Diplomacia e pragmatismo vão predominar na Casa Branca?

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump e o presidente do Brasil, Lula, em encontro de outubro de 2025. Foto: Daniel Torok/Casa Branca

Por Paulo Henrique Arantes

Lula e Trump reúnem-se nesta quinta-feira (7) na Casa Branca. A reunião bilateral poderá consolidar uma relação civilizada, em que cada país trabalha pelos seus interesses legítimos e em conformidade com as limitações geopolíticas determinadas pelo Direito Internacional. Ou poderá não sê-lo, já que o anfitrião é imprevisível e já ofendeu sem qualquer pudor outros chefes de Estado por ele recepcionados.

Lula tem a seu favor a honestidade intelectual e a qualidade do corpo diplomático brasileiro. Trump pode, é verdade, rebater as recentes críticas feitas pelo brasileiro, em grandes eventos progressistas na Europa, à maneira como os Estados Unidos tem se portado – em síntese, o modo trumpiano é de absoluto desprezo pelas convenções internacionais.

“Do presidente Trump pode-se esperar qualquer tipo de reação, mas me parece que os arroubos contra o Brasil ficaram para trás, especialmente por conta da ação da diplomacia, seja a diplomacia de Estado, seja a diplomacia empresarial, que modificaram as relações entre os governos”, avaliou o professor de Direito Internacional da USP Wagner Menezes, membro do quadro de árbitros da ONU.

Sala da ONU. Foto: Getty Images via AFP – SPENCER PLATT

Para qualquer chefe de Estado em condição de sanidade, as falas de Lula traduzem sua postura ideológica democrática e humanista, ainda que não divergentes dos posicionamentos oficiais do Brasil. Num encontro como o que ocorrerá amanhã, discursos pretéritos proferidos em eventos, palanques e congêneres costumam ser desconsiderados, a bem do pragmatismo. Venezuela e Irã, certamente, são pontos que podem gerar curto-circuito durante a conversa.

Além de questões comerciais, tarifas, terras raras etc., o governo brasileiro deverá buscar algum tipo de parceria com Washington para combate ao crime organizado, calcada em pontos concretos de atuação, como ações contra a lavagem de dinheiro, o compartilhamento de dados financeiros de suspeitos e a busca por pessoas foragidas. À primeira vista, o gesto pareceria um afrouxamento da soberania nacional brasileira, contrariando o discurso de que não somos um país dominado pelo crime nem aceitamos que outro país venha combater quem quer que seja dentro do nosso território. Mas não é bem assim.

Trata-se, como nos explicou em março o professor Wagner Menezes, de uma linha estratégica: “Eu acho bastante positivo, acho que isso gera um determinado tipo de linguagem diplomática propositiva cujo objetivo é justamente evitar algum tipo de intervenção mais contundente dos Estados Unidos no Brasil. Esse tipo de iniciativa diplomática desarma qualquer narrativa do governo norte-americano nesse campo”.

A conversa, portanto, tende a caminhar muito bem, salvo algum surto imperial e mal-educado do anfitrião. De todo modo, à sua frente estará um chefe de Estado talhado tanto para a negociação quanto para o confronto, respeitado globalmente por sua luta por um mundo mais justo.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/diplomacia-e-pragmatismo-vao-predominar-na-casa-branca/