Em sua segunda edição, Casa Acaso recebe lançamento de Heranças de Orides Fontela, na Flip

 

Após estrear em 2025, a Casa Acaso retorna à Festa Literária Internacional de Paraty. A proposta curatorial dos encontros que o espaço promove entre os dias 22 e 25 de julho pretende fazer jus ao “acaso” que dá nome à casa, ao “se alimentar das configurações inéditas que só a convergência da Flip permite, fazendo do imprevisto a nossa própria engrenagem”, conforme destaca Julie Fank, escritora e criadora da Esc. Escola de Escrita de Curitiba.

Julie Fank assina a curadoria da casa ao lado do escritor e jornalista Octávio Santiago, autor de Só sei que foi assim: A trama do preconceito contra o povo do Nordeste, lançado no ano passado pela Autêntica. Unindo a experiência da Esc. Escola de Escrita e da Ocupação Literária de Natal, do Rio Grande do Norte, encabeçada por Santiago, os dois curadores afirmam em conjunto a intenção de “descentralizar de fato o mapa da conversa literária”.

“A discussão que queremos sustentar não é apenas sobre onde a literatura nasce, mas sobre os caminhos que ela percorre para ser lida. Queremos interferir na dinâmica de Paraty tensionando esse debate, provocando cruzamentos improváveis que insistem em criar caminhos próprios inventando sua própria centralidade à revelia do mercado. Queremos reforçar a capacidade de fraturar o discurso oficial a partir de outros sotaques, outras geografias e outras formas de narrar”, afirmam

Com 29 atrações, entre mesas de debate, rodas de conversa, lançamentos de livros, leituras públicas e happy hours, a programação da casa reúne mais de 80 convidados em seu novo endereço no centro histórico de Paraty, na rua Comendador José Luiz, 278, próximo ao Largo do Rosário.

Para além de escritores, entre os nomes reunidos para a programação da casa, também figuram médicos, filósofos e jornalistas que debaterão as angústias que polarizam o mundo hoje: da perda da subjetividade para o algoritmo à inevitabilidade da morte; da confissão no papel à performance insustentável nas redes sociais.

O legado da poeta paulista Orides Fontela, homenageada da Flip deste ano, será o tema da mesa “O poema não perdoa, a filosofia talvez”. Promovida pela Revista Cult, a mesa acontecerá às 16h30 do sábado, 25, marcando também o lançamento do livreto Heranças de Orides Fontela, pela Editora Cult.

O evento, que contará com a participação de Patrícia Lavelle, Paulo Henriques Britto e Nathaly Felipe e mediação de Giovani Kurz, visa debater os limites entre fazer poético e investigação filosófica na obra da poeta.

No entanto, a força da poética oridiana não se restringe ao debate teórico na Casa acaso, como destacam Santiago e Fank; “ela ganha o corpo e a voz. Teremos um grande sarau aberto para celebrar o texto falado, conduzido por Dadá Coelho e com a presença de atores, atrizes e escritores — dos consagrados aos estreantes —, levando o poema grifado direto para a ponta da língua.”

Confira abaixo a programação completa da Casa Acaso na Flip:


QUARTA-FEIRA [22/07]

Oficina de Escrita Criativa: esboços, processos e rascunhos
com Julie Fank, Esc. Escola de Escrita

Uma imersão no laboratório da escrita. Trazendo a atmosfera das salas de aula da Esc. Escola de Escrita para o território da FLIP, este formato pocket propõe um olhar anatômico sobre o que vem antes do livro pronto: a rasura, o ensaio e o erro. Durante três horas, os participantes serão convidados a habitar suas próprias anotações e a investigar caminhos para sistematizar o processo criativo a partir de cadernos antigos, rascunhos esquecidos e esboços de novos projetos. Um chamado tátil para olhar para o rastro já deixado na página e descobrir a costura exata que transforma o fragmento em mundo. Ao longo de três horas de práticas e provocações, vamos passear pelas ideias em estado bruto e estruturar os bastidores de novos projetos literários.

são 20 vagas, a inscrição é gratuita e pode ser feita pelo seguinte link e é via processo seletivo: https://forms.gle/dY45fuAgMq33RdTp8 [os selecionados serão notificados via e-mail/ redes sociais no dia 17/07]

 


QUINTA-FEIRA [23/07]

