El Niño deve ganhar força, alerta agência da ONU

Ilustração da formação de um El Niño

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU responsável por acompanhar o clima, alertou nesta sexta-feira (03) que o El Niño já se formou no Oceano Pacífico e deve ganhar força rapidamente entre julho e setembro. O fenômeno aumenta a probabilidade de ondas de calor, secas, chuvas intensas e outros eventos extremos em diferentes regiões do planeta.

A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o fenômeno tende a se transformar em um episódio forte nos próximos meses. “O El Niño já está em curso e deve se fortalecer rapidamente, transformando-se em um evento forte”, disse. A agência projeta que o pico ocorra entre novembro e fevereiro.

Os principais centros meteorológicos indicam aquecimento expressivo das águas do Pacífico equatorial, especialmente nas porções central e leste do oceano. Em algumas áreas usadas para monitorar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar pode ficar mais de 2°C acima da média.

A OMM afirma que os modelos climáticos apresentam resultados semelhantes, o que aumenta a confiança na classificação do episódio como forte. A intensidade final dependerá do aquecimento do Pacífico Equatorial e da resposta da atmosfera, já que o El Niño exige uma atuação persistente e acoplada entre oceano e atmosfera.

Variações no nível do mar no Pacífico equatorial associadas ao El Niño
Variações no nível do mar no Pacífico equatorial, com áreas avermelhadas associadas a águas mais elevadas. Foto: g1

Efeitos do El Niño no Brasil e no clima global

O El Niño consiste no aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador. Ele integra um ciclo natural que alterna fases quentes, frias, conhecidas como La Niña, e neutras, alterando a circulação atmosférica e os padrões de chuva e temperatura.

No Brasil, os impactos costumam variar conforme a região. O Sul tende a registrar mais chuva e maior risco de eventos extremos, enquanto áreas do Norte e de partes do Nordeste podem enfrentar redução de precipitações. Sudeste e Centro-Oeste costumam ter chuvas mais irregulares, além de maior frequência de ondas de calor.

Desde 2006, o planeta registrou uma sequência de episódios de El Niño com diferentes intensidades: fraco a moderado em 2006-2007, moderado em 2009-2010, muito forte entre 2014 e 2016, fraco a moderado em 2018-2019 e forte em 2023-2024, um dos mais intensos já observados e associado a novos recordes de calor.

Com os oceanos mais quentes que a média histórica, cientistas apontam que mesmo episódios moderados podem produzir efeitos mais severos do que no passado. Entre os impactos esperados estão períodos prolongados de calor na primavera e no verão, maior facilidade para queimadas em áreas secas e efeitos sobre produções agrícolas.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/el-nino-deve-ganhar-forca-alerta-onu/