Duas pesquisas de boca de urna divulgadas neste domingo (7) apontam empate técnico no segundo turno das eleições presidenciais do Peru. A disputa coloca frente a frente a candidata de direita Keiko Fujimori, filha do ditador Alberto Fujimori, e o esquerdista Roberto Sánchez, apoiado pelo presidente destituído Pedro Castillo.
Segundo o instituto Ipsos, Keiko aparece numericamente à frente, com 50,7% dos votos, contra 49,3% de Sánchez. Já a sondagem da Datum mostra uma diferença ainda menor: 50,53% para a candidata do Força Popular e 49,47% para o nome do Juntos pelo Peru. O ente eleitoral peruano planeja divulgar uma “contagem rápida”, com resultado menos indefinido nas próximas horas.
As urnas fecharam às 17h locais, 19h no horário de Brasília, após uma disputa considerada relativamente calma em comparação com o primeiro turno, realizado em abril e marcado por atrasos na entrega de materiais eleitorais. Mais de 27 milhões de eleitores estavam aptos a votar na eleição que definirá o décimo presidente do Peru em dez anos.
A campanha colocou no centro da disputa dois legados políticos opostos. Keiko concorreu com o lema “Volta Fujimori, volta a ordem”, em meio à crise de segurança no país. A candidata chegou ao segundo turno pela quarta vez seguida e, desta vez, abraçou de forma mais explícita a herança política do pai, morto em 2024 e condenado por corrupção e violações de direitos humanos.
“É muito importante que todos votemos”, disse Keiko a jornalistas a caminho do “desayuno electoral”, café da manhã televisionado com apoiadores, tradição iniciada por Alberto Fujimori em 1990. “Espero que seja meu último desayuno electoral como candidata”, afirmou.
Sánchez, por sua vez, votou em Lima e buscou reforçar a imagem de representante da população rural, em linha com o legado de Pedro Castillo. Nas últimas semanas, porém, moderou o discurso e fez acenos ao mercado e a empresários. “Acreditamos que a supervisão, o controle social e a comunidade internacional estabelecerão os padrões para o funcionamento, o respeito e o fortalecimento da democracia, que é o que o Peru deseja”, declarou.

Apesar da normalidade relativa, houve incidentes pontuais. A agência EFE relatou falta de material em algumas mesas, embora o presidente do Conselho Nacional de Eleições, Roberto Burneo, tenha afirmado pela manhã que 100% dos itens haviam sido entregues. Dois representantes de uma organização política também foram detidos após invalidarem 90 cédulas em Lima, material que foi substituído, segundo Burneo.
Ao todo, 28 mil fiscais eleitorais atuaram para supervisionar o processo. “Conclamamos as organizações políticas, seus líderes, ativistas, apoiadores e o público em geral a agirem com responsabilidade democrática e a respeitarem a vontade popular livremente expressa”, afirmou Burneo.
O apelo ocorre diante do risco de acusações de fraude em uma eleição apertada, como fez o prefeito de Lima, Rafael López Aliaga, no primeiro turno. Neste domingo, ele voltou a criticar o Onpe e o JNE e pediu que os eleitores não deixassem o Peru cair “nas mãos do comunismo”, em referência a Sánchez.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/boca-de-urna-aponta-empate-tecnico-entre-keiko-fujimori-e-sanchez-veja-os-numeros/

