O ministro Cristiano Zanin, do STF, prorrogou o horário de votação até as 19h no segundo turno do último domingo, atendendo a pedidos das campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro. Levantamento do site G1, baseado nos logs das urnas eletrônicas, identificou que apenas 35.521 votos foram registrados após as 17h, número que representa 0,8% da diferença de mais de 4 milhões de votos com que Lula venceu a eleição. Mesmo assim, Flávio Bolsonaro (PL) se recusou a reconhecer o resultado e acusou o Supremo de interferir no processo eleitoral.
A decisão do ministro Cristiano Zanin foi tomada após as duas campanhas apresentarem pedidos ao TSE e ao STF para estender o horário de votação. As justificativas incluíam problemas no transporte público e fortes chuvas em alguns municípios. A campanha de Lula foi além e acusou prefeitos de capitais, entre elas São Paulo e Salvador, de terem reduzido deliberadamente a frota disponível para a população no dia da eleição. Zanin determinou a extensão até as 19h em todo o país e, posteriormente, esclareceu que a medida se aplicava apenas às urnas que ainda estavam abertas no momento da decisão.
O impacto concreto dessa extensão, no entanto, foi marginal. Segundo os dados, apenas 35.521 votos foram registrados entre 17h e 19h em todo o país, e mesmo esse número pode incluir eleitores que já estavam na fila antes do horário original de encerramento. Lula venceu o segundo turno com 64,2 milhões de votos, com vantagem superior a 4 milhões sobre Flávio Bolsonaro. Os votos do período prorrogado equivalem a 0,8% dessa diferença, ou seja, a vantagem do presidente foi 125 vezes maior do que o total de votos computados após as 17h. A prorrogação, solicitada por ambas as campanhas, não alterou nem de longe a geometria do resultado.
Os números apresentados pelo g1 têm origem nos chamados logs de urna, arquivos gerados pelas urnas eletrônicas que registram todos os eventos ocorridos durante a votação, com marcação de horário para cada um deles. Esses registros documentam desde a abertura da seção até o encerramento da votação, passando por cada interação com o equipamento ao longo do dia.
A reação de Flávio Bolsonaro
Diante da derrota, Flávio Bolsonaro optou por não reconhecer o resultado e concentrou suas críticas na decisão de Zanin. Classificou a prorrogação como uma mudança indevida nas regras do jogo e acusou o Supremo de interferir nas eleições. “O ministro Zanin atropelou a Justiça especializada prorrogando as eleições por duas horas. Houve uma quebra total de isonomia entre brasileiros de diversos estados. Tem muita coisa que precisa ser feita antes de reconhecer esta sacanagem que ocorreu agora”, disse o candidato do PL. O argumento ignora um dado central: a própria campanha de Flávio Bolsonaro havia solicitado a extensão do horário de votação.
O isolamento da postura de Flávio ficou evidente pelo contraste com o restante do campo institucional. Os presidentes do STF, Edson Fachin, do TSE, Nunes Marques, do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, reconheceram o resultado da eleição. Líderes de outros países também parabenizaram Lula pela vitória, validando o processo eleitoral brasileiro perante a comunidade internacional. A contestação de Flávio Bolsonaro, portanto, ficou sem eco nas principais instâncias políticas e jurídicas do país.
A estratégia de Flávio Bolsonaro ao questionar a prorrogação segue um roteiro conhecido: eleger um elemento processual como ponto de contestação do resultado, independentemente de sua relevância numérica para o desfecho. O problema, neste caso, é que os dados são públicos e auditáveis.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/vantagem-de-lula-sobre-flavio/

