Bolsonaristas rejeitam Alcolumbre e articulam tomada do Senado em 2027

O atual presidente do Senado Davi Alcolumbre. Foto: Divulgação

Líderes da oposição no Senado começaram a se movimentar nos bastidores para disputar a presidência da Casa em 2027 contra Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), segundo informações da Folha de S. Paulo.

Mesmo após uma série de gestos do senador em direção à direita, parlamentares bolsonaristas afirmam que preferem lançar uma candidatura própria para o comando do Senado. Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) já buscam apoio entre colegas para entrar na disputa.

A movimentação ocorre após Alcolumbre atuar em pautas que provocaram derrotas ao governo Lula, incluindo a articulação contra a indicação de Jorge Messias ao STF e a derrubada do veto presidencial ao projeto que reduz penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

O presidente do Senado também abriu diálogo com Flávio Bolsonaro, em meio à tentativa de construir apoio para uma eventual reeleição à presidência da Casa caso a direita vença a eleição presidencial de outubro. Nos bastidores, integrantes da oposição afirmam que enxergam o senador com desconfiança.

A avaliação é de que ele já rompeu alianças tanto com Lula quanto com Jair Bolsonaro, o que dificulta um apoio automático ao seu projeto político. Apesar disso, parlamentares admitem que existe convergência em alguns temas, como o entendimento de que novas indicações ao STF não devem avançar neste ano no Senado.

Governistas interpretam os movimentos recentes como um recado político de Alcolumbre para demonstrar força sobre a pauta do Congresso. Integrantes do governo também afirmam que o senador buscou apoio da oposição para barrar o avanço da CPI do Banco Master.

O presidente do Senado Davi Alcolumbre abraçando o senador Flavio Bolsonaro. Foto: Divulgação

Em troca, bolsonaristas comemoraram publicamente as derrotas impostas ao Planalto na última semana. Após a derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria, Flávio afirmou que ele “teve um dia em que Deus deu sabedoria a ele de ajudar a começar a resgatar a credibilidade do Congresso Nacional”.

Apesar da declaração, aliados do ex-presidente negam a existência de um acordo formal com o presidente do Senado e dizem que ele ainda trava pautas prioritárias da direita, como a anistia ampla aos golpistas e pedidos de impeachment de ministros do STF.

Alcolumbre, por sua vez, afirmou a interlocutores que os acenos à oposição não significam rompimento com o governo. O senador mantém diálogo com o PT e pediu a aliados do presidente Lula que organizem uma reunião para reduzir a tensão provocada pelos casos recentes no Congresso.

Pessoas próximas ao parlamentar dizem que ele tenta preservar pontes com diferentes grupos políticos para ampliar suas chances de reeleição. A definição sobre o apoio da oposição a ele depende do cenário eleitoral de outubro e da composição do Senado a partir de 2027.

Das 81 cadeiras da Casa, 54 estarão em disputa. A direita calcula que pode conquistar até 35 vagas, número que, somado aos mandatos já garantidos até 2031, ultrapassaria a maioria necessária para controlar o Senado.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bolsonaristas-rejeitam-alcolumbre-e-articulam-tomada-do-senado-em-2027/