PSDB e PSD pagaram R$ 1,1 milhão a empresa ligada à “rainha do pó”

O PSDB Nacional e o PSD de Minas Gerais pagaram pelo menos R$ 1,1 milhão à CNM Aviação, empresa de táxi aéreo de Juliana Costa Nobre Magalhães, denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF) por suposta atuação na quadrilha de Karine Campos, chamada pela polícia de “rainha do pó”.

A informação foi publicada inicialmente pelo site Metrópoles, com base em registros do repositório de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo a apuração, os pagamentos foram feitos em 2022 e 2023 por duas legendas registradas no TSE, o PSDB e o PSD.

PSDB e PSD pagaram CNM Aviação em ano eleitoral

Do total, R$ 551,7 mil foram desembolsados pelo PSDB Nacional. Outros R$ 555,4 mil foram contratados pelo PSD de Minas Gerais.

No caso do PSDB, os gastos ocorreram em abril e maio de 2022, quando a legenda era presidida pelo ex-deputado federal Bruno Araújo. Já as despesas do PSD mineiro se concentraram entre maio e setembro de 2022, durante o período eleitoral, além de uma nota de R$ 22,2 mil em junho de 2023.

A revelação atinge o PSD mineiro em meio ao reposicionamento da sigla para 2026 no estado. A Fórum mostrou o acordo entre Gilberto Kassab e Romeu Zema em Minas Gerais, peça central nas articulações da direita para a sucessão estadual e presidencial.

Juliana Costa Nobre foi citada pelo MPF como “gerente-executiva”

A CNM Aviação foi aberta por Juliana Costa Nobre Magalhães em 2021. Ela é irmã de Leonardo Costa Nobre, apontado por investigadores como uma das lideranças do grupo investigado na Operação Flight Level, da Polícia Federal, que apura uma suposta quadrilha dedicada ao envio de cocaína para a Europa.

Na denúncia de 2023, segundo a publicação, o MPF atribuiu a Juliana o papel de “gerente-executiva” da organização criminosa de Karine Campos. O caso tramita na Justiça Federal em Minas Gerais.

O MPF afirma, ainda de acordo com a apuração, que Juliana teria assumido a gestão de negócios ilícitos depois da prisão do irmão, Leonardo Costa Nobre, e de André Eleutério, apontados como lideranças do grupo. A denúncia também diz que ela teria usado documentos falsos e criado empresas fraudulentas.

CNM Aviação ocupava hangar associado a apreensão em Lisboa

A CNM Aviação ocupa o mesmo hangar que antes era usado pela BHZ Táxi Aéreo, firma ligada a Leonardo Costa Nobre. Em 2020, quando o espaço era operado pela BHZ, 175 kg de cocaína foram apreendidos no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, segundo a apuração.

A denúncia do MPF não significa condenação. O ponto central revelado pelos registros eleitorais é que dinheiro declarado por dois partidos relevantes, incluindo despesas do período eleitoral de 2022, foi pago a uma empresa cuja dona foi posteriormente denunciada como personagem operacional de uma organização investigada por tráfico internacional de cocaína.

Eros Biondini e Chiara Biondini também aparecem nos pagamentos

A lista de contratações da CNM Aviação também alcança campanhas ligadas ao clã Biondini, em Minas Gerais. Segundo a apuração, a empresa emitiu nota de R$ 14,7 mil para a campanha do deputado federal Eros Biondini (PL-MG) em 2022 e outra de R$ 14,1 mil para a filha dele, a deputada estadual Chiara Biondini (PL-MG).

O dado amplia o alcance político do caso para além dos diretórios do PSDB e do PSD. Eros é deputado federal por Minas Gerais. Chiara, segundo a própria Assembleia Legislativa de Minas Gerais, estreou na política tendo o pai como principal referência pública.

A menção aos parlamentares diz respeito a pagamentos eleitorais registrados pela empresa e não significa acusação criminal contra Eros ou Chiara Biondini. A denúncia do MPF citada no caso tem como alvo Juliana Costa Nobre Magalhães e a suposta organização ligada a Karine Campos, a “rainha do pó”.

PSDB e PSD dizem que contratação estava regular

Ao site Metrópoles, o PSDB afirmou que a empresa tinha CNPJ ativo, autorização para operar e apresentou a documentação exigida para a prestação do serviço, incluindo certificados, seguros e licenças. A legenda disse que os serviços foram comprovados à Justiça Eleitoral e que não mantém vínculo com a empresa.

O PSD declarou que desconhecia as investigações no momento da contratação. Segundo o partido, houve análise do CNPJ e dos demais dados da empresa antes do contrato, sem identificação de irregularidade à época.

Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/psdb-psd-rainha-do-po/