O governo Lula avalia que a pesquisa Datafolha sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas mostra dois movimentos simultâneos no eleitorado: a cobrança por uma resposta mais dura ao crime organizado e a rejeição majoritária a qualquer ação dos Estados Unidos em território brasileiro sem autorização nacional.
Segundo o levantamento, 59% dos brasileiros concordam, total ou parcialmente, com a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as duas maiores facções brasileiras como terroristas. Ao mesmo tempo, 74% rejeitam a hipótese de Washington atuar contra integrantes desses grupos dentro do Brasil sem aval do governo brasileiro.
No Ministério da Justiça e Segurança Pública, a leitura é que os números não revelam contradição, mas uma distinção clara feita pela população. O eleitor quer combate ao crime organizado, mas não aceita que a pauta seja usada como pretexto para violar a soberania nacional.

A secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, afirmou à coluna Painel, da Folha de S.Paulo, que uma eventual intervenção dos Estados Unidos se aproximaria de uma lógica colonialista. “O brasileiro quer uma resposta ao crime organizado, mas compreende com lucidez que uma ingerência norte-americana é uma violação à soberania brasileira. Mais ainda: nos coloca numa camada de subserviência”, disse.
A pesquisa também mostra que 83% dos entrevistados dizem ter conhecimento da nova classificação adotada pelos Estados Unidos, e 72% se consideram bem ou mais ou menos informados sobre o assunto. Para o governo, esse grau de informação reforça a ideia de que a rejeição à ingerência externa não é marginal, mas um dado político consistente.
O tema entrou no centro da disputa de 2026 porque a direita bolsonarista tenta explorar a classificação das facções como terroristas para associar o governo Lula à leniência com o crime. A mesma pesquisa, porém, indica que a tese da intervenção externa encontra forte resistência: mesmo entre eleitores pressionados pela violência, a maioria rejeita que os Estados Unidos atuem no país sem autorização brasileira.
O levantamento também apontou que 54% dos entrevistados acreditam que Flávio Bolsonaro teve influência na decisão estadunidense. Entre os que enxergam essa influência, 57% avaliam que ela foi negativa para o Brasil, dado que tende a alimentar a estratégia do governo de vincular o senador do PL a uma ofensiva externa contra interesses nacionais.
A aposta do Planalto, a partir desses números, é reforçar o discurso de soberania até a eleição. A avaliação interna é que há espaço para defender uma política firme contra facções sem aderir à lógica de subordinação aos Estados Unidos, separando o combate ao crime organizado da instrumentalização eleitoral do tema pela extrema-direita.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/governo-lula-ve-no-datafolha-repulsa-popular-a-ingerencia-dos-estados-unidos/

