No acordo que levou Donald Trump a tomar o petróleo venezuelano, o presidente americano contou com Alejandro Betancourt, que agiu como o principal intermediador da ação, e era alvo de uma investigação federal nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro de recursos desviados da estatual venezuelana de petróleo. Atualmente, controla a empresa que será sócia do Pentágono em um acordo de longo prazo. As informações foram reveladas pela Reuters.
Em janeiro, a aproximação já havia ganhado força antes da captura de Nicolás Maduro, com Betancourt fornececendo informações usadas pelos Estados Unidos para perseguir petroleiros sancionados e ajudou a estabelecer contatos com integrantes do governo venezuelano, entre eles Delcy Rodríguez. Depois da retirada de Maduro do poder, manteve o papel de interlocutor entre Washington e Caracas e participou de negociações que abriram caminho para novos acordos de petróleo.
Enquanto sua importância política aumentava, a investigação contra ele na Flórida já havia sido paralisada. Iniciada após promotores apurarem uma suposta operação que teria desviado mais de US$ 1 bilhão da estatal venezuelana de petróleo e lavado o dinheiro por meio de imóveis e contas no exterior. Betancourt já havia sido identificado por investigadores como co-conspirador não denunciado no caso, mas, ele nunca foi formalmente acusado.

O movimento também alcançou a Suíça, com autoridades estadunidenses pressionando o país a aliviar medidas contra Betancourt, que era investigado por lavagem de dinheiro. O pedido suíço para extraditá-lo do Reino Unido foi retirado em maio, embora a Procuradoria de Zurique afirme que o processo criminal continua ativo. Nos Estados Unidos, uma autoridade afirmou que os problemas jurídicos do empresário são antigos e que ele atualmente não enfrenta acusações no país.
Anteriormente Betancourt era um dos “bolichicos”, grupo de jovens empresários que acumulou fortunas durante o chavismo. A empresa de Alejandro, a Derwick Associates recebeu cerca de US$ 2 bilhões em contratos públicos para construir usinas durante a crise elétrica dos anos 2010, apesar da pouca experiência no setor. Dados oficiais mostraram depois que várias instalações operavam muito abaixo da capacidade projetada ou não funcionavam. Betancourt e a empresa sempre negaram irregularidades.
Agora, sua companhia, a North American Blue Energy Partners (NABEP), está no centro do novo arranjo petrolífero entre Estados Unidos e Venezuela. O Escritório de Capital Estratégico do Pentágono ficará com 35% da empresa, enquanto o Departamento de Estado terá direito de comprar 20% de sua produção a preço de custo e acesso preferencial ao restante.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-trump-transformou-bilionario-investigado-em-parceiro-no-petroleo-da-venezuela/

