Após ultimato de Carlos Bolsonaro, Valdemar vai aos EUA atrás de aval de Eduardo

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, viaja aos Estados Unidos entre 19 e 22 de abril em uma operação política de emergência. A ida de Valdemar já estava na agenda para tratar de articulações em São Paulo, mas ganhou caráter decisivo e urgente após a explosão de uma nova crise no PL.

A pressão sobre o dirigente atingiu o ápice após uma cobrança pública de Carlos Bolsonaro. Em publicação no X, o vereador disparou um alerta direto: “Valdemar, me ajude a te ajudar, antes que seja tarde… pelo amor de Deus!”

O recado escancarou o nível de tensão entre a família Bolsonaro e o comando da legenda.

Crise no PL afeta o aval para André do Prado

A pauta central do encontro com Eduardo Bolsonaro nos EUA é a disputa por uma vaga ao Senado por São Paulo. O presidente da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), André do Prado, tenta viabilizar seu nome na chapa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas.

O aval de Eduardo é visto no partido como a única forma de selar o acordo e conter a resistência da ala mais ideológica. Como a Fórum já mostrou, a disputa pela cadeira ao Senado acirrou os ânimos na direita paulista. A missão de Valdemar, portanto, é dupla: garantir a bênção para André do Prado e provar que ainda detém o controle da engrenagem partidária.

  • Mudança de rota: O que era uma viagem de articulação política transformou-se em missão de contenção de danos para o partido.
  • Pressão nas redes: O ultimato público de Carlos Bolsonaro indicou perda de paciência do núcleo duro do bolsonarismo com a presidência da sigla.
  • Guerra em SP: André do Prado tem a simpatia de Tarcísio, mas depende do sinal verde de Eduardo para unificar a base e isolar adversários.

A sombra de José Dirceu

A irritação pública de Carlos e a escalada da tensão coincidem com o mal-estar gerado por avaliações recentes de Valdemar. Nos bastidores, o presidente da sigla previu que o ex-ministro José Dirceu será eleito deputado federal por São Paulo em 2026 com facilidade, estimando uma votação na casa dos 500 mil votos.

A declaração irritou profundamente o núcleo bolsonarista. A leitura de que o dirigente gasta energia projetando a força eleitoral de um nome histórico da esquerda, enquanto a própria base lida com indefinições e fogo amigo, serviu como estopim. Agora, Valdemar precisará usar a ida aos EUA para apaziguar os ânimos e tentar estancar a sangria antes das definições de 2026.

Fonte: https://revistaforum.com.br/revista-forum/valdemar-eua-crise-no-pl/