Sob pressão no Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) começa a cogitar a votação da PEC do fim da escala 6×1 como forma de desviar o foco da CPI do Master, após inúmeros entraves do projeto desde que foi aprovado na Câmara. Nos bastidores do Senado, ele voltou a sinalizar que pretende destravar a discussão na semana que vem. As informações são da coluna de Daniela Lima, do UOL, mas um detalhe chama atenção: a sinalização do presidente do Senado ocorre logo após a revelação do seu suposto envolvimento no caso Master.
A estratégia, segundo fontes entrevistadas pela colunista, seria seguiria o rito normal da Casa, enviando o texto à Comissão de Constituição e Justiça, presidida por Otto Alencar (PSD-BA), para análise da matéria já aprovada pela Câmara dos Deputados.
A revelação, pela revista Veja, de que o presidente do Senado teria recebido 30 milhões de dólares (o equivalente a R$ 155 milhões) de Daniel Vorcaro explica o grande acordo firmado com Flávio Bolsonaro (PL-RJ), antecipado pela Fórum em abril deste ano, para enterrar a CPI.
A negociata voltou à tona na noite da quarta-feira (29) com a manobra de Alcolumbre no Senado, que aprovou a toque de caixa pautas-bomba com custo fiscal estimado em até R$ 215 bilhões para causar impacto nas contas do governo e servir de discurso eleitoral para a campanha de Flávio Bolsonaro.
A ação é parte do grande acordo entre Alcolumbre e Flávio Bolsonaro que teve início com a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou o veto de Lula ao PL da Dosimetria e tenta enterrar a CPI do Master, que atinge o grupo político de ambos. Na mais recente tratativa, os dois senadores ainda acordaram em barrar a PEC do fim da Escala 6×1 e impor a proposta bolsonarista, que destrói lei trabalhista e foi remetida à toque de caixa por Alcolumbre à CCJ do Senado.
Na edição desta sexta-feira (12), antecipada na noite anterior, a revista Veja revelou o repasse milionário a Alcolumbre que constaria na segunda tentativa de acordo para delação premiada do banqueiro, que foi rejeitada pela Polícia Federal (PF), que notificou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (11).
Os 30 milhões de dólares pagos a Alcolumbre por Vorcaro teriam sido depositados em uma conta secreta no exterior e repassados ao presidente do Senado pelo apoio dado a uma demanda de interesse do dono do Banco Master, em transação que foi operada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
A soma é superior aos 24 milhões de dólares prometidos pelo banqueiro ao clã Bolsonaro supostamente para financiar o filme Dark Horse, que conta a narrativa da ultradireita sobre Jair Bolsonaro (PL). Desse montante, cerca de 10 milhões de dólares (cerca de R$ 61 milhões) teriam sido enviados ao fundo Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos EUA.
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Segundo essa matéria da Fórum, no início do ano legislativo, após Lula vetar o PL da Dosimetria em ato simbólico no 8 de Janeiro, Alcolumbre se aproximou de Flávio Bolsonaro (PL) e iniciou as negociações que, em princípio, trocariam os votos necessários para barrar Messias no Senado pela retomada da “anistia” a Bolsonaro, que já se encontrava devidamente preso.
O escândalo financeiro no Caso Master, no entanto, ampliou a negociata. A ampla rede de relacionamentos de Daniel Vorcaro, que vai do “amigo da vida” Ciro Nogueira (PP-PI) à contratação do escritório de Viviane Barci de Moraes, passando pela rede de influência do próprio presidente do Senado e do financiamento da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas (Republicanos), capitalizou o poder de barganha.
O avanço das investigações sobre a Faria Lima – que se estende a facções criminosas já conhecidas, como o Primeiro Comando da Capital, o PCC – causou “pânico em Brasília”. E foi ai que Alcolumbre resolveu ampliar o acordão com Flávio Bolsonaro, colocando no pacote o travamento da CPI do Master, que colocaria o escândalo financeiro em evidência em plena campanha eleitoral.