9h30 – Nem sempre há perigo na esquina
com Henrique Rodrigues e Carlos Eduardo Pereira (mediação de Leo Gaede)

O que acontece do lado de fora sempre encontra um jeito de entrar na literatura. Henrique Rodrigues, autor de obras como Rua do Escritor e O próximo da fila, e Carlos Eduardo Pereira, de Agora Agora e Enquanto os dentes, conversam sobre como a cidade – palco de encontros e conflitos – e a vida cotidiana se transformam em matéria de ficção. Com mediação de Leo Gaede, autor de Um hospício pra chamar de meu, a mesa reflete sobre a relação entre experiência e invenção, mostrando que, muitas vezes, é nas ruas que os livros começam a ser escritos.

 

10h30 – Uns tais romances desobedientes REVISTA ODISSEU
com Vítor Kappel, Breno Botelho e S Ganef
mediação de Ewerton Ulisses Cardoso

Como conseguimos trazer novos ares e novas propostas para um gênero tão consolidado quanto o romance? Para pensar essa questão, convidamos três romancistas estreantes para apresentar seus projetos insubmissos de narrativas longas. S. Ganeff, Breno Botelho e Vítor Kappel contam como superar o medo da escrita e assumir a posição de romancista para escrever com liberdade e, principalmente, ousadia.

 

11h30 – A palavra me dá trabalho
com Julie Fank e Bruna Dantas Lobato
mediação de Alice Lima

Com a chancela de um doutorado em Escrita Criativa na PUCRS, a escritora e artista visual Julie Fank foi pioneira na formação de escritores no Brasil. À frente da Esc. Escola de Escrita, escola montada há

12 anos em Curitiba, ela acompanhou, ao longo da última década, a desmitificação da ideia de que escritores nascem prontos ou não precisam de formação. Na outra ponta, Bruna Dantas Lobato, tradutora e escritora, fez mestrado em Escrita Criativa na Universidade de Nova York e, atualmente, é professora de Escrita Criativa na Grinnell College. Dos Estados Unidos, a perspectiva é outra: as oficinas de escrita criativa existem desde o século XIX. Nesta mesa, as duas escritoras conversam sobre o que aproxima e o que afasta o conceito de escrita criativa a partir dessas duas lentes.

 

12h30 – Além das palavras: as raízes de um livro ilustrado (MARALTO EDIÇÕES)
com Johanna Thomé de Souza e Roberta Malta
mediação de Vanessa Rodrigues

O livro ilustrado é um organismo de dupla face, onde a palavra e a imagem dançam no mesmo espaço. Neste encontro, a escritora Roberta Malta e a ilustradora Johanna Thomé de Souza abrem os bastidores da obra Amália para investigar essas múltiplas camadas de leitura. Caminhando entre o texto que evoca e a imagem que inaugura espaços, escritora e ilustradora discutem como a literatura visual se torna um abrigo tátil para o tempo, capaz de traduzir o afeto, a linhagem e as vozes ancestrais que nos habitam antes mesmo de sabermos falar.

 

14h – Criatividade depois do colapso da performance (THE SUMMER HUNTER)
com Lela Brandão e João Pedro Paes Leme

mediação de Ricardo Moreno

Quando produzir se torna uma obrigação ininterrupta, a criatividade corre o risco de virar apenas ruído de fundo. O debate joga luz sobre as frestas que sobram entre a pressão estética das telas e o vazio do esgotamento. Em uma conversa que atravessa as redes e as páginas dos livros, os convidados analisam os impactos da economia da atenção na literatura contemporânea, onde o consumo fácil costuma soterrar as obras que pedem do leitor o direito à lentidão. Uma conversa sobre os limites da nossa cabeça e a busca por uma criatividade que resista ao colapso.

 

15h30 – Sua próxima leitura não será por acaso (SALVO CONTEÚDO)
com Nastacha de Ávila e Rosario Pozo Gowland
mediação de Julie Fank

A palavra curadoria carrega o peso da escolha e o peso de deixar passar uma pepita que pode escapar ao olhar mais atento. O gesto da costura de uma série de recomendações é o que une a experiência de Nastasha, à frente da plataforma de descobertas Salvo, e Rosario Pozo Gowland, à frente do maior clube de livros da Argentina, Deci-me un libro, conversam com Julie Fank, curadora da Casa Acaso e diretora da Esc. Escola de Escrita, sobre o gesto de escolha que, ao costurar pontos imprevistos, desenha novas constelações no repertório de quem está pronto para descobrir seu próximo livro ou artista favorito.

