A Polícia Federal apontou que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro orientou como recursos destinados ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, seriam administrados nos Estados Unidos. A corporação investiga transferências do fundo Havengate, sediado no Texas, como veículo financeiro.
Segundo a investigação, o banqueiro Daniel Vorcaro destinaria um total US$ 24 milhões (R$ 122 milhões) ao fundo. Os repasses foram interrompidos após a prisão do dono do Banco Master.
Os documentos integram as investigações do caso Master e se tornaram públicos na quinta (10), após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantar parte do sigilo por solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin.
A PF também citou conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda. Em março de 2025, Miranda informou ao banqueiro que “Flavio B e Eduardo” pretendiam marcar uma reunião para tratar do filme, conforme a representação policial.

PF questiona uso do fundo Havengate para financiar o filme
O Havengate surgiu em 2020 para um empreendimento imobiliário de US$ 21 milhões, mas não tem propriedades registradas em seu nome, segundo a PF. A corporação citou ainda reportagem do Intercept Brasil que não encontrou o empreendimento no endereço indicado nos Estados Unidos.
A representação afirma que a Calixsan Capital Management LLC, gestora do fundo controlada por Paulo Calixto e Altieris Santana, cancelou seus registros como gestora regulada no Texas, em maio de 2021, e na Flórida, em setembro daquele ano. Para a PF, o fundo permaneceu sem atividade pública por quase quatro anos.
A primeira remessa vinculada ao financiamento do longa, no valor de US$ 2 milhões, chegou ao Havengate em 13 de fevereiro de 2025, vinda da Entre Investimentos. A empresa pertence ao empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, que firmou acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República, homologado por Mendonça.
A PGR endossou o pedido de abertura do inquérito e afirmou que uma conversa atribuída a Eduardo colocou Altieris Santana, sócio do Havengate, à disposição para “operar o esquema”. Na mensagem, o ex-deputado escreveu que o ideal seria manter os recursos já nos Estados Unidos e que Santana poderia viajar para uma reunião presencial; o inquérito sobre “Dark Horse” e as diligências em andamento continuam sob sigilo.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/eduardo-bolsonaro-orientou-uso-de-recursos-de-dark-horse-nos-eua-diz-pf/