Assim como Flávio Bolsonaro e Alcolumbre, Moraes não tem interesse que o caso Master, que começa a sumir das manchetes, voltasse à tona com uma CPMI no Congresso. Foi, então, que o presidente do Senado selou a imprevista união, distribuindo favores e promessas, típicos de sua postura, tanto a Moraes, quanto a Flávio Bolsonaro, segundo a reportagem.
Com Flávio Bolsonaro, Alcolumbre manteve o acordo sobre a derrubada do veto da dosimetria, em troca dos votos para barrar Messias. E ampliou a tratativa, oferecendo uma ponte com Moraes e o STF, que será agora o responsável por “dosar” a pena, como relator do caso – ou seja, para calcular em quanto tempo a sentença de 27 anos e 3 meses de Bolsonaro será reduzida.
Ainda segundo a matéria, a adesão ao acordo também beneficia a fantasia de “moderado” de Flávio Bolsonaro, que vai usar a aproximação com o próprio Moraes para se mostrar como “o pacificador” à Faria Lima e à mídia liberal, além dos quadros do Centrão e da burguesia paulista, onde Michel Temer ainda tem influência. Em troca, Flávio Bolsonaro teria se comprometido a atuar em prol de um novo mandato de Alcolumbre na Presidência do Senado, caso vença Lula e assuma o Planalto em 2027.
Alcolumbre fala em “honra” ao dizer que “não recebeu” dólares de Vorcaro
Em uma nota publicada nesta quinta (11), Davi Alcolumbre negou ter recebido dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro e classificou as acusações como “falsas”. Em defesa, o presidente do Senado falou em “trajetória pública” e “honra” diante das acusações. “O senador Davi Alcolumbre jamais recebeu valores, no Brasil ou no exterior. Diante da gravidade das acusações e dos danos causados à sua honra e à sua trajetória pública, serão adotadas todas as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, para que os responsáveis pelas acusações respondam por suas afirmações e apresentem as provas que dizem possuir”, afirma a nota.
Desde que saiu da Câmara, o projeto do fim da escala 6×1 segue travado no Senado. Na terça-feira (9), Alcolumbre cancelou uma reunião com Otto Alencar (PSD-BA), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que havia viajado especialmente para o encontro. O cancelamento, comunicado pela secretária de Alcolumbre quando Alencar já estava a caminho da residência oficial, deixou o senador baiano “bastante irritado” e aprofundou o impasse em torno da PEC que propõe o fim da escala 6×1, aprovada pela Câmara em maio e ainda parada na mesa diretora do Senado.
Aprovada pela Câmara em 27 de maio, a PEC ainda não foi despachada por Alcolumbre para a CCJ, etapa exclusiva do presidente do Senado. Sem o despacho, a comissão não pode designar um relator, e sem relator a proposta não pode ser pautada. Alcolumbre já havia afirmado publicamente “não ter pressa” para analisar o texto.
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Nos bastidores, Hugo tem criticado a demora de Alcolumbre em dar andamento ao texto. Antes da aprovação da matéria pela Câmara, o senador havia sinalizado apoio à tramitação, mas posteriormente afirmou que não aceitaria pressões para acelerar o processo.
Enquanto isso, o Palácio do Planalto busca deixar a proposta pronta para votação no Senado. Integrantes do governo avaliam que, caso Alcolumbre impeça o avanço do projeto, partidos como PT e PSOL deverão intensificar campanhas nas redes sociais responsabilizando o Congresso pelo bloqueio da pauta.
Mesmo diante da possibilidade de a proposta não ser votada, aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva consideram que o fim da escala 6×1 pode continuar sendo um tema relevante para a estratégia eleitoral do governo nos próximos anos.
O presidente da Câmara mostrou resistência em avançar com a votação do projeto de renegociação de dívidas rurais, aprovado pelo Senado na quarta-feira (10). Antes mesmo da votação, Davi Alcolumbre (União-AP) havia ligado para Motta para questionar se o projeto seria colocado em pauta na Câmara. O deputado paraibano não deu garantias, alegando desconhecimento do texto e citando que a Câmara só havia votado proposta semelhante em 2025 devido a benefícios concedidos a agricultores afetados por enchentes no Rio Grande do Sul.
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Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/sob-pressao-no-caso-master-alcolumbre-pode-liberar-votacao-do-fim-da-escala-6×1/