 

16h30 – Nós vamos sorrir
com Carla Françoia e Danichi Hausen Mizoguchi
mediação de Daniel Montoya

Carla Françoia, doutora em filosofia pela PUCPR e psicanalista, estreia na literatura com o romance Ainda é ontem aqui dentro, livro em que explora as relações entre o passado de uma antiquarista que viveu a ditadura de dentro de um cabaré no Rio de Janeiro da década de 70 e uma psicóloga que vive em Curitiba e não faz ideia de como esse passado reorganiza sua biografia. Danichi Hausen Mizoguchi,

psicólogo e doutor em Psicologia pela UFRJ, também traz para o centro de sua ficção, especialmente em Eterna Fantasia, o encontro entre duas mulheres que veem seus ideais ruírem aos poucos diante de golpes e rachaduras no século 21 e a força da amizade se revelar vital para a sobrevivência de seus sonhos. Nesta mesa, mediada pelo escritor Daniel Montoya, a proposta é pensar como a subjetividade se revela na cartografia de uma cidade e nos corpos que resistem às cidades sitiadas, investigando o colapso das utopias e a resistência do desejo em contextos de crise social.

 

17h30 – A máquina não sabe que sabe
com Tatiana Roque e Dora Kaufman
mediação de Samysia Almeida

As acusações contra a inteligência artificial parecem reafirmar o compromisso de quem escreve com a literatura. Mas e quando a própria IA vira matéria-prima para contestar certas pseudoverdades? Sem recorrer à dicotomia entre apocalípticos e entusiastas, Tatiana Roque, vencedora do Jabuti e autora de A máquina e Nós: Promessas e Armadilhas da Inteligência Artificial, e Dora Kaufman, autora de Desmistificando a Inteligência Artificial, desfiam questões éticas e os impactos de seu uso para perguntar, afinal, o que restará – ou sobrará – a nós.

 

18h30 – Como chorar em português
com José Luís Peixoto
mediação de Julie Fank

Há dores que só encontram abrigo no desenho específico de uma língua. A melancolia, a distância e a própria fratura do tempo ganham uma topografia única quando escritas em português — esse território onde a ausência se torna carne e palavra. Nesta mesa, o escritor português José Luís Peixoto conversa com Julie Fank sobre a gramática do afeto e do luto na literatura contemporânea. Um encontro para investigar como a escrita pode mapear o que nos falta e por que, às vezes, é preciso inventar um idioma inteiro apenas para aprender a desabar.

 

19h30 – Dadaísmo
com Dadá Coelho

Um começo pode nos fazer querer abrir a porta inteira e entrar num novo espaço ou, imediatamente, nos fazer trancar a fechadura e partir pra próxima. E, na literatura, é a primeira página que faz as vezes de porta. A atriz, comediante e agitadora literária Dadá Coelho convida o público para um sarau dedicado a essas faíscas que, com o devido combustível, nos levam ao final de um livro. Aberto a quem quiser assistir ou compartilhar seus favoritos, o Dadáísmo celebra as primeiras linhas que nos pegam pela mão e nunca mais nos soltam.


SEXTA-FEIRA [24/07]

9h30 – Quem nunca surtou que atire o primeiro livro
com Paula Novais e Ana Ass
is
mediação de Denise Berejuk

A sanidade é uma ficção muito mal escrita. Entre as obsessões do processo criativo, o isolamento da página e os pequenos colapsos da vida cotidiana, escrever se torna tanto o sintoma quanto o único remédio possível para os nossos desassossegos. Paula Novais e Ana Assis, com mediação de Denise Berejuk, abrem as portas dos bastidores da escrita para falar sobre o transbordamento, o humor

involuntário do desespero e os limites da cabeça de quem cria. Uma mesa para rir do abismo e celebrar os livros que nascem justamente quando tudo o mais parece ruir.

 

10h30 – A literatura não cumpre pena
com Fábio Ataíde Alves, Samuel Lourenço Filho e Guiomar Veras de Oliveira
mediação de Marion Bach]

Quando a literatura entra no cárcere, ela também abre caminhos para a liberdade. Vencedor do 22º Prêmio Innovare, o projeto Escritores e Escritoras do Cárcere, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, inspira esta mesa, que reúne o magistrado Fábio Ataíde Alves e a servidora Guiomar Veras de Oliveira, que coordenam a iniciativa, e o escritor egresso do sistema penal Samuel Lourenço Filho para refletir sobre como a escrita pode dar outro sentido ao cumprimento da pena. Com mediação da escritora e doutora em Direito Penal Marion Bach, a mesa coloca a literatura diante da Justiça para perguntar o que uma pode oferecer à outra.

