Israel mantém conversas com o Sudão do Sul sobre a possibilidade de transferir palestinos da Faixa de Gaza para o país africano, devastado por conflitos. A informação foi confirmada por seis fontes à Associated Press, que indicam não haver clareza sobre o avanço das negociações.
Caso concretizada, a medida significaria deslocar pessoas de uma região arrasada por 22 meses de ofensiva israelense contra o Hamas para outra marcada por guerra e risco de fome, levantando preocupações sobre direitos humanos.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu defende o que chama de “migração voluntária” da população de Gaza, alinhada à visão do ex-presidente dos EUA Donald Trump de realocar grande parte dos moradores do território. Propostas semelhantes já teriam sido apresentadas a outros países africanos.
Ele afirmou que a saída de civis permitiria ações militares “com toda a força” contra quem permanecesse na área, sem mencionar especificamente o Sudão do Sul.
Organizações palestinas, grupos de direitos humanos e a maior parte da comunidade internacional veem o plano como expulsão forçada, proibida pelo direito internacional. O Sudão do Sul, por sua vez, nega oficialmente que esteja tratando do assunto, embora intermediários confirmem que houve discussões.
Segundo o lobista Joe Szlavik, que trabalha para o governo sul-sudanês, uma delegação israelense pretende visitar o país para avaliar a criação de acampamentos financiados por Israel.


O Egito, que faz fronteira com Gaza, rejeita qualquer proposta de transferência de palestinos, temendo aumento do fluxo de refugiados. Relatos indicam que Israel e EUA já sondaram também Sudão, Somália e a região autônoma de Somaliland para iniciativas semelhantes, sem informações claras sobre o andamento.
O Sudão do Sul, que enfrenta grave crise econômica e busca apoio internacional, poderia usar o acordo para fortalecer laços com Israel e melhorar sua relação com Washington, incluindo a retirada de sanções. Ainda assim, líderes da sociedade civil alertam que a chegada de palestinos poderia gerar tensões, devido ao histórico de conflitos religiosos e étnicos com o norte árabe e muçulmano, do qual o país se separou em 2011.
Mesmo palestinos que desejam deixar Gaza temporariamente dificilmente aceitariam ir para um dos países mais instáveis do mundo, temendo nunca mais poder voltar e ver Israel anexar o território. O Sudão do Sul, além de lidar com a fome e a corrupção, ainda sofre os efeitos de uma guerra civil que matou quase 400 mil pessoas e mantém a paz interna sob risco constante.
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Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/israel-negocia-envio-de-palestinos-de-gaza-para-o-sudao-do-sul/

