Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, será ouvido pela Polícia Federal no inquérito que apura possível corrupção de servidores do Banco Central durante a gestão de Roberto Campos Neto. O depoimento foi marcado para 20 de agosto e será realizado por videoconferência, porque o banqueiro está preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
A investigação apura a relação de Vorcaro com Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária da autoridade monetária. A informação sobre a intimação e a data do depoimento foi publicada inicialmente pela coluna de Igor Gadelha. O inquérito apura suspeitas de corrupção envolvendo Daniel Vorcaro e ex-servidores do Banco Central.
O procedimento tramita na Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores da PF e está sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Segundo a apuração, investigadores suspeitam que os dois servidores tenham prestado auxílio irregular ao controlador do Banco Master em troca de vantagens financeiras.
Vorcaro será questionado sobre mensagens com servidores do BC
As investigações indicam que Daniel Vorcaro manteve interlocução direta com Paulo Sérgio e Belline sobre a situação regulatória do Banco Master. Mensagens reunidas pela PF mostram discussões sobre reuniões, documentos e cobranças feitas pela própria autoridade monetária.
Em despacho sobre o caso, André Mendonça citou conversas nas quais o banqueiro solicitava orientações estratégicas para reuniões institucionais e para a elaboração de documentos que seriam apresentados ao Banco Central.
Paulo Sérgio teria orientado Vorcaro até mesmo sobre como se comportar em uma reunião com o presidente do BC. Naquele período, o comando da instituição estava nas mãos de Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro e mantido no cargo até dezembro de 2024.
A investigação também aponta que servidores teriam avisado antecipadamente Vorcaro sobre movimentações financeiras detectadas pelos sistemas de monitoramento do Banco Central. Os alertas poderiam permitir que o banqueiro preparasse respostas antes de questionamentos formais do órgão regulador.
PF apura propina e contratos simulados no Banco Central
Segundo a decisão judicial que embasou diligências da PF, Paulo Sérgio e Belline teriam atuado como consultores privados de Vorcaro para assuntos relacionados ao Banco Central. A suspeita é de que pagamentos tenham sido disfarçados por contratos de consultoria e intermediários.
Entre os episódios mencionados na investigação está o pagamento de despesas relacionadas a uma viagem de Paulo Sérgio à Disney. No caso de Belline, os investigadores identificaram um contrato com uma empresa de consultoria que teria sido usado para justificar transferências.
A apuração sustenta ainda que Belline revisava documentos e comunicações do Banco Master antes de o material ser encaminhado ao BC. Também são investigados encontros fora das dependências da autoridade monetária e contatos telefônicos que evitariam registros por escrito.
O Banco Central abriu uma sindicância interna e encontrou, segundo informações da investigação, evidências de evolução patrimonial incompatível com os rendimentos dos dois servidores. Ambos foram afastados durante a gestão do atual presidente da instituição, Gabriel Galípolo.
Gestão Campos Neto entra novamente no centro do caso Master
O novo depoimento amplia a pressão sobre a atuação do Banco Central durante a gestão de Campos Neto. A Fórum já revelou que o BC afirmou não ter encontrado ilegalidades no Master após receber um alerta da Polícia Federal.
O Banco Central decretou oficialmente a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025 e determinou a indisponibilidade dos bens de controladores e ex-administradores, entre eles Daniel Vorcaro.
As relações entre Vorcaro, Campos Neto e dirigentes da autoridade monetária também passaram a ser examinadas após a divulgação de reuniões realizadas antes do agravamento da crise do banco. A cobertura da Fórum mostrou os encontros e a pressão por esclarecimentos sobre a fiscalização do Master.
O inquérito citado na intimação apura a conduta dos servidores e a eventual atuação de Vorcaro no pagamento de vantagens indevidas. As informações disponíveis não indicam que Roberto Campos Neto seja investigado nesse procedimento específico.
A defesa de Vorcaro já declarou anteriormente que o empresário nega as acusações, afirma colaborar com as autoridades e confia que a investigação demonstrará a regularidade de sua conduta.
Fonte: https://revistaforum.com.br/politica/vorcaro-corrupcao-bc-campos-neto/

