Fotos obtidas com exclusividade pelo DCM levantam novas questões sobre a participação dos governos Tarcísio e Zema, mais o do prefeito Ricardo Nunes, na produção de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro financiada com ao menos R$ 61 milhões enviados por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, após pedidos feitos por Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
As imagens foram registradas no dia 4 de dezembro, durante as gravações da cena que reconstitui a facada sofrida por Bolsonaro em 2018 em Juiz de Fora, MG. Segundo relato enviado ao DCM por uma fonte que acompanhou a filmagem no centro de São Paulo, policiais e motocicletas identificados visualmente como integrantes da Polícia Militar e da Polícia Civil de Minas Gerais aparecem na produção.
Houve ainda a participação da PM-SP e da CET, do município, na segurança. “Tirei essas fotos durante as gravações do filme. Logo percebi que era uma encenação da facada do Bolsonaro e fiquei prestando atenção. Nada que justificasse o orçamento alegado. Tem muita coisa escondida nesse orçamento”, afirmou.
As gravações ocorreram na Rua Roberto Simonsen, próxima ao Pátio do Colégio e ao casarão da Marquesa de Santos, no centro histórico da capital paulista. A fonte afirma que o uso de policiais e motocicletas mineiras chamou atenção imediatamente. “A primeira coisa que me chamou a atenção foram os policiais e motocicletas da PM e da Polícia Civil mineiras posando como figurantes”, relatou.
Segundo o depoimento, as motos exibiam identificação semelhante à utilizada oficialmente pelas forças de segurança de Minas Gerais. Ela afirma ainda que os uniformes e armamentos aparentavam autenticidade visual.
O local fica ao lado da secretaria estadual da Justiça e do Tribunal de Alçada Civil, por isso está enquadrado numa área de segurança pública. Uma placa indica o decreto que autoriza isso.
A gravação ocorreu apenas 18 dias após a data das mensagens reveladas pelo Intercept Brasil, nas quais Flávio Bolsonaro pressionava Daniel Vorcaro a liberar mais recursos para a produção do longa. O filme é dirigido por Cyrus Nowrasteh e teve roteiro escrito pelo deputado Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro.
Frias aparece nas fotografias sob um toldo, junto com outros membros da equipe. A produção de “Dark Horse” utilizou espaços públicos ligados ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado da famíia, em São Paulo.
A Go Up Entertainment, produtora de Karina Ferreira Gama, pagou, oficialmente, R$ 57 mil para usar o Museu das Favelas e R$ 125,9 mil para gravar no Memorial da América Latina.
A cena da facada foi registrada justamente no Museu das Favelas, depois que os jesuítas do Pátio do Colégio recusaram autorização para as filmagens. Em troca de e-mails obtida pelo Metrópoles, representantes da instituição afirmaram que a SP Cine agiu “com grande desrespeito” ao tentar impor o cronograma da produção sem consulta prévia adequada.
Na época havia uma exposição sobre Frantz Fanon, psiquiatra, filósofo e ensaísta martinicano, reconhecido como um dos principais pensadores das lutas anticoloniais e das relações entre racismo, dominação e libertação no século 20. Autor de obras como “Pele Negra, Máscaras Brancas”, deixou uma produção intelectual que continua presente nos debates sobre identidade, violência colonial e emancipação política. Em 2025, Fanon completaria cem anos.
Karina Ferreira Gama também aparece no centro de outras investigações envolvendo contratos públicos. Além de comandar a Go Up Entertainment, ela preside o Instituto Conhecer Brasil, ONG que recebeu mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo para instalação de internet Wi-Fi em comunidades periféricas.
O caso já entrou no radar do Ministério Público de São Paulo, que abriu inquérito para investigar suspeitas de irregularidades no contrato firmado pela gestão Ricardo Nunes (MDB). O Instituto Conhecer Brasil também recebeu emendas parlamentares de deputados do PL, incluindo recursos enviados por Mário Frias.
As novas imagens obtidas pelo DCM ampliam as perguntas sobre o nível de apoio político e institucional que cercou a produção de “Dark Horse”. Além do dinheiro vindo de Daniel Vorcaro, o filme passou a reunir conexões com fundos internacionais, contratos públicos, emendas parlamentares e vínculos operacionais com estruturas de segurança estaduais.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/exclusivo-fotos-obtidas-pelo-dcm-ligam-tarcisio-zema-e-nunes-ao-filme-de-bolsonaro-vorcaro/

