É protocolar, cuidadosa demais e inútil para a direita a carta em que Bolsonaro reafirma que o filho ungido é seu porta-voz e seu candidato a presidente. A única utilidade da carta é a que favorece Lula, por funcionar como um recibo da fraqueza de Bolsonaro e de Flávio.
Se não precisasse do aval do pai diante dos ataques da madrasta, Flávio poderia se virar por conta própria. Mas aí teria de provar que representa de fato o bolsonarismo e que chegou à idade adulta como político.
Flávio se revelou infantil desde o momento em que passou a ser pressionado a dar explicações sobre o envolvimento com Daniel Vorcaro. É certo que deve ter ido visitar o pai, para pedir apoio, levando mais de uma versão do manifesto de uma dúzia de linhas.
Saiu com a cartinha mais singela, sem força e sem muita convicção. Bolsonaro pede paz e diz o que era previsível. Mas não é categórico na defesa do filho atacado pela mulher dele. Talvez por saber que hoje Michelle tem mais lastro político do que os enteados e, como perspectiva de futuro de médio prazo, até do que o próprio marido.
🚨 Carta de Bolsonaro pede união em torno da pré-candidatura de Flávio
Em carta lida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), neste sábado, 11, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) declarou confiança no filho e o apresentou como seu pré-candidato à Presidência e porta-voz político.… pic.twitter.com/dzUdeuxu8K
— Cenarium (@cenariumam) July 11, 2026
Imaginemos a cena em que, na copa, enquanto Bolsonaro come pão com leite condensado, o filho tira do bolso as alternativas de texto e pede com o olhar para que Michelle se afaste. E então implora ao pai: escolha uma dessas.
O líder presidiário em prisão domiciliar enfrenta uma situação única. Sua mulher, que virou política, disputa o controle do bolsonarismo mandando na casa em que o enteado aparece como visita e tenta convencer o pai e seu entorno de que é político e não só operador dos negócios da família.
A carta é mais um documento da criancice das relações políticas dentro do bolsonarismo, e não só de Bolsonaro com os filhos. Não é uma manifestação singela, como sugere, mas pobre como expressão de liderança e de capacidade de comando do chefe da extrema direita.
A principal destinatária do recado está dentro de casa, e Bolsonaro poderia chamá-la, como líder e não como marido, para pedir que os dois, madrasta e enteado, declarassem trégua, ali e publicamente. Mas essa não é uma batalha pontual, é uma guerra.

Bolsonaro escreveu a declaração à mão, como deve ser, e ofereceu a Flávio a única ajuda possível no momento em que Michelle se desconecta do núcleo duro do bolsonarismo e do PL para construir o seu movimento ‘Imparáveis’.
Por isso a carta é sem sentido. A provocadora da guerra com o filho joga pife e dorme com Bolsonaro. E quer se desgrudar dele e do que ele representa, apesar de fingir querer herdar o bolsonarismo. E mesmo assim ele tenta convencer a direita de que domina a situação.
A carta e o movimento de Michelle com foco nas mulheres, para implodir o núcleo político dos enteados, expõem ainda mais os problemas dos Bolsonaros. A Michelle contraditória quer autonomia, mas também precisa se vender à sua base religiosa como submissa e ajudadora.
A imparável acaba adotando, para sintetizar o que pretende fazer com essa liberdade, um adjetivo semelhante à palavra bagaceira criada pelo marido para se definir como homem. Mesmo assim, hoje não há carta que consiga parar Michelle dentro de casa e dentro da extrema direita.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/bolsonaro-expoe-flavio-como-um-fracote-por-moises-mendes/

