A promessa de eficiência da privatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, defendida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), desmoronou na manhã desta quinta-feira (23). Apenas três dias após a concessionária Trívia Trens assumir integralmente a operação, uma explosão em uma composição da Linha 12-Safira interrompeu a circulação dos trens e mergulhou milhares de passageiros em mais um dia de caos.
É o terceiro dia consecutivo de falhas desde que a gestão das linhas deixou as mãos da CPTM e passou para a iniciativa privada, expondo as dificuldades da concessionária e colocando em xeque o principal argumento do governo paulista para justificar a privatização: a promessa de um serviço mais eficiente.
A Linha 11-Coral passou a operar parcialmente, entre Estudantes e Corinthians-Itaquera, enquanto a Linha 12-Safira, a Linha 13-Jade e o Expresso Aeroporto tiveram a circulação interrompida.
Sem conseguir normalizar a operação, a Trívia Trens acionou o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE), com 21 ônibus para atender os passageiros. A medida, porém, foi insuficiente diante da dimensão do problema.
Passageiros gravam momento da explosão de trem na Linha 12-Safira da Trivia, que gerou paralisação dos serviços da empresa em SP
Segundo Paulo Ferreira, diretor de operação da Trivia, um possível curto-circuito em um dos trens acabou desligando as subestações de energia que… pic.twitter.com/zzJTf855Ow
— Diário da CPTM (@DiariodaCPTM) July 23, 2026
Passageiros enfrentam cenas de abandono
O colapso ferroviário rapidamente se espalhou pelo restante da rede. Milhares de passageiros migraram para a Linha 3-Vermelha do Metrô, que passou a operar com plataformas lotadas mesmo após o reforço da frota e a abertura das integrações em Tatuapé e Corinthians-Itaquera.
As cenas registradas durante a manhã evidenciaram o tamanho da crise. Após a interrupção da circulação, passageiros precisaram abandonar os trens e caminhar pelos trilhos, em meio à escuridão, iluminando o caminho com lanternas de celulares. Em alguns trechos, funcionários acompanharam a evacuação; em outros, policiais militares precisaram ajudar os usuários a deixar a via férrea de forma improvisada.
Em São Paulo, primeiro dia de operação privatizada das linhas 11, 12 e 13 da CPTM. Assim está a estação do Brás. Um oferecimento: Tarcísio de Freitas, o canalha. pic.twitter.com/pDTfVhUPu9
— Sâmia Bomfim (@samiabomfim) July 22, 2026
Falhas ocorrem desde a estreia da concessão
Os problemas não são um episódio isolado. Desde que assumiu oficialmente a operação na terça-feira (21), a Trívia Trens acumula falhas praticamente diárias.
Na quarta-feira (22), passageiros enfrentaram atrasos nas linhas 11-Coral e 12-Safira. Plataformas lotadas, escadas rolantes paradas e lentidão marcaram mais um dia de transtornos. Na Linha 12, uma ocorrência iniciada às 8h52 só foi completamente resolvida durante a madrugada desta quinta-feira.
A própria concessionária informou que precisou realizar o desembarque assistido de passageiros na região da Estação Brás por razões de segurança. Mais tarde, comunicou que os trens circulavam com velocidade reduzida entre Tatuapé e Engenheiro Goulart devido a uma falha em equipamentos da via.
Privatização sob pressão
A Trívia Trens assumiu definitivamente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira, 13-Jade e do Serviço Expresso Aeroporto após um período de 60 dias de operação assistida, quando ainda contava com supervisão da CPTM.
A concessionária, controlada pelo grupo Comporte Participações, venceu o leilão promovido pelo governo Tarcísio de Freitas com a promessa de investir R$ 14,3 bilhões ao longo dos 25 anos de contrato, ampliar a capacidade do sistema, reformar estações, construir novas estruturas e reduzir o intervalo entre os trens.
Na prática, porém, os primeiros dias da concessão foram marcados por panes sucessivas, interrupções na circulação e passageiros submetidos a longos atrasos e situações de risco.
Os problemas ocorrem justamente em linhas que receberam investimentos bilionários da CPTM ao longo de décadas e já haviam passado por um amplo processo de modernização antes da transferência à iniciativa privada.
Dados recentes apontam ainda que, entre junho e julho, a Linha 12 registrou pelo menos 11 falhas operacionais, um aumento de 275% nas ocorrências.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/explosao-em-trem-escancara-o-fracasso-da-privatizacao-de-tarcisio/