 

12h30 – Aquilo que só a ficção se atreve a fazer (REVISTA ODISSEU
com Samir Mesquita, Gabriel Stroka
e Myriam Scotti
mediação de Ewerton Ulisses Cardoso

Amamos todos os gêneros literários, mas somente a ficção nos proporciona um exercício de alteridade e criação tão profundo. Por meio dela conseguimos experimentar o que é impossível, criando diálogos inimagináveis e personagens que se recusam a obedecer qualquer norma pré-estabelecida. É sobre isso que nos contam os ficcionistas Gabriel Stroka Ceballos, Myriam Scotti e Samir Machado: como encontrar na ficção um espaço de liberdade.

 

13h30 – E assim se fez… onça: quando o barro também conta (MARALTO EDIÇÕES)
com Marcelo Pimentel
mediação de Vanessa Rodrigues

Como se molda o corpo de uma história? Marcelo Pimentel compartilha o processo de criação de A onça da mão torta, livro ilustrado que nasce do encontro profundo entre a palavra e a terra. Inspiradas nas tradicionais cerâmicas do Vale do Jequitinhonha, as imagens que habitam o livro foram moldadas, pintadas e queimadas em argila antes de ganharem as páginas. Um mergulho nos bastidores de uma obra onde o reconto da tradição oral brasileira ganha a textura do barro, provando que contar histórias é também um gesto de esculpir o tempo.

 

14h30 – Quem tem medo do bajubá?
com Amara Moira
mediação de Carla Françoia

Há quem tema uma língua que nunca fez mal a ninguém. Amara Moira faz de Neca uma trincheira estética, transformando o bajubá em matéria literária cortante e inventiva. Ao lado da psicanalista Carla Françoia, a autora debate os limites da linguagem, os bastidores da criação e os medos que rondam as palavras que não pedem licença para existir. A partir do universo ficcional de Neca, as autoras discutem a escrita como um gesto de insubmissão e parto: uma forma de dar nome ao que o pacto social tenta calar, provando que a verdadeira literatura acontece justamente onde a língua racha e se reinventa.

 

15h30 – Que regional o quê, cara?
com Cami de Malta e André Santa Rosa
mediação de Octávio Santiago

A prosa de Cami de Malta, autora de Cor de Defunto, e a poesia de André Santa Rosa, de Praia Esgarçada Alegria, parecem desafiar a cartilha que ainda insiste em dizer como deve escrever um autor nordestino. A mediação é de Octávio Santiago, de Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste, livro que investiga justamente os estereótipos e as expectativas lançadas sobre a região e sua gente. Uma mesa para revisitar as ideias de identidade e pertencimento e mostrar que o regionalismo, quando tratado como obrigação estética, já tem o ar demodé que merece.

 

16h30 – Memórias e afetos: finitude, a potência do acolhimento e o tempo (THE SUMMER HUNTER)
com Ana Claudia Quintana Arantes e
Alcio Cruz
mediação de Livia Martins dos Santos

Olhar de frente para o fim é, no fundo, aprender a inaugurar o presente. Este encontro é um convite para desacelerar o relógio e habitar o território da presença consciente. Ana Claudia Quintana Arantes e Alcio Cruz, com mediação de Livia Martins dos Santos, investigam o ato de cuidar como uma das formas mais puras de literatura tátil — onde o afeto e a escuta se transformam no legado mais bonito na memória de quem fica. Um encontro poético sobre como a finitude redimensiona os nossos afetos, convidando o público a pensar o legado humano como uma história escrita a quatro mãos, feita de frestas, silêncios compartilhados e amor pleno.

 

17h30 – Levo desaforo pra página: 30 anos de prosa (MARALTO EDIÇÕES)
com Luci Collin
mediação de Julie Fank

Ler Luci Collin é aceitar o convite para um jogo onde as regras mudam a cada parágrafo. Este encontro gira em torno de Acontecidos: contos escolhidos, coletânea que condensa quase três décadas de uma das trajetórias mais inventivas da nossa literatura. A conversa percorre os veios de uma escrita que se recusa a assentar: uma literatura movida pela experimentação radical, pela voltagem do humor e pela capacidade única de implodir e reconstruir as formas narrativas. Uma celebração da palavra em estado de vertigem, ruído e reinvenção.

