Casa Branca admite não ter prova contra Raphael Claus

Folarin Balogun, dos EUA, recebe cartão vermelho do árbitro Raphael Claus. Foto: Divulgação

O diretor executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa, Andrew Giuliani, admitiu nesta quarta-feira (08) que o árbitro brasileiro Raphael Claus não era alvo de investigação no Brasil, mas manteve a acusação de que ele seria “suspeito” após expulsar Folarin Balogun, atacante da seleção dos Estados Unidos.

Claus deu cartão vermelho a Balogun no jogo entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina, pela fase de 16-avos de final da Copa do Mundo. Depois da partida, o presidente Donald Trump disse que telefonou para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir o cancelamento da punição que tiraria o jogador norte-americano das oitavas de final.

Trump também afirmou que “esse árbitro é um tanto suspeito se você verificar o passado dele”. Questionado cinco vezes sobre quais evidências a Casa Branca tinha para colocar em dúvida a integridade de Claus, Giuliani respondeu que o brasileiro “estava ligado a uma investigação sobre manipulação de resultados ocorrida há alguns anos no Brasil, relacionada à aplicação do que foi descrito como cartões vermelhos irregulares”.

A referência provável é a CPI da Manipulação de Jogos e Apostas Esportivas, instalada em 2024. Claus compareceu como testemunha, nunca recebeu acusação formal nem entrou na condição de investigado, e o relatório final da comissão elogiou sua atuação profissional.

Confrontado com o fato de Claus não ter respondido a investigação, Giuliani manteve a insinuação. “Ele estava ligado à investigação. Então, quando você considera esse vínculo — ainda que como testemunha, eu entendo —, o fato de ele ter alguma relação com essa investigação, somado ao modo como o VAR foi utilizado?”, disse.

O auxiliar de Trump afirmou que conversou com o presidente norte-americano sobre o cartão vermelho e que ambos decidiram recorrer da decisão de campo. Ele não detalhou o diálogo nem revelou quem forneceu à Casa Branca as informações usadas para questionar o histórico do árbitro.

“Vou manter privadas as minhas conversas com o presidente Trump. O que posso dizer é que consideramos altamente suspeito o fato de haver um árbitro que havia participado anteriormente de uma investigação sobre manipulação de resultados e, especificamente, sobre a aplicação irregular de cartões vermelhos”, declarou Giuliani.

Ele também atacou a revisão do lance. “Além disso, entendemos que houve aplicação incorreta do protocolo do VAR. Em lances de contato, não se pode utilizar o replay em câmera lenta da forma como foi utilizado naquele caso. Quando você junta esses dois fatores, entendemos que havia algo muito suspeito. O governo dos Estados Unidos, seja nas urnas ou dentro de campo, quer que haja fair play”, afirmou.

A crítica se refere à checagem feita por Claus no pisão de Balogun no tornozelo de um jogador bósnio. O árbitro brasileiro analisou a jogada em diferentes velocidades antes de confirmar a expulsão do atacante dos Estados Unidos.

O protocolo da Fifa permite o uso de imagens em velocidade normal e em câmera lenta no VAR. A norma orienta que a câmera lenta sirva, em geral, para constatar fatos como ponto de contato, posição da infração, lances de mão ou saída da bola, enquanto a velocidade normal deve orientar a avaliação da intensidade de uma falta.

A Fifa acolheu parcialmente a apelação dos Estados Unidos. A entidade manteve o cartão vermelho, mas retirou a suspensão automática que impediria Balogun de disputar as oitavas de final e trocou a punição por um período probatório de um ano, no qual o jogador poderá cumprir suspensão se cometer nova infração.

A CBF saiu em defesa de Raphael Claus e divulgou nota para refutar “qualquer insinuação que coloque em dúvida a integridade de Raphael Claus”. A confederação também citou a “excelência técnica, conduta ética e respeito ao futebol” do árbitro brasileiro.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/casa-branca-admite-nao-ter-prova-contra-raphael-claus/