os documentos secretos usados para acusar Bolsonaro

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante o julgamento da trama golpista, nesta terça (2). Foto: Gustavo Moreno/STF

O julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete réus pela tentativa de golpe de Estado começou nesta terça (2) no Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria-Geral da República (PGR) sustenta a acusação com base em documentos, anotações e arquivos secretos apreendidos pela Polícia Federal e na delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente.

Segundo a PGR, os réus foram divididos em cinco núcleos, sendo o “núcleo crucial” formado pelos principais articuladores da trama golpista. Nesse grupo estão ex-ministros, militares e aliados políticos de Bolsonaro, acusados de planejar a ruptura democrática após a derrota eleitoral de 2022.

Um dos principais indícios é um caderno encontrado na casa do general Augusto Heleno, ex-chefe do GSI. Nas páginas havia anotações que colocavam em dúvida o sistema eleitoral, sugeriam ataques à urna eletrônica e estratégias de comunicação. Também havia menções a aliados e até referência à médica Nise Yamaguchi. A defesa alega que eram apenas registros pessoais sem conexão com golpe.

Anotações do caderno secreto do general Augusto Heleno. Foto: Reprodução

Outro elemento é um arquivo digital intitulado “Bom dia Presidente”, ligado a Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin e hoje deputado. O texto falava em vulnerabilidades da urna eletrônica e citava o apoio de militares, como o major Angelo Denicoli. Para a defesa, trata-se apenas de compilações de críticas já conhecidas de Bolsonaro.

Documento intitulado “Bom dia Presidente”, encontrado pela PF. Foto: Reprodução

A investigação encontrou ainda um documento intitulado “Planejamento Punhal Verde Amarelo”, em um HD do general da reserva Mário Fernandes. O material previa atentados contra Alexandre de Moraes, Lula e Geraldo Alckmin, usando armas pesadas e codinomes como “Jeca” e “Joca”. O plano teria sido apresentado a Bolsonaro em novembro de 2022, mas acabou abortado após a recusa do comando do Exército em aderir.

Plano “Punhal Verde Amarelo”, que previa assassinato de Lula, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. Foto: Reprodução

No celular de Mauro Cid, a PF localizou imagens de uma minuta de decreto golpista que previa a decretação de Estado de Sítio. Segundo o delator, o texto chegou a ser alterado por Bolsonaro e foi discutido em reunião com comandantes militares. A defesa, porém, ataca a credibilidade da delação e pede sua anulação.

Documento encontrado no celular de Mauro Cid que previa declaração de Estado de Sítio. Foto: Reprodução

Outro documento citado pela PGR é a minuta de criação de um “Gabinete Institucional de Gestão de Crise”, datada de 16 de dezembro de 2022. O texto previa um órgão paralelo com comando de Augusto Heleno e Braga Netto, funcionando 24 horas para coordenar comunicação, operações psicológicas e articulação com caminhoneiros, indígenas e policiais.

Minuta que previa criação de “Gabinete Institucional de Gestão de Crise” após golpe de Estado. Foto: Reprodução

Para a acusação, esses arquivos mostram que houve organização deliberada para tentar reverter o resultado das eleições. A defesa alega que não há prova de participação direta de Bolsonaro e que os materiais apreendidos não passam de anotações isoladas ou opiniões pessoais.

!function(f,b,e,v,n,t,s)
{if(f.fbq)return;n=f.fbq=function(){n.callMethod?
n.callMethod.apply(n,arguments):n.queue.push(arguments)};
if(!f._fbq)f._fbq=n;n.push=n;n.loaded=!0;n.version=’2.0′;
n.queue=[];t=b.createElement(e);t.async=!0;
t.src=v;s=b.getElementsByTagName(e)[0];
s.parentNode.insertBefore(t,s)}(window, document,’script’,
‘https://connect.facebook.net/en_US/fbevents.js’);
fbq(‘init’, ‘301448060382165’);
fbq(‘track’, ‘PageView’);

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/cadernos-minutas-e-planos-os-documentos-secretos-usados-para-acusar-bolsonaro/