A China sinalizou ao Brasil que pode ampliar a oferta de fertilizantes, tema que ganhou peso na agenda do Itamaraty após problemas de abastecimento ligados ao conflito no Irã. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, havia reiterado o pedido a Pequim em visita realizada no mês passado.
Vieira voltou a tratar da relação bilateral com o chanceler chinês, Wang Yi, na quarta-feira (22), em Manila, capital das Filipinas, onde os dois participaram de encontro da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). No mesmo tom adotado por Pequim após o novo tarifaço dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, Wang afirmou que “a China continuará a apoiar o Brasil na proteção de sua soberania”.
Fontes diplomáticas disseram que o tarifaço não entrou na conversa, que durou cerca de 20 minutos. No encontro, Vieira reconheceu diante de Wang o gesto positivo do governo chinês em relação ao fornecimento de fertilizantes.
O Ministério do Comércio da China comunicou nesta semana à embaixada do Brasil em Pequim que poderia atender a novas demandas brasileiras por fertilizantes fosfatados e nitrogenados. A definição dos volumes de eventuais compras caberá ao setor privado brasileiro.

Dependência de importações pesa na negociação
O aceno chinês foi associado à articulação feita por Vieira no início do mês passado em Pequim, quando ele se reuniu com o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao. Na mesma viagem, autoridades chinesas declararam o Brasil livre de febre aftosa e suspenderam a barreira sanitária à importação de carne bovina brasileira.
Vieira também discutiu fertilizantes com o chanceler russo, Sergei Lavrov, em outra reunião bilateral em Manila na quarta-feira (22). Mais de 80% dos fertilizantes usados na agricultura brasileira vêm do exterior, e China e Rússia respondem por metade desse total, o que explica a prioridade dada pelo Itamaraty aos dois fornecedores.
O conflito no Irã pressionou diretamente o mercado de insumos agrícolas. Os preços dos fertilizantes dispararam após o fechamento do estreito de Ormuz, rota por onde passa parte relevante do escoamento desses produtos, e Rússia e China chegaram a suspender temporariamente exportações para priorizar seus mercados internos.
Nesta quinta-feira (23), Vieira manteve reuniões bilaterais com chanceleres de Timor Leste, Cingapura e Reino Unido. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também esteve no encontro da Asean, mas não havia previsão de reunião com o brasileiro; o Brasil, único país latino-americano com status de Parceiro de Diálogo Setorial do bloco desde 2022, aguarda aval para subir à categoria de Parceiro de Diálogo, enquanto o comércio com a região passou de US$ 2,9 bilhões em 2002 para US$ 38,3 bilhões no ano passado.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/china-acena-brasil-fertilizantes-tensao-eua/

