Irã fecha espaço aéreo após ameaças dos EUA e escalada de tensões militares

Espaço aéreo do Irã estava vazio por volta das 20h de Brasília – Reprodução/FlightRadar24

O governo do Irã fechou seu espaço aéreo na noite desta quarta-feira diante do risco de um possível ataque militar dos Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo site de rastreamento de voos Flightradar24, que registrou praticamente nenhum tráfego aéreo sobre o território iraniano durante a madrugada no horário local. Com informações do UOL.

Por volta das 3h no Irã, apenas um avião comercial aparecia sobrevoando o país, com origem em Guangzhou, na China. Pouco depois, um segundo voo, que partiu de Shenzhen, também entrou no radar e figurava entre os mais monitorados da plataforma. Ambos eram operados pela Mahan Air, companhia aérea iraniana sediada em Teerã.

O fechamento do espaço aéreo ocorreu após o presidente Donald Trump ordenar a retirada de militares de bases norte-americanas no Oriente Médio. A decisão foi tomada depois de o Irã informar a países vizinhos que poderia atacar instalações dos EUA caso fosse alvo de uma ofensiva militar.

Ao longo da semana, Trump afirmou publicamente que avalia ataques aéreos contra o Irã, citando a repressão a protestos no país. A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que canais diplomáticos permanecem abertos e que autoridades iranianas adotaram um tom diferente em conversas recentes com o enviado especial Steve Witkoff.

Nesta quarta-feira, o assessor do líder supremo iraniano, Ali Shamkhani, relembrou um ataque ocorrido em junho de 2025 contra a base americana de Al Udeid, no Qatar. Em publicação no X, ele afirmou que a ação demonstrou a capacidade do Irã de responder a qualquer ofensiva dos Estados Unidos.

Postagem de Ali Shamkhani, assessor do Aiatolá Khamenei

Mais cedo, Trump disse ter recebido informações de que o Irã havia interrompido execuções relacionadas aos protestos. Segundo ele, não haveria planos imediatos para novas penas de morte. A execução de Erfan Soltani, de 26 anos, condenado por participação nas manifestações, estava prevista para esta quarta-feira, mas foi adiada, conforme relato da Organização Hengaw para os Direitos Humanos.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que não haverá execuções “nem hoje nem amanhã”, em entrevista à emissora “Fox News”. A declaração ocorreu após promessas anteriores de aceleração de julgamentos contra manifestantes.

De acordo com a organização Iran Human Rights (IHR), a repressão aos protestos no país já resultou em ao menos 3.500 mortes. As manifestações começaram em 28 de dezembro, motivadas por queixas econômicas, como inflação elevada e desvalorização do rial, e se espalharam por todas as províncias do país.

Trata-se da maior onda de protestos no Irã desde o movimento “Mulheres, Vida, Liberdade”, ocorrido entre 2022 e 2023, iniciado após a morte de Mahsa Amini sob custódia da polícia da moralidade.

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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/ira-fecha-espaco-aereo-apos-ameacas-dos-eua-e-escalada-de-tensoes-militares/