O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou, nesta terça-feira (21), que o Partido Liberal mantém Michelle Bolsonaro como candidata ao Senado e tem interesse em sua postulação.
A declaração foi feita após reunião com Flávio e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para discutir os preparativos da convenção nacional, e ocorre em meio a uma crise pública entre Michelle e o enteado que ainda não foi recomposta.
Porém, Marinho foi direto ao ponto quando questionado sobre a situação de Michelle no partido: “Até agora ela é candidata ao Senado. O partido tem interesse na candidatura dela”.
O senador foi além e qualificou a ex-primeira-dama como um “quadro extremamente importante” para a legenda, com peso eleitoral que transcende o Distrito Federal, onde ela seria candidata, e alcança o país inteiro.
Apesar da bajulação, ao usar a expressão “até agora”, Marinho não fecha a porta para mudanças, mas sinaliza que, do ponto de vista da direção partidária, Michelle segue nos planos.
O PL aposta no capital político da ex-primeira-dama junto ao eleitorado bolsonarista para fortalecer sua presença no Senado.
Convite para convenção e crise interna
Michelle foi formalmente convidada para a convenção nacional do PL, que oficializará a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro. Marinho foi enfático ao dizer que “será um prazer recebê-la”, mas a retórica do convite contrasta com a realidade política que o próprio partido reconhece nos bastidores.
De acordo com apuração de O Globo, dirigentes do PL já trabalham com a possibilidade concreta de Michelle não comparecer ao evento.
Além disso, interlocutores da ex-primeira-dama afirmam que ela ainda não tomou uma decisão definitiva, mas consideram sua presença improvável diante do distanciamento que persiste desde a crise pública entre os dois.
A ruptura entre Michelle e Flávio veio a público quando ela divulgou vídeos acusando o enteado de desrespeitá-la e de tentar reduzir seu espaço político dentro do bolsonarismo. Desde então, os dois não apareceram juntos em nenhuma ocasião pública.
Michelle também ficou fora do encontro com mulheres promovido pela pré-campanha de Flávio neste mês, e dirigentes do partido reconhecem, reservadamente, que a relação ainda não foi recomposta.
A declaração de Marinho, nesse contexto, funciona menos como um relato do estado real das coisas e mais como uma sinalização de que o partido não quer anunciar publicamente a ruptura antes que ela seja inevitável.
Negociações para chapa e alianças
Além da questão Michelle, Marinho deixou claro que a definição da candidata a vice de Flávio Bolsonaro segue em aberto e condicionada ao andamento das negociações com partidos do Centrão.
A ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, é hoje a principal cotada para compor a chapa, mas sua indicação depende do avanço das conversas com o Republicanos.
Integrantes da legenda, porém, advertem que uma eventual escolha de Daniella não significaria automaticamente o apoio formal do partido à candidatura presidencial do PL: a aliança está condicionada a acordos estaduais em Espírito Santo, Mato Grosso, Roraima e Minas Gerais.
O PL negocia também com o Podemos e tem até 5 de agosto, prazo final para o registro das candidaturas, para fechar a coligação.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/rogerio-marinho-michelle-candidata-senado/

