As 7 falhas de segurança que podem explicar a morte de jovem em salto em Limeira

Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, e o local do salto na Ponte do Esqueleto. Foto: Reprodução/Redes Sociais

A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, expôs uma sucessão de possíveis falhas de segurança que agora são investigadas pela Polícia Civil. Segundo informações preliminares da Polícia Militar, a jovem teria sido lançada da plataforma sem estar presa ao equipamento que deveria sustentá-la.

Em atividades de aventura com cordas, a primeira regra é simples: ninguém salta sem conferência completa do sistema. Normas de turismo de aventura, como a ABNT NBR ISO 21101, tratam da necessidade de gestão de segurança, identificação de riscos e aplicação de processos para reduzir acidentes.

O primeiro erro possível foi a ausência de conexão efetiva da vítima à corda principal. Se a jovem foi arremessada sem o equipamento preso ao corpo, como relatado preliminarmente, a barreira mais básica de segurança falhou antes mesmo do salto.

O segundo erro foi a aparente falta de dupla checagem. Em atividades com corda, o procedimento seguro exige que mais de uma pessoa confira arnês, mosquetões, nós, trava, ancoragem e linha de salto antes da liberação. Checklists técnicos de atividades verticais recomendam inspeção de corda, arnês, conectores e ancoragens antes de cada descida ou operação.

O terceiro ponto é a falta de comando claro para autorizar o salto. Em operação segura, uma pessoa deve ser responsável por dar a ordem final apenas depois da confirmação verbal e visual de que todos os sistemas estão conectados. Se ninguém soube dizer quem deveria prender ou conferir Maria Eduarda, houve falha grave de cadeia de comando.

O quarto erro possível foi a ausência de redundância. Em atividades de risco, especialmente em altura, sistemas de proteção costumam trabalhar com linhas, travas ou pontos de segurança independentes para evitar que uma única falha produza queda fatal. A NR-35, usada como referência para trabalho em altura, define equipamentos destinados a deter quedas e prevê medidas de controle quando houver risco à integridade física.

O quinto erro foi não interromper a operação diante de dúvida. Se os próprios envolvidos disseram à polícia que estão “desnorteados” e não sabem explicar o que ocorreu, isso indica que o procedimento não tinha travas suficientes para impedir uma liberação insegura. Em protocolos de risco, dúvida operacional é condição para parar tudo.

O sexto erro possível foi a falta de controle da área e da plataforma. Um participante não deve chegar ao ponto de salto sem estar equipado, conectado e identificado como pronto. A gestão de segurança em turismo de aventura exige processos organizados para controlar riscos antes, durante e depois da atividade

O sétimo erro foi a aparente ausência de resposta preventiva eficaz, apesar do histórico de risco no local. A Ponte do Esqueleto já havia sido alvo de pedidos de bloqueio e sinalização após outra morte. Mesmo assim, atividades voltaram a ocorrer na estrutura. A tragédia indica que não bastava haver corda, instrutor e propaganda: era preciso haver método, fiscalização e uma sequência rígida de checagens que impedisse exatamente o que aconteceu.

Veja o vídeo do salto:

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/as-7-falhas-de-seguranca-que-podem-explicar-a-morte-de-jovem-em-salto-em-limeira/