“Meu pai foi enterrado vivo”, diz Flávio Bolsonaro após nova determinação de Moraes

Jair e Flávio Bolsonaro. Foto: Sergio Lima/AFP

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do PL à Presidência, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi “enterrado vivo” após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), endurecer as restrições da prisão domiciliar do pai.

A decisão impede Bolsonaro de receber visitas por 30 dias e proíbe qualquer manifestação político-eleitoral até o fim das eleições. Moraes considerou que a divulgação, nas redes sociais, de uma carta do ex-presidente a Flávio violou medidas cautelares impostas pela Corte.

“Mais uma decisão ilegal, desproporcional, covarde e cruel. O Bolsonaro foi enterrado vivo, só com a cabeça para fora da terra e está tomando chute na cara de Moraes. Hoje foi mais um bico na boca”, disse Flávio, em vídeo divulgado na última sexta-feira (17).

O senador acusou Moraes de tentar interferir nas eleições presidenciais por ter “medo que Bolsonaro ou um Bolsonaro volte à presidência do Brasil”. “Usar a força que o Estado lhe conferiu para satisfazer o seus devaneios pessoais, não é justiça, é vingança”, afirmou. Ele acrescentou: “Eu espero que mais esse triste capítulo da falsa democracia vigente abra os olhos de quem ainda não entendeu que um tirano não retrocede nos poderes que ele próprio se concedeu”.

Filhos de Bolsonaro contestam restrições e Moraes rebate incomunicabilidade

O relator também proibiu as visitas de Flávio ao ex-presidente por 90 dias. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que “uma das hipótese de aplicação do estado de defesa é justamente risco às instituições (democracia)” e disse que, mesmo nessa hipótese, “é proibido deixar o preso incomunicável”.

Na decisão, Moraes classificou como “patéticas” as alegações de que Bolsonaro ficará incomunicável com as novas restrições. “O custodiado cumpre, desde 27/3/2026, sua pena privativa de liberdade em casa, convivendo diariamente com sua mulher, filha e enteada”, escreveu o ministro. Ele também citou a presença diária de agentes de segurança na residência, pela condição de ex-presidente, e de uma cozinheira.

O despacho de 18 páginas entrou no sistema do STF cerca de uma hora após a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ex-vereador do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado por Santa Catarina Carlos Bolsonaro (PL-SC) disse que Moraes proferiu a ordem “em questão de segundos”: “Pelo que tive ciência, Alexandre proibiu, em questão de segundos após a PGR, visitas de todos os filhos ao pai. Eu creio, tenho fé e força…”.

O vereador de Balneário Camboriú (SC) Jair Renan (PL), pré-candidato a deputado federal, comparou a situação de Bolsonaro com a prisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2018. “Lula, quando esteve preso, recebia político, artista, sindicalista, e ainda foi lançado candidato a presidente de dentro da cadeia. Meu pai não pode receber um abraço de um filho dentro da própria casa. É a mesma Justiça, mas a régua muda conforme o sobrenome. Pai, estarei sempre com o senhor”, afirmou.

O líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), disse que Moraes “transforma medidas judiciais em instrumentos de silenciamento político”. O deputado federal André Fernandes (PL-CE) ironizou a determinação ao chamar o caso de “democracia pujante” no período eleitoral, e o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), afirmou: “Podem prender, censurar, ninguém consegue deter um sentimento! O Brasil não quer a esquerda, o Brasil é de direita e conservador. Vamos eleger Flávio Bolsonaro”.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/flavio-diz-que-bolsonaro-foi-enterrado-vivo-apos-moraes-ampliar-restricoes/