A tarifa adicional de 25% imposta pelo governo de Donald Trump aos produtos brasileiros entra em vigor à 1h01 desta quarta-feira (22). A Confederação Nacional da Indústria calcula que a cobrança atingirá US$ 11 bilhões em exportações, cerca de 26,2% das vendas do Brasil aos Estados Unidos, e reduzirá a competitividade de empresas nacionais em um dos principais mercados do país.
A medida foi adotada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense. Washington acusa o Brasil de prejudicar empresas dos Estados Unidos em áreas como pagamentos digitais, tarifas comerciais, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e fiscalização do desmatamento.
O documento final afirma que Donald Trump determinou pessoalmente a aplicação da sobretaxa. O governo estadunidense rejeitou alternativas como uma alíquota menor ou a manutenção das negociações sem punição comercial, por considerá-las menos eficazes para pressionar o Brasil a alterar suas políticas.

A tarifa alcança milhares de produtos, entre eles máquinas e equipamentos, calçados, vestuário, papel e etanol. Café, carne bovina, petróleo, suco de laranja, partes de aeronaves e outros itens importantes ficaram fora da cobrança. As exceções protegem produtos que os Estados Unidos não fabricam em quantidade suficiente ou cuja taxação poderia elevar custos para empresas e consumidores do próprio país.
As estimativas de prejuízo variam. A CNI e a Câmara Americana de Comércio para o Brasil calculam impacto próximo de US$ 11 bilhões, enquanto o governo brasileiro trabalha com uma projeção de US$ 5,8 bilhões. A diferença decorre do universo de produtos e dos valores de exportação considerados em cada levantamento.
O tarifaço chega quando o comércio bilateral já encolhe. As transações entre os dois países somaram US$ 36,4 bilhões no primeiro semestre, queda de 12,8%, com saldo de US$ 1,5 bilhão favorável aos Estados Unidos. A indústria brasileira também registra perdas anteriores: desde 2025, as vendas de bens industriais ao mercado estadunidense recuaram 8,7%.
O Brasil contesta as justificativas de Washington. O governo Lula afirma que o Pix não discrimina empresas estrangeiras, que as bandeiras estadunidenses de cartões ampliaram sua presença no país e que os índices de desmatamento vêm caindo. Empresários e autoridades brasileiras defendem a continuidade das negociações, mas a decisão de Trump mantém a sobretaxa enquanto o USTR avalia se o Brasil fará as mudanças exigidas pelos Estados Unidos..
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/tarifaco-de-trump-entra-em-vigor-e-ameaca-us-11-bilhoes-em-exportacoes-do-brasil/