 

18h30 – A palavra escrita ainda repara alguma coisa? (THE SUMMER HUNTER)
com Cris Bartis e Ruth Manus
mediação de Julie Fank

Entre cartas guardadas, dilemas íntimos e os sobressaltos da vida adulta, esta mesa propõe a escrita como uma tecnologia da escuta e da reinvenção. A conversa investiga como a literatura dá carne e contorno a tudo aquilo que não cabe em respostas rápidas: o amor, a maternidade, o arrependimento e os desvios do tempo. Num presente que corre contra o relógio, ler e escrever resistem como formas profundas de amadurecer e compreender a si mesmo — o avesso poético da pressa.


SÁBADO [25/07]

9h30 – O amanhã já deu errado
com Daniel Alves Pereira e Vanessa Strelow
mediação de Irka Barrios

O futuro deixou de ser uma promessa para se tornar uma espécie de ruína antecipada. Entre distopias que batem à porta e o peso de um presente que não passa, a literatura contemporânea de ficção e mistério assume a tarefa de tatear o escuro. Daniel Alves Pereira e Vanessa Strelow conversam com Irka Barrios sobre o colapso das utopias, o medo que habita as frestas do cotidiano e a beleza estranha de narrar o fim do mundo. Se o amanhã já deu errado, resta saber como a palavra escrita se move entre os escombros para inventar novas formas de sobrevivência.

 

10h30 – Nódoa de dendê não sai (REVISTA ODISSEU)
com Calila de Mercês
mediação de Ewerton Ulisses Cardoso

Calila das Mercês, autora indicada ao Prêmio Jabuti pela coletânea de contos Planta Oração, lança seu primeiro romance, ‘Nódoa’, uma investigação sobre aquilo que fica nas dobras do tempo espiralado através de uma ficção que acompanha a vida de mulheres diversas, unidas por laços de sangue, mas também pela marca do deslocamento. O dilema da migração, o desejo por uma vida para além da dor e a persistência em seguir em frente apesar dos pesares.

 

11h30 – Para lembrar o menino repetindo as tardes naquele quintal
com Manoel Cavalcante, Alex Andrade e Volnei Canônica
mediação de Henrique Rodrigues

Há um quintal que toda infância guarda, mesmo quando ele já não existe mais. Nesta mesa, Manoel Cavalcante, do Rio Grande do Norte, Alex Andrade, do Rio de Janeiro, e Volnei Canônica (Instituto de Leitura Quindim), do Rio Grande do Sul, percorrem diferentes paisagens para falar de literatura infantil e da infância como território inesgotável de invenção. Três autores vindos de três Rios diferentes para mostrar que, quando a literatura é feita com verdade, toda margem vira um lugar seguro.

 

12h30 – Lost in translation: lá já é meia-noite e meia
com Patricia Yamasaki e Fernanda Cerávolo
mediação de Alice Lima]

Mudar de língua é mudar de fuso horário, de pele e de gravidade. Nesta mesa, o Japão emerge como o território geográfico e imaginário que une Patricia Yamasaki e Fernanda Cerávolo sob perspectivas inversas. Patricia, advogada, acessa o país a partir dos fios da ancestralidade e do resgate da memória, transformando essa busca em matéria poética. Já Fernanda, ex-executiva de big techs como o YouTube, deparou-se com o país pelo acaso corporativo; um chão que não lhe era familiar e cujo estranhamento acabou por fertilizar sua ficção. Com mediação de Alice Lima, as autoras investigam os ruídos entre o mundo corporativo e a criação literária, os mistérios da tradução e a riqueza poética de tudo aquilo que se perde — ou se encontra — quando estamos irremediavelmente longe de casa.

