O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) liberou a candidatura do bolsonarista Danilo Morgado (PL) a deputado estadual seis dias antes de o político ser preso na Operação Vectura Corrupta. A ação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MPSP) investiga um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de transporte público.
Investigadores apontam Morgado como ligado ao núcleo político da facção. Ele também disputou a Prefeitura de Praia Grande, no litoral paulista, em 2024, e a polícia apura indícios de que o PCC financiou sua campanha municipal.
A Procuradoria Regional Eleitoral havia pedido a impugnação da candidatura do político, e o TRE-SP inicialmente indeferiu o registro. A decisão considerou a falta de pagamento de multas aplicadas nas eleições de 2022, quando Morgado concorreu a deputado federal pelo Solidariedade.
Após apresentar embargos de declaração, Morgado reverteu a decisão em 11 de setembro e obteve o deferimento da candidatura. Em publicação nas redes sociais, ele celebrou: “É com muita alegria que compartilho com vocês uma notícia muito importante: nossa candidatura foi deferida”.

Investigação alcança campanhas e empresas de ônibus
A Justiça Eleitoral registrou o repasse de R$ 162,4 mil do Fundo Eleitoral do PL para a campanha de Morgado. O candidato também foi alvo de busca e apreensão na Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024 para investigar tentativas de infiltração do PCC nas eleições municipais.
A Operação Vectura Corrupta cumpriu 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Entre os alvos está o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União), que negou envolvimento no esquema e afirmou que se apresentaria às autoridades em até 24 horas.
As investigações descrevem uma estrutura que usaria empresas de fachada, sócios formais como laranjas, direcionamento de licitações, apoio político e lavagem de capitais. As autoridades apuram se integrantes da facção assumiam a administração de empresas após vitórias em licitações, com pagamento de propina a agentes públicos.
O MPSP cita indícios de contaminação de empresas de transporte coletivo na capital e no interior paulista. A apuração aponta que, em tese, ao menos 12 das 22 empresas de ônibus da cidade de São Paulo estariam sob controle do PCC.
A defesa de Danilo Morgado negou irregularidades em sua campanha e “qualquer tipo de envolvimento com o crime organizado”. A Prefeitura de São Paulo informou que interveio na Transwolff e na UPBus em abril de 2024 e abriu procedimentos pela Controladoria Geral do Município contra as empresas.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bolsonarista-preso-por-elo-com-pcc-teve-candidatura-liberada-pelo-tre/


