, no Centro do Rio de Janeiro, para participar da entrega de um robusto pacote de segurança: 342 capacetes balísticos, 904 fuzis e quatro viaturas blindadas. Os equipamentos foram adquiridos por meio de um convênio com o Ministério da Justiça, viabilizado por emendas parlamentares do próprio senador.

A estratégia de misturar agendas institucionais de segurança pública com a defesa de escândalos pessoais ficou evidente pelas companhias presentes. Flávio estava ladeado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas, que desponta nos bastidores do PL como um dos nomes cotados para disputar o Palácio Guanabara nas próximas eleições. O uso político do evento tentou, sem sucesso, ofuscar a gravidade das manchetes do dia.

Tamanho do rombo no Banco Master

Enquanto o senador minimiza a parceria e classifica Vorcaro como um mero “empresário cortejado”, a realidade dos fatos desenha um cenário muito mais sombrio. Daniel Vorcaro encontra-se preso preventivamente em Brasília, sob a acusação da Polícia Federal de chefiar uma organização criminosa responsável por um esquema bilionário de fraudes financeiras e desvios que, segundo as primeiras projeções do inquérito, podem alcançar a marca astronômica de R$ 12 bilhões. Se considerados os prejuízos secundários, a fraude pode ter gerado até R$ 60 bilhões de prejuízos.

O avanço das investigações coloca o mandato do senador fluminense sob forte pressão e ameaça paralisar as articulações da oposição no Congresso Nacional. Diante de cifras tão estratosféricas e de áudios tão explícitos, o “não devo satisfações” de Flávio Bolsonaro reverbera menos como uma postura de inocência e mais como um preocupante sinal de isolamento político.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/produtora-que-recebeu-milhoes-para-filme-de-bolsonaro-nao-existe-em-endereco-nos-eua/