 

13h30 – Elas não cabem num mapa
com Mar Becker, Jana Viscardi, Renata Belmonte, Bethânia Pires Amaro, Carina Bacelar e Paula Maria
mediação de Isabella Andrade

Mulheres em Travessia reúne 18 escritoras de diferentes regiões do Brasil em uma coletânea organizada por Isabella de Andrade e María Elena Morán, publicada pela Diadorim Editora em parceria com o Elas na Escrita. Os contos percorrem temas como memória, pertencimento, deslocamento, identidade e transformação, revelando a diversidade de experiências e perspectivas da escrita contemporânea

produzida por mulheres. Este será o lançamento oficial do livro, seguido de uma conversa com algumas das autoras sobre os processos de criação da coletânea, os desafios da escrita, a construção de uma obra coletiva e a potência da literatura como espaço de travessia.

 

Começar igual não é terminar do mesmo jeito
com Otávio Leonídio e
Maria Ribeiro
mediação de Julie Fank

Começar igual não é terminar do mesmo jeito. Partindo de Os Desaparecidos, seu primeiro livro de ficção, o arquiteto e professor da PUC-Rio Otavio Leonídio conversa com sua irmã Maria Ribeiro sobre os mistérios do ponto de partida. Aqui, a criação se desdobra em sua dupla vertente: a infância compartilhada e a página em branco. Assim como a criação de irmãos partilha da mesma matriz biológica e afetiva para depois lançar pessoas a destinos dissonantes, a criação literária se alimenta de escolhas e acasos que transformam o mesmo solo inicial em histórias radicalmente diferentes. Uma mesa sobre os caminhos imprevisíveis da criação — onde o começo é um sangue comum, mas o destino é sempre um desvio.

 

16h30 – O poema não perdoa, a filosofia talvez (REVISTA CULT)
com Patrícia Lavelle, Paulo Henriques Britto e Nathaly Felipe
mediação de Giovani Kurz

Neste debate, os convidados debruçam-se sobre as aproximações e tensões entre o rigor do conceito e a vertigem do poema. Uma imersão na arquitetura implacável de Orides Fontela, onde o poema funciona como um gesto de despojamento radical. Patrícia Lavelle, Paulo Henriques Britto e Nathaly Felipe, mediados por Giovani Kurz, tensionam os limites entre o fazer poético e a investigação filosófica.

Promovida pela Revista Cult, a mesa descortina uma escrita singular que rejeita o ornamento para mirar no essencial, provando que, se a filosofia busca compreender o mistério, o poema tem a audácia de fincar o mistério na carne da palavra, o material bruto de todo mundo que tem os pés e as mãos na literatura.

 

17h30 – Deslize pra virar a página (THE SUMMER HUNTER)
com Ricardo Moreno e Bruna
Castro
mediação de Octávio Santiago

Sem saudosismo, esta mesa discute o vigor das revistas e livrarias independentes. Num mundo governado pelo toque efêmero das telas e pelo fluxo ininterrupto de dados, a permanência do papel aponta para uma necessidade profunda de textura. Ricardo Moreno e Bruna Castro, com mediação de Octávio Santiago, investigam o que o impresso ainda oferece de insubstituível: o livro e a revista como objeto de desejo, a experiência de uma leitura que não te rastreia e o desenho de uma curadoria que exige outro ritmo de atenção. Em um ambiente dominado pela velocidade e pela dispersão das telas, a conversa propõe uma reflexão indispensável para compreender como o tátil se tornou a nossa última fronteira de autenticidade.

 

18h30 – HAPPY HOUR (THE SUMMER HUNTER)


DOMINGO [25/07]

9h30 – ESSES PERSONAGENS À PROCURA DE UMA AUTORA (REVISTA ODISSEU)
com Renata Belmonte e Bethânia Pires Amaro
mediação de Kaio Phelipe

Duas escritoras de dois dos mais interessantes romances do último ano, contam de onde nascem os seus personagens e sobre como aprenderam a conviver com eles antes de apresentá-los ao mundo. Bethânia Pires Amaro, autora de Ressalga, elabora na ficção uma dinâmica interessante entre a história e a invenção, pensando a memória de uma cidade, a cidade de Salvador, como um ponto de partida para a construção dessas personagens. Já Renata Belmonte, com sua prosa densa e labiríntica, nos apresenta personagens complexos e surpreendentes no seu romance ‘Piscinas Russas’, um livro em que as contradições das pessoas é material para a criação ficcional.

 

 

CASA ACASO

Endereço: Rua Comendador José Luiz, 278, Centro Histórico Programação: de quarta a domingo

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Fonte: https://revistacult.uol.com.br/home/em-sua-segunda-edicao-casa-acaso-recebe-lancamento-de-herancas-de-orides-fontela-na-flip/