Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passaram a atuar nos bastidores para tentar reaproximá-lo do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após desgastes provocados pelo caso Master e pela rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma vaga na Corte. Pessoas próximas ao presidente avaliam que um rompimento definitivo não seria conveniente para nenhum dos dois. Com informações do Globo.
Integrantes do entorno de Lula afirmam ter convicção de que Moraes atuou para que Messias fosse derrotado no Senado, o que impôs uma derrota ao governo. As suspeitas envolvem a proximidade do ministro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), responsável por conduzir a sabatina e a votação da indicação ao STF.
Segundo relatos, Moraes teria ficado contrariado com a relação de Messias com o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo e adversário interno do magistrado na Corte. A indicação do chefe da AGU poderia alterar a correlação de forças no tribunal, já que Messias e Mendonça são evangélicos.
A relação entre Lula e Moraes se estreitou durante a eleição de 2022, apesar da trajetória política do ministro em campo oposto ao PT. Indicado ao Supremo por Michel Temer, Moraes passou a ser visto por petistas como aliado importante após sua atuação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e nas ações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.

Outro fator considerado por aliados é a previsão de que Moraes assuma a presidência do STF em setembro de 2027, conforme o acordo de antiguidade entre ministros da Corte. Caso Lula seja reeleito em outubro de 2026, os dois terão de conviver como chefes de Poderes durante parte do próximo mandato presidencial.
O distanciamento começou após a eclosão do caso Master. Integrantes do governo afirmaram que a divulgação de informações sobre a relação do escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci, com o banco gerou desgaste no Planalto pela proximidade entre o ministro e Lula. O presidente já manifestou, em conversas privadas, incredulidade com o contrato de R$ 130 milhões entre o escritório e o Banco Master.
Em abril, Lula afirmou em entrevista ao ICL Notícias que aconselhou Moraes a se declarar impedido em eventual julgamento no STF sobre ações relacionadas às fraudes do Master. “Eu disse para o companheiro Alexandre de Moraes e vou dizer para vocês exatamente o que eu disse para ele. É o seguinte: você construiu uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de Janeiro. Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a sua biografia”, declarou.
Após a rejeição de Messias no Senado, Moraes enviou sinais ao governo de que não atuou contra a indicação do advogado-geral da União. O ministro conversou com integrantes do governo em voo da FAB de Brasília para São Paulo e também com lideranças petistas, como Edinho Silva. Pessoas próximas a Moraes afirmam que ele tem contatos restritos no Senado, principalmente Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/entorno-de-lula-busca-reconstruir-ponte-com-moraes-apos-casos-master-e-messias/